Daniel Teixeira / Estadão
Daniel Teixeira / Estadão

Mais seguro, tênis vira alternativa para prática de esporte na pandemia

Especialistas indicam que modalidade tem um risco menor de contaminação e São Paulo registra aumento na procura

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S. Paulo

27 de julho de 2020 | 05h00

Se no circuito profissional as bolinhas ainda não voltaram a quicar, nas quadras de São Paulo as raquetes já voltaram à ação e passaram a ganhar atenção especial dos atletas amadores. Considerada uma modalidade "mais segura" na pandemia, segundo estudos e especialistas, o tênis se tornou alternativa para quem vê no esporte a oportunidade de fazer exercícios sem correr maior risco de contaminação por covid-19.

Nos últimos meses, pesquisas vêm apontando o tênis como uma das modalidades com menor chance de contágio por conta do distanciamento natural entre os competidores na quadra, pela ausência de aglomeração, tão comum em esportes coletivos, e também por poder ser disputado ao ar livre.

Nos Estados Unidos, a Associação Médica do Texas colocou o tênis como o esporte mais seguro nesta pandemia. A entidade criou uma escala de 1 a 10 para classificar o risco de diversas atividades do cotidiano, como ir a um restaurante ou passear no parque. O tênis está no nível 2, ao lado de "acampar" e "abastecer o carro", por exemplo. Já academias de musculação estão no nível 8. Futebol e basquete estão no nível 7.

São critérios semelhantes aos que foram utilizados pelo Instituto Politécnico de Turim em estudo elaborado a pedido do Comitê Olímpico da Itália. Nele, os pesquisadores italianos estabelecem uma tabela de classes, de 1 a 8, para definir o grau de risco das modalidades esportivas. O tênis oscila entre as três primeiras por suas variações, como jogar em quadra coberta ou descoberta, em simples ou em duplas.

Em ambos os estudos, os especialistas já levam em conta que cada atleta amador ou profissional manterá os cuidados de higiene e distanciamento social. “São atividades com apenas dois participantes, sem contato direto, mantendo a distância interpessoal. Cada jogador deve usar suas próprias bolinhas, evitando trocas e contato entre as mãos e os olhos”, destacam os pesquisadores italianos.

Estes critérios são embasados pela própria Organização Mundial da Saúde. A OMS aponta que esportes de menor risco de contágio são aqueles "com distância física" e disputados ao ar livre. “Eventos realizados ao ar livre serão mais bem ventilados do que aqueles Indoor”, diz a entidade, em documento elaborado para orientar federações esportivas e organizadores de competições.

Pelas medidas oficiais, uma quadra de tênis tem 23,77 metros de comprimento. Em um jogo, nas disputas de bola, os tenistas podem ficar até a 30m de distância um do outro. E é justamente este afastamento que vem atraindo iniciantes. A maioria está abandonando musculação e modalidades coletivas.

"A ideia de manter a distância pesou bastante para eu começar a jogar agora. É um esporte mais seguro. Comecei há duas semanas e estou gostando bastante”, diz a empresária Patrícia Kim, de 24 anos. “Mesmo sendo um esporte que mantém o distanciamento, dá para conversar. Ainda é possível se relacionar. E, durante a aula, decidimos manter a máscara."

A maior procura foi verificada em quatro academias procuradas pelo Estadão nos últimos dias em diferentes pontos de São Paulo. Em quase todas, a perda de alunos na quarentena vem sendo compensada pela demanda de iniciantes. É o que vem acontecendo com a Paulista Tennis Center, a Masters Tennis e a PlayTennis, que tem sete unidades na capital.

"Perdemos muitos alunos no meio da pandemia e agora está acontecendo uma retomada. No começo, tem aquele receio, mas todos gostam da sensação de liberdade de sair de casa e estar em quadra. Percebemos que vários alunos vieram de academias de musculação e agora optaram pelo tênis, por ser mais seguro", diz o dono da PlayTennis, Eduardo Azevedo.

Ricardo Yai, proprietário da Masters, se surpreendeu. "Tenho recebido uma procura maior nestas últimas duas semanas. Isso me surpreendeu um pouco. Temos um público fiel, dificilmente alguém migra de uma modalidade para outra. E também é difícil ter uma procura espontânea assim”, disse. “Temos tido muita demanda maior de mulheres, que era um público que atendíamos muito pouco antes."

Este é o caso da publicitária Samantha Camargo, de 30 anos. Ela começou a praticar em parceria com o marido, Felipe Malheiros, de 29. "A minha mulher nunca tinha jogado. Fazia academia e corria antes da pandemia. E teve essa iniciativa porque viu no tênis uma saída para praticar um esporte e manter a saúde em dia mesmo em tempos de coronavírus", conta Malheiros, profissional do mercado financeiro, que voltou às quadras depois de anos por incentivo da mulher.

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