Maria Helena faz sucesso na Espanha

O jornal local publicou matéria com elogios à boa campanha do time ? antes ameaçado de cair para a segunda divisão ? a partir da contratação da técnica brasileira Maria Helena Cardoso. Ela nem sabe ao certo quais foram os elogios. A língua de Hondarribia, a cidade do time que dirige desde setembro de 2003, no País Basco, é o euskera. ?É tão diferente que ao ler o jornal não se entende uma palavra.? Mas como o basquete adota a linguagem universal, o trabalho da técnica com o P.C. Mendibil, de Hondarribia, pôs o time no playoff do Campeonato Espanhol, a partir do dia 7. Aos 64 anos, Maria Helena é a primeira técnica brasileira a atuar no basquete feminino europeu. São 14 times na Divisão Especial. O Mendibil contratou a usbeque Elena Tornikidou (que indicou Maria Helena, com quem jogou, no BCN/Osasco e no Vasco), a norte-americana Murriel Page, mais sete atletas. ?É difícil adotar um esquema tático com nove jogadoras?, observa a técnica que, no entanto, qualificou a equipe entre as oito primeiras, após o primeiro turno, conquistando o direito de disputar a Copa da Rainha, e para o playoff das quartas-de-final do Espanhol ? a posição ainda dependerá da rodada deste sábado (enfrenta o Cardi la Seu D?Urgell). Um dos feitos do time foi vencer o Barcelona que, juntamente com o Ros Casares, de Valência, são as forças do torneio. ?Aí o Barcelona trouxe Érika (brasileira).? Érika e Iziane são as atletas do Brasil que a técnica mais acompanha. Disse que se sente feliz por observar que o ?nível técnico do basquete brasileiro é muito bom, não deve nada a ninguém?. Acredita que o Brasil pode ser apontado, assim como Estados Unidos, Rússia e Austrália, como um dos favoritos ao pódio na Olimpíada de Atenas, em agosto. ?A cotação das brasileiras é muito boa. A verdade é que temos poucas atletas, mas muita qualidade.? O investimento em categorias menores é, na sua avaliação, a única saída para o futuro. ?Me preocupa o fato de o nosso basquete doméstico estar muito pequeno.? Com pendências salariais no Vasco ? afirma que não tem mágoas ? e indecisa sobre começar um trabalho em Ourinhos (SP), a técnica, que já comandou a seleção brasileira e está no basquete há 45 anos, 20 deles como jogadora, decidiu ir para a Europa, convidada pelo clube basco. A Federação Espanhola de Basquete que exige formação universitária para técnicos concedeu a licença à Maria Helena, pelo seu currículo. No fim da campanha, a técnica decide se fica. ?Com 64 anos, se decide hoje. Aqui é bom, mas o Brasil é minha casa.? Sua opção foi ?fazer algo diferente, conhecer outra organização esportiva e cultura? e uma cidade interessante ? divisa com a França, à beira do Mar Cantalábrio. ?O povo basco é educado. Sempre fui tratada com respeito.? Não teme o terrorismo. E explica: ?Não é o povo. Quem age é uma organização terrorista, comparável a uma organização criminosa, como o Comando Vermelho, no Rio.?

Agencia Estado,

26 de março de 2004 | 09h35

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