Más atuações deixam Guga em alerta

Esta promete ser a pior das temporadas para Gustavo Kuerten. Entre a recuperação completa da cirurgia no quadril e a necessidade de jogar para confirmar pontos e não decepcionar patrocinadores, o melhor tenista brasileiro da história está em uma encruzilhada. Embora a cirurgia a que foi submetido tenha sido ?um sucesso?, segundo os médicos, o tenista parece sem força e longe daquele atleta insinuante que assombrou o mundo com a potência dos seus golpes. Se não houver uma guinada em sua carreira, a caída no ranking será vertiginosa até o final do ano. Guga desistiu na primeira rodada do Masters Series de Toronto, terça-feira passada, quando defendia 75 pontos. Nesta quinta-feira, desembarcou para jogar em Cincinnati, nos Estados Unidos, em outro torneio em quadra rápida, no qual defenderá o título, que vale 500 pontos. Depois, terá mais 175 para defender em Indianápolis e 250 no Aberto dos Estados Unidos. Guga esta semana caiu do 19º para o 20º posto. Tem 1.495 pontos, sem descontar ainda o que perdeu em Toronto. Há uma grande torcida por ele, mas em caso de acontecer o pior Guga pode terminar setembro perto do 80º lugar. O ranking serve também para definir quanto o tenista ganha em patrocínio. Ele ainda está bem. Na semana que vem vai aparecer em novo comercial da Motorola. Para o médico Thomas Byrd, a artroscopia que fez no lado direito do quadril do tenista em fevereiro também foi um sucesso. Na semana passada o médico esteve demonstrando seu método pela primeira vez no País, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Byrd, atende em Indianápolis, nos Estados Unidos. Em São Paulo, fez seis intervenções acompanhado dos médicos Roberto Santin e Emerson Honda. Depois deu duas palestras na Santa Casa. Byrd é especialista em lesões nas articulações no quadril. Foi indicado a Guga pelo tenista sueco Magnus Norman, que passou pelo mesmo problema depois de chegar ao número 2 do mundo em 2000 e agora é 198º. O brasileiro tinha uma lesão no labrum acetabular, fibrocartilagem que recobre a articulação, de acordo com o diagnóstico do médico Marcos Contreras, que primeiro tratou de Guga em Florianópolis. A lesão era do tipo ?flap?, uma pequena saliência que se interpunha na articulação, causando dor e desequilíbrio mecânico do jogador. Mais rápido - Guga marcou a operação em Indianápolis para o dia 26 de fevereiro. E em 29 de abril, um mês antes do previsto, já estava jogando em Mallorca, em piso de saibro. A artroscopia é rápida, de apenas uma hora, e consiste na introdução do laser por três orifícios, chamados de portais. Guga teve de fazer uma raspagem do ?flap? que atrapalhava seus movimentos. Na maioria dos casos, a recuperação do paciente se dá em três meses, ao contrário da intervenção cirúrgica tradicional, que chega a levar mais de um ano para atingir uma recuperação parcial. O tenista diz que saiu da operação andando apenas com auxílio de uma muleta. Não precisou de cadeira de rodas. Byrd explicou que a técnica é específica para praticantes de esporte, principalmente para atividades que exijam movimentos giratórios do corpo. Ele diz que já aplicou a técnica em cerca de 400 pacientes nos Estados Unidos. O médico Eduardo Carrera, presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e professor da Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina, lembra que o País não fica a dever aos grandes centros mundiais nesse tipo de tecnologia. Ele disse que tinha compromissos e por isso não pôde ir à palestra de Byrd. ?Os métodos de artroscopia estão cada vez mais modernos e no Brasil também é assim. O método é minimamente invasivo, com cortes de 5 milímetros de diâmetro. Em geral o esportista volta no mesmo nível. Para o Guga, acredito que só falta ritmo.?

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 19h16

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