Medo do terror atinge mundo do tênis

O clima do terror já atinge o tênis e pode causar problemas num esporte tipicamente nômade, em que a cada semana há torneios em todos os cantos do planeta. Em Stuttgart, Alemanha, o norte-americano Pete Sampras confessou que pensou duas vezes antes de decidir tomar um avião para cruzar o Atlântico e disputar este Masters Series. Em Zurique, onde se realiza uma competição feminina, a WTA (Associação Internacional do Tênis Feminino) tomou atitudes drásticas para evitar que suas jogadoras sejam vítimas do antraz. Distribuiu luvas de látex para as tenistas abrirem cartas de fãs e advertiu que irá destruir toda correspondência sob suspeita, ou seja, com aparência estranha ou sem remetente."Não fosse pela necessidade de pontos para garantir uma vaga no Mundial de Sydney, possivelmente não teria viajado dos Estados Unidos até Stuttgart", confessou Pete Sampras, depois de vencer o austríaco Stefan Koubek, por 6/3 e 7/6 (7/5), na sua estréia no Masters Series. "Entendo a preocupação das pessoas, que num momento como este, preferem estar em casa com a família. Mas, depois de pensar bem, acho que não se pode deixar levar pela situação e deve-se voltar a fazer as coisas normalmente?, afirmou o ex-número 1 do mundo.Em Stuttgart, Sampras diz sentir-se bastante seguro. Tanto ele como os outros jogadores norte-americanos, como Andre Agassi e Andy Roddick, contam com segurança especial, numa exigência do governo dos Estados Unidos. Nem por isso, estes tenistas fogem da rotina de todos os outros torneios. Ficam horas no "players lounge", saem para treinar com o mesmo número de segurança de outras estrelas da competição e também estão hospedados no hotel oficial. "Desde o dia 11 de setembro (data dos atentados terroristas a Nova York e Washington), todo cidadão norte-americano passou a ser um soldado", explicou Agassi.Embora tenha admitido que preferiria ficar em casa com a família, Sampras confessou ter sido influenciado pelo apelo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. "Vendo as notícias e ouvindo o presidente, que pede para todos voltarem ao trabalho, voltarem a viajar e a terem uma vida normal, senti que deveria voltar às quadras, embora minha reação inicial tenha sido de não querer sair de casa", revelou. Outro tenista norte-americano, Andy Roddick, que em Stuttgart venceu o francês Julien Boutter por 7/6 (7/3) e 7/6 (7/5), também confessou ter sido influenciado pelo atual sentimento nacionalista. "Diante das atuais circunstâncias sinto-me muito mais motivado em jogar pelos Estados Unidos", disse ele, em referência à recente vitória de seu país sobre a Índia em confronto da Copa Davis.

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