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'Meu objetivo é aqui, no presente', afirma Feijão antes do Rio Open

Com a eliminação na semifinal do Brasil Open, tenista paulista sobe para 88º lugar do ranking da ATP e já se prepara para estreia no Rio

Entrevista com

João Souza

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 10h33

Mesmo sem ficar com o título do Brasil Open, o tenista João Souza fez história em São Paulo. Feijão fechou a sua sexta participação em uma semifinal inédita no torneio e pelo seu caminho ficaram para trás rivais que aparecem no top 30 do ranking da ATP, como o argentino Leonardo Mayer. A boa campanha o fez dar um salto na nova lista e aparecer como 88.º colocado. Até hoje, seu melhor desempenho é o 84.º lugar em setembro de 2011.

A boa atuação na última semana no Ginásio do Ibirapuera também pode ter selado a sua convocação para a próxima disputa da Copa Davis. Brasil e Argentina se enfrentam entre 6 e 8 de março, em Buenos Aires, pela primeira rodada do Grupo Mundial. O tenista de Mogi das Cruzes não representa o País na competição desde 2012, diante da Colômbia. E sua ausência no ano passado foi motivo de bastante polêmica. Feijão foi preterido por Rogério Dutra Silva na lista final do capitão João Zwetsch para a série de confrontos com a Espanha, em setembro.

Em entrevista ao Estado, na capital paulista, o atleta garante que "já são águas passadas" e diz que prefere viver o presente e deixar para pensar na Copa Davis daqui a algumas semanas. Feijão também comenta sobre o foco no trabalho psicológico e, aos 26 anos, destaca o seu amadurecimento no circuito de tênis.

Como avalia sua participação no Brasil Open?

Não saio satisfeito, queria ter ido além, acho que tinha condições de ser campeão, perdi nos detalhes. Mas foi uma grande semana e importante para minha carreira.

Por ser o único brasileiro que foi mais longe na chave de simples, você virou o centro das atenções o Brasil Open. Como vê isso?

O fato de ser o único brasileiro não quer dizer muita coisa. É legal porque é no Brasil e sei que a cada jogo a torcida sempre vai estar do meu lado, mas tento nem pensar nisso, tento ficar focado no meu (desempenho).

Acha que a boa participação no Brasil Open vai te dar mais visibilidade daqui para frente?

Com certeza mais gente te ver jogar, te reconhece mais tanto patrocinadores, mídia e também no circuito onde os jogadores, técnicos vêem você ganhando de caras bons em torneios ATP e passam a te respeitar mais em quadra, no vestiário.

O que acha que mudou no seu jogo?

Não mudou nada no jogo, essa semana me senti bem em quadra. São Paulo é um lugar que eu adoro jogar, é o meu lugar preferido em função de estar no Brasil, perto dos meus amigos, da minha família, tem um pouco de altitude, joguei em uma quadra coberta e tem o fator torcida também.

Acha que precisa corrigir alguma coisa para a disputa do Rio Open?

Não acho que precise fazer correções. Estou confiante e jogando bem, bati três top 60, um do top 30, saí com sensações boas e pronto para jogar bem no Rio Open, que será um torneio também bem duro. Cada jogo é um jogo e vou focar minha preparação e energia na primeira rodada e depois o que vier vamos vendo.

Para você, o fato de o Rio Open ser uma semana depois da competição em São Paulo tira um pouco da atenção do Brasil Open?

Não. Acho que o Brasil Open tem o seu valor há 15 anos. E, por estar sendo em São Paulo, teve um crescimento muito maior, um reconhecimento muito maior. Para mim, é sempre um prazer jogar aqui. Tenho só a agradecer a organização do torneio, que já me deu o convite para jogar em alguns anos seguidos. Para mim, é tudo igual. Eu uso o lado de jogar aqui no Brasil, são poucos torneios que a gente joga aqui.

Até 2011 a competição era na Costa do Sauípe. Poderia fazer uma comparação entre a disputa na Bahia e em São Paulo?

Lá tinha praia, é no nível do mar, aqui é um estádio, tem mais gente. São condições diferentes, os dois torneios têm um tipo de charme. Um por ser em São Paulo e muito mais acessível ao povo, muito mais fácil de chegar e o outro porque a gente ficava tudo ali pertinho, a quadra era dentro do hotel, todo mundo ficava mais perto, os jogos eram à noite, tinham mais quadras. Era outra vibe. Eu particularmente prefiro jogar aqui em São Paulo do que no Sauípe. O Brasil Open só cresceu com a vinda para cá.

Você acredita que o tênis que mostrou no Brasil Open te deixa mais próximo de uma nova convocação para a Davis?

Eu espero que sim. Com certeza, se o João me chamar, estarei preparado. Agora meu foco não é a Davis, tenho dois, três torneios para jogar ainda. Prefiro gastar as minhas energias pensando nos meus jogos. Para a Davis, ainda faltam quatro semanas. Se tiver de pensar em Davis daqui quatro semanas, aí sim a gente conversa sobre isso.

Depois da polêmica que teve na convocação antes do confronto com Espanha, você chegou a conversar com o João Zwetsch?

Tive uma conversa, sim. Foi tudo bem, já está tudo certo, não tem mais erro nenhum, está tudo na boa.

Acha que o fato de ter criticado a convocação publicamente pode te prejudicar de alguma maneira?

Acho que não. Não é que eu critiquei, eu dei a minha opinião sobre o que eu achava. Mas isso já são águas passadas, está tudo certo com o João, não é mais um bicho de sete cabeças.

Você diria que a entrada no Top 100 e a permanência  nesse grupo é um momento de maior dificuldade na carreira de um tenista?

Sempre quando você vai subindo no ranking, o nível vai aumentando e os torneios vão ficando cada vez mais difíceis, o nível vai ficando cada vez mais alto. A gente tem de estar cada vez mais preparado. Uma vez que você vai disputando os maiores torneios, vai se adaptando, sempre treinando com caras melhores ou do seu nível, então, o seu nível vai automaticamente aumentando. Esse ano só tenho jogado torneios grandes, joguei o Australian Open, em Doha, em Sydney. Dia após dia estava treinando com caras melhor posicionados no ranking do que eu. Com certeza esses torneios acabam puxando você para cima.

Muito se comenta sobre o lado psicológico do Thomaz Bellucci. Como é o seu trabalho em relação a isso?

Também tenho perdido uns jogos nos detalhes, que não tem sido nem na parte física, nem na parte tática, tenho escapado na parte mental. Mas a parte mental que eu tenho trabalhado fora da quadra surtiu efeito nesse torneio. O tênis é assim, todo mundo tem a hora que trava um pouco mais, que joga um pouco mais solto. Todo mundo tem a hora que a sua parte mental acaba acusando um pouco mais. Eu tenho um acompanhamento já há alguns anos e eu tento cuidar bastante desse lado. Por exemplo, leio, toco violão, tento meditar, rezo, são coisas que estou puxando para mim, que eu acho que podem me fazer bem e tem me feito bem. Tenho me preocupado muito com a essa parte mental.

Acha que está mais maduro?

Com certeza estou ficando mais velho, mais maduro. Cada ano que passa estou ficando mais centrado, conseguindo não repetir os mesmos erros do passado.

Para essa temporada, quais são os seus objetivos?

Subir no ranking, jogar os maiores torneios. Não tem muito objetivo traçado, a gente tem de pensar dia após dia. Acordar cedo todos os dias, treinar e continuar trabalhando que o resultado acaba vindo. Em termos de objetivo, acho que o tênis deve viver sempre o presente, dia após dia. Meu objetivo é aqui no presente, para depois pensar no Rio, para depois pensar na Davis, para depois pensar nos outros torneios.

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