'Meu ombro é quase como uma bomba-relógio', diz o tenista Tommy Haas

Em entrevista ao 'Estado', o alemão fala sobre a lesão e admite que está próximo da aposentadoria

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2014 | 17h12

SÃO PAULO - O alemão Tommy Haas se despediu do Brasil Open na semifinal com um sentimento de frustração depois de abandonar o jogo contra o italiano Paolo Lorenzi no segundo set, neste sábado, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Mais uma vez, o ombro direito impediu o veterano, de 35 anos, a continuar em uma competição. Em entrevista exclusiva ao Estado, Haas fala sobre a lesão, reconhece que está próximo da aposentadoria e analisa a sua longa carreira no circuito profissional, que teve início em 1996.

 

ESTADO - Por que decidiu vir ao Brasil?

TOMMY HAAS - Eu decidi há algum tempo. Eu gosto de fazer o calendário com antecedência e, assim, sei o que estou fazendo. Jogar aqui estava nos planos. Nesse estágio da minha carreira, treinar não é mais divertido. Gosto de participar de jogos e competir. Jogar para valer tem um sentimento diferente do que treinar e também gosto de participar de torneios que ainda não joguei antes. Quem sabe, talvez esse seja meu último ano, talvez eu continue ano que vem. Não sei, vamos ver o que acontece durante todo esse ano, como eu me sinto. Essa é a minha única vez competindo em São Paulo, eu gosto de ter essa oportunidade e também de jogar para alguns fãs brasileiros. O que me deixa muito feliz.

 

ESTADO - Você ficou preocupado com a última lesão que teve no Aberto da Austrália?

HAAS - Meu ombro é uma coisa instável. É quase como uma bomba-relógio, você nunca sabe. Um dia me sinto bem, no outro não está tão bem. Eu sou muito cuidadoso na maneira como treino, nos tipos de exercícios que continuo fazendo, então, não fico cansado. Às vezes é uma coisa que não sei se vou jogar por uma hora e meia ou por três horas. E o ombro pode responder diferentemente nas situações. Infelizmente, aconteceu em um grande torneio como o Aberto da Austrália. Estava ficando tão inflamado que não pude jogar ou usar meu braço do jeito que precisava para ser bem-sucedido e jogar um bom tênis do jeito que eu gostaria. E você tem de fazer a reabilitação, ver os médicos novamente, o que também não é muito divertido porque demanda muito tempo, e é desse jeito.

 

ESTADO - O que você ainda sonha em alcançar como um atleta profissional?

HAAS - Eu quero me manter saudável, tenho prazer em competir e quero ganhar alguns torneios se eu puder. Eu tive a chance de ganhar alguns torneios no ano passado, o que foi maravilhoso para mim, e terminar em número 12 do mundo. Com essa idade, eu achei que não seria possível. Eu gosto de jogar e participar de torneios que eu realmente me divirto e ver se eu ainda posso ter alguns bons momentos na quadra, jogar em grandes arenas e em grandes torneios. É divertido. Fico na esperança que isso aconteça.

 

ESTADO - Voltar ao Top 10 é um dos seus objetivos?

HAAS - Na verdade, não. Não era um dos meus objetivos nem ano passado. Se você jogar bem nos grandes torneios, isso se encarrega sozinho. Eu estava perto ano passado de fazer acontecer, mas não aconteceu. Mas eu não fiquei triste. Eu estive fora do Top 10 muitas vezes e dava preferência para torneios em que eu pudesse chegar lá.

 

ESTADO - Quando você olha para o passado, como vê a sua carreira?

HAAS - É uma longa carreira, fui capaz de voltar de algumas lesões, estou contente de ainda jogar no nível que estou jogando. Estou orgulhoso. É uma ótima carreira. Ser tenista profissional era o que eu queria fazer desde quando era um garotinho. Viver meu sonho tem sido muito especial, eu me sinto abençoado.

 

ESTADO - O que você pretende fazer quando se aposentar?

HAAS - Não sei ainda. Provavelmente fazer nada por um tempo, passar algum tempo com a minha família, com a minha filha, talvez eu tenho mais um filho nesse período, quem sabe. No Esporte, tenho algumas ideias que eu quero fazer, que me interessam, mas preciso esperar e ver como aquelas coisas vão acontecer ou não. Por hora, ainda sou um tenista profissional e serei até encerrá-la. Depois disso, quero descansar um pouco.

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