Tyrone Siu/Reuters
Tyrone Siu/Reuters

Após 5 vices, Murray desafia jejum, calor e hegemonia de Djokovic na Austrália

Número um do mundo busca primeiro título em Melbourne e o sérvio, dono de seis títulos, deve ser o seu grande rival

Rafael Franco, O Estado de S. Paulo

15 de janeiro de 2017 | 06h00

Andy Murray vem colecionando feitos nos últimos anos e orgulhando a torcida britânica como novo líder do ranking mundial. Após sofrer para se impor em meio ao domínio que foi imposto por Roger Federer, Novak Djokovic e Rafael Nadal em outros tempos, o escocês agora se tornou o homem a ser batido no tênis masculino.

Entretanto, ele já começou a temporada deste ano sendo superado pelo sérvio Djokovic na decisão do Torneio de Doha e, inevitavelmente, voltou a ser colocado em xeque antes da disputa do Aberto da Austrália, Grand Slam que começa no final da noite deste domingo (no horário de Brasília).

O próprio retrospecto de Murray em Melbourne faz com que a pressão sobre o britânico se torne ainda maior. Cinco vezes finalista do primeiro grande torneio do ano, ele nunca conseguiu ficar com o título em solo australiano, sendo que em quatro das cinco ocasiões em que disputou a partida que valia a taça acabou sendo batido justamente por Djokovic, em 2011, 2013, 2015 e 2016.

Antes disso, em 2010, o primeiro algoz de Murray na decisão do Aberto da Austrália foi Federer, quando o suíço conquistou o seu quarto e último título do Grand Slam local, após também ficar com o troféu em 2004, 2006 e 2007.

Além do jejum, o calor escaldante em Melbourne durante a disputa do Aberto da Austrália é outro fator complicador para Murray encerrar o jejum no Grand Slam. Embora viva grande fase e tenha caído em Doha diante de Djokovic após 28 jogos de invencibilidade, o britânico sabe que é importante poupar o máximo de energia na campanha de sete jogos rumo ao título - o primeiro será diante do ucraniano Illya Marchenko, atual 93.º colocado da ATP, em um jogo considerado tranquilo para o escocês.

Murray, porém, terá uma chave complicada em sua campanha, cuja trajetória até a sonha e inédita taça prevê Federer, o japonês Kei Nishikori e Stan Wawrinka, este último campeão em 2014 na Austrália, como possíveis rivais.

No ano passado, após enfrentar uma batalha extenuante de cinco sets com o canadense Milos Raonic nas semifinais, Murray acabou caindo por 3 a 0 diante de Djokovic na decisão. O fator físico, por sinal, costuma pesar em Melbourne, pois as temperaturas  ultrapassam facilmente os 40ºC na capital australiana nesta época do ano.

Em 2014, quando uma onda de calor extremo provocou no Grand Slam australiano um número recorde de desistências em uma mesma rodada de um torneio de tênis na história, Murray chegou a dizer que o fato trouxe uma "imagem terrível" para o esporte, com até mesmo o público, pegadores de bola e árbitros sofrendo com as temperaturas elevadíssimas.

BOA FASE MOVE O Nº1

Se o próprio histórico no Aberto da Austrália coloca pressão sobre Murray, ele sabe que vem exibindo um nível de tênis mais do que suficiente para chegar ao inédito título em Melbourne. Campeão do último ATP Finals, o tenista acumulou outros oito títulos ao longo de 2016 e, com o troféu obtido diante de Djokovic na decisão do torneio que fechou o ano em Londres, assegurou a ponta do ranking mundial pela primeira vez ao fim de uma temporada.

No ano passado, Murray também se tornou o primeiro tenista a se tornar bicampeão olímpico de um torneio de simples com o ouro conquistado nos Jogos do Rio, quatro anos após também subir ao topo do pódio na Olimpíada de Londres, em 2012, quando também conquistou o título do US Open. Na ocasião, se tornou o primeiro britânico a ganhar um título de simples do Grand Slam norte-americano desde 1936, quando Fred Perry levou a taça.

Em seguida, em 2013, Murray ganhou o Grand Slam de Wimbledon e voltou a repetir o feito de Perry, que em 1936 também havia sido o último a triunfar na mais tradicional competição do tênis, em Londres, onde o escocês voltaria a se sagrar campeão no ano passado.

DJOKOVIC HEGEMÔNICO

Notabilizado também pela resistência física privilegiada, Djokovic é hexacampeão do Aberto da Austrália, tendo vencido seis das últimas nove edições do Grand Slam, em 2008, 2011, 2012, 2013, 2015 e 2016. Ele não perde em Melbourne desde quando caiu nas quartas de final de 2014 diante do suíço Stan Wawrinka, que depois ficaria com o título ao bater Rafael Nadal na decisão.

Como foi campeão nos três anos anteriores, o sérvio ganhou nada menos do que 32 dos últimos 33 confrontos que disputou no Grand Slam australiano. Com uma chave considerada mais tranquila do que a de Murray, Djokovic irá estrear contra o espanhol Fernando Verdasco, 40.º colocado da ATP, que na semana passada encarou o sérvio na semifinal em Doha e acabou derrotado depois de ter desperdiçado cinco match points.

Federer seria um candidato natural para também quebrar a hegemonia de Djokovic, mas acaba de voltar às quadras após ficar seis meses afastado por causa de uma cirurgia no joelho. Raonic e Wawrinka, respectivos terceiro e quarto colocados do ranking mundial, são outros dois candidatos a tirar o sérvio do "trono" em Melbourne.

BRASIL

Mais uma vez coadjuvante entre os favoritos, o Brasil conta com Thomaz Bellucci, Thiago Monteiro e Rogério Dutra Silva como representantes do Top 100 que entraram direto na chave de simples. Entre eles, quem deu mais azar no sorteio das chaves foi Monteiro, que pegará o francês Jo-Wilfried Tsonga, 12.º cabeça de chave, mas que foi derrotado pelo brasileiro no único duelo entre os dois até hoje, no Rio Open do ano passado. Já Bellucci abrirá campanha diante do australiano Bernard Tomic, 27.º colocado da ATP, enquanto que Rogerinho irá encarar o norte-americano Jared Donaldson, 101.º da ATP.

No feminino, o Brasil não contará com um nenhuma representante, depois de Teliana Pereira e Paula Gonçalves terem sido eliminadas no qualifying. Já no qualificatório para a chave de simples masculina, André Ghem esteve próximo de ingressar na fase principal da competição, mas caiu na rodada final do quali. Antes dele, João Souza, este batido pelo próprio Ghem na estreia, e Guilherme Clezar também ficaram pelo caminho.

DUPLAS

A grande esperança do Brasil na Austrália está na chave de duplas masculina, na qual o País conta com Bruno Soares defendendo ao lado de Jamie Murray a condição de atuais campeões. O brasileiro Marcelo Melo, por sua vez, vem como segundo principal nome do País nas parcerias e jogará ao lado do polonês Lukasz Kubot. Bellucci, Marcelo Demoliner e André Sá serão outros nomes em ação nas duplas em Melbourne.

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