Filippo Monteforte/AFP
Filippo Monteforte/AFP

Nadal bate Djokovic, encerra jejum no ano em Roma e fatura 34º troféu de Masters

Espanhol se isola como maior campeão de Masters e deixa para trás o sérvio, dono de 33 taças desta importante série do circuito

Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2019 | 14h15

Atuando diante de um desgastado Novak Djokovic, Rafael Nadal venceu o sérvio por 2 sets a 1, com parciais de 6/0, 4/6 e 6/1, neste domingo, conquistou neste domingo o seu primeiro título no ano e o nono do Masters 1000 de Roma. De quebra, o espanhol voltou a se isolar como recordista de troféus de Masters, com 34 obtidos nesta série de importantes torneios do circuito profissional.

Com uma campanha bem mais tranquila do que a do rival para chegar à decisão na importante competição realizada em quadras de saibro na capital italiana, onde o tenista de Belgrado passou no sufoco pelos argentinos Juan Martín del Potro e Diego Schwartzman nas duas fases anteriores, o vice-líder do ranking mundial pela primeira vez aplicou um “pneu” (6/0) sobre o atual número 1 do mundo em 54 confrontos entre os dois, que se encararam em uma ocasião inicial na edição de 2006 de Roland Garros.  E esse foi o quarto 6/0 aplicado por Nadal em um oponente nesta edição do evento romano.

Essa foi a 26ª vitória de Nadal  sobre Djokovic, que superou por 28 vezes o espanhol e não perdia para o velho rival desde quando foi batido justamente na edição de 2018 do Masters de Roma, nas semifinais. Depois disso, ele levou a melhor sobre o Rei do Saibro em Wimbledon, também no ano passado, e na decisão do último Aberto da Austrália, em janeiro.

Com o feito deste domingo, o espanhol deixou para trás o próprio Djokovic na lista de maiores ganhadores de Masters 1000. O tenista de Belgrado ostenta 33 taças desta importante série de torneios deste quilate no circuito profissional, enquanto o suíço Roger Federer é o terceiro nesta listagem, com 28. Com o eneacampeonato em Roma, Nadal também encerrou o seu jejum de títulos em 2019. Pela primeira vez em 15 anos chegando ao mês de maio sem ter erguido nenhuma taça em uma temporada, o espanhol havia sido eliminado em sequência nas semifinais de Montecarlo, Barcelona e Madri nesta gira de saibro do calendário. E, ao garantir a sua primeira taça no ano, ele passou a contabilizar 81 títulos de simples em sua carreira.

COMEÇO ARRASADOR

Para encerrar este incômodo jejum, Nadal teve um desempenho arrasador no primeiro set do duelo deste domingo. Com 82% de aproveitamento dos pontos que disputou com o seu primeiro saque no set inicial, o número 2 do mundo confirmou todos os seus serviços sem oferecer nenhuma chance de quebra a Djokovic e ainda converteu três de nove break points para aplicar o humilhante e até então inédito 6/0 sobre o sérvio em um embate entre os dois.

Na segunda parcial, os dois tenistas confirmaram os seus saques com relativa tranquilidade nos seis primeiros games. No sétimo, o espanhol teve três oportunidades para quebrar o serviço do sérvio, que se viu nesta situação ao errar um smash fácil e acertar a rede. 

O número 1 do mundo, porém, não deixou se abalar, salvou as três chances de quebra e depois fez 4/3. No nono game do set, Djokovic voltou a ficar em apuros quando subiu até a rede para matar um ponto em 40/40 e não conseguiu devolver uma bola cruzada do sérvio. Porém, o sérvio voltou a salvar o break point e depois confirmou o seu serviço para abrir 5/4. A um game de vencer esta parcial, o sérvio pressionou o espanhol ao ganhar os dois primeiros pontos, abrir 30/0 no saque do espanhol e depois ainda teve um set point ao conseguir uma vantagem após o 40/40. E, graças a um erro do Nadal do fundo de quadra, ele fechou o segundo set em 6/4.

Na volta para o terceiro set, porém, o espanhol é que colocou pressão no sérvio ao abrir 0/30 no saque do rival e depois acabou conseguindo uma quebra que deixou o sérvio furioso. Ele bateu por mais de uma vez com a raquete no chão ao ter o serviço quebrado. Em seguida, o espanhol abriu 2/0 após Djokovic errar uma deixadinha quando o rival tinha vantagem no game após um 40/40.

E o desgaste físico começou a pesar para o tenista de Belgrado, que passou a tentar definir rapidamente os pontos e a cometer mais erros. Assim, Nadal teve um novo break point no terceiro game, mas o sérvio conseguiu se salvar e depois reduziu a vantagem do espanhol para 2/1. Mas o Rei do Saibro seguia mais sólido com o saque na mão e abriu 3/1 com tranquilidade. E no quinto game, com uma linda paralela do fundo de quadra, o espanhol teve nova chance de quebra e depois abriu 4/1 com um erro do sérvio do fundo de quadra no ponto seguinte.

A partir daí, Nadal ficou com o jogo na mão, abriu 5/1 depois de novo erro do sérvio e, com uma bola na linha, teve o match point para fechar o jogo. E com um erro do sérvio em uma subida na rede, o espanhol garantiu o 6/1 que liquidou o confronto após 2h25min de partida.

Nadal não conquistava um título desde agosto do ano passado, quando faturou o Masters 1000 de Toronto, no Canadá. E em Roma ele defendia a condição de atual campeão do evento, no qual também triunfou anteriormente em 2005, 2006, 2007, 2009, 2010, 2012, 2013 e 2018. “Eu me senti competitivo, me senti bem em quadra. Estou muito feliz por esta vitória. É sempre especial jogar contra Djokovic e por voltar a conquistar o título em Roma”, comemorou o espanhol logo após o fim do jogo.

GUGA

O jogo deste domingo foi acompanhado de perto por Gustavo Kuerten. O brasileiro, ex-número 1 do mundo do tênis, estava nas tribunas da quadra central do Foro Itálico, onde anteriormente faturou o título do Masters de Roma em 1999 e foi vice-campeão em 2000 e 2001.  E foi justamente Guga que entregou o troféu de campeão a Nadal, que depois exaltou a importância deste título para a sua carreira.

“Queria dar os parabéns ao Djokovic, pela semana e pela sua carreira. Foi um jogo muito difícil e foi uma semana incrível para mim. E é uma honra ganhar em uma das cidades mais lindas do mundo, onde ganhei pela primeira vez o título aqui em 2005”, festejou o espanhol, falando em italiano no microfone aberto para o público. 

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