Matthew Stockman/AFP
Matthew Stockman/AFP

Nadal faz críticas à técnica da Espanha na Copa Davis, Gala León

'É como me colocar como diretor de um hospital', disse o espanhol

O Estado de S.Paulo

20 Março 2015 | 09h05

Dois dias depois de Albert Costa, ex-tenista espanhol e que também já foi capitão da Espanha na Copa Davis, opinar sobre o fato de atualmente o time do país ser treinado pela técnica Gala Léon (leia mais aqui) – para ele, o ideal seria que o treinador conhecesse o circuito masculino, agora foi a vez de Rafael Nadal, um dos maiores ídolos do tênis mundial, abertamente ser contra a manutenção da treinadora no cargo. “É como me colocar como diretor de um hospital”, sentenciou o atual número 3 do ranking da ATP. 

Na quarta-feira, a Real Federação Espanhola de Tênis (RFET) recebeu uma carta do Conselho Superior de Esportes da Espanha para que sejam apresentadas as atas da eleição que definiu Gala León como capitão da Davis sem que jogadores ou técnicos fossem consultados. 

Nadal está disputando o Masters 1.000 de Indian Wells, nos Estados Unidos – ele venceu o francês Gilles Simon por 2 sets a 0 (parciais de 6/2 e 6/4) e vai enfrentar o canadense Milos Raonic nas quartas de final. Em meio a disputa, o espanhol deu sua opinião sobre o time espanhol na Copa Davis.

“A verdade é que o esporte precisa de pessoas que conhecem e entendem”, disse Nadal. “É como se me colocassem como diretor de um hospital. Não sei de Medicina, não sei como as coisas funcionam”, afirmou o tenista.


Nadal disse ainda que não sabe como anda a verdadeira situação da capitã e que fica sabendo das notícias sobre ela pela imprensa. “Não estou em uma fase de minha carreira que eu queira opinar sobre coisas que não tem nenhuma influência em meu dia a dia”, disse. 

Contudo, o ex-número 1 do mundo afirmou que “no esporte, as pessoas que decidem e devem tomar decisões precisam conhecer de esporte”. “Não devem ser pessoas que não conhecem nosso mundo. Sempre é melhor que quem tome as decisões tenha vivido todas as etapas anteriores: jogador, treinador... Todas essas etapas são importantes para tomar as decisões, não apenas na Copa Davis, mas sim em tudo relacionado à federação”, apontou. 

Para Nadal, “é complicado a maneira de escolher, na minha humilde opinião, as pessoas que decidem o nosso esporte. É complicado encontrar pessoas que realmente entendam e que saibam o que precisam fazer”, finalizou.

Também espanhol, Tommy Robredo evitou dar opiniões mais fortes sobre o assunto, classificando-o como “bastante complicado”, mas de forma indireta também atacou a capitã. “Acredito que Gala esteve aqui (em Indian Wells). Dos 13 tenistas que estavam jogando, apenas três falaram com ela”, ressaltou o atleta de 32 anos. “Gasta-se dinheiro para que uma senhora, que é capitã, viaje até aqui com um assessor e ela não fala com os jogadores. Eu prefiro não comentar e deixar de lado.”


Outro lado. O primeiro vice-presidente da RFET, Fernando Fernández-Ladreda, acredita que as críticas e a carta do Conselho Superior de Esportes do país são apenas “uma manobra para demitir a primeira capitã mulher de uma seleção masculina de primeira ordem, cuja nomeação foi repercutida até mesmo pelo diário de grande prestígio New York Times.”

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