Pete Kiehart/The New York Times
Pete Kiehart/The New York Times

Nadal tem chance de ganhar todos os quatro Grand Slams, se o seu pé esquerdo cooperar

Tenista espanhol de 36 anos disse que planeja tratar sua lesão crônica antes de Wimbledon começar e então decidir se quer disputar o torneio em Londres na sequência de sua vitória no Roland Garros, em Paris

Christopher Clarey, The New York Times, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 10h00

Rafael Nadal, Novak Djokovic e Roger Federer ganharam e fizeram muito em quase 20 anos dominando o tênis masculino. Mas há uma lacuna na história de cada membro do trio. Nenhum conseguiu vencer todos os quatro Grand Slams na mesma temporada. Djokovic chegou perto, dolorosamente perto, ficando apenas a uma partida do feito no ano passado ao perder a final do Aberto dos EUA para Daniil Medvedev. (Ele também foi derrotado nas semifinais da Olimpíada de Tóquio).

Agora, aos 36 anos, uma idade avançada no tênis, Nadal criou sua melhor oportunidade ao vencer os dois primeiros Grand Slams: ele venceu o Aberto da Austrália em janeiro e conquistou seu 14º título de Roland Garros no domingo, uma vitória que só deveria ter sido considerada uma surpresa porque ele estava jogando com o pé esquerdo dormente.

Nadal ainda está apenas no meio do caminho para vencer os quatro Grand Slams, mas nunca esteve tão perto de um feito que foi alcançado pela última vez entre os homens em 1969 pelo australiano Rod Laver. Em 2009, a única outra vez que Nadal venceu o Aberto da Austrália, ele foi derrotado pela primeira vez em Roland Garros, perdendo na quarta rodada para Robin Soderling, da Suécia.

Mas, este ano, Nadal pode ir para Wimbledon, que começa no dia 27 de junho, com a chance de conseguir o feito ainda em jogo. A questão é: ele irá disputar o torneio? Nadal revelou no domingo, após sua fácil vitória por 6-3, 6-3 e 6-0 sobre o norueguês Casper Ruud, de 23 anos, na final de Roland Garros, que recebeu injeções de analgésicos para anestesiar o pé esquerdo antes de cada uma de suas partidas.

Ele disse que não faria o mesmo em nenhum outro torneio, nem mesmo em Wimbledon, por causa dos riscos. Em vez disso, ele planeja se submeter a um procedimento esta semana chamado ablação por radiofrequência para tentar fornecer alívio da dor a longo prazo, amortecendo os nervos problemáticos em seu pé. "Estarei em Wimbledon se meu corpo estiver pronto para estar", disse Nadal. "Wimbledon não é um torneio que eu queira perder. Acho que ninguém quer perder. Eu amo Wimbledon."

Apesar desse sentimento, muitos jogadores estarão ausentes em Wimbledon este ano. O All England Club proibiu jogadores da Rússia e de Belarus de participar da edição deste ano por causa da invasão da Rússia na Ucrânia. Os afetados incluem Medvedev, um russo que vai retomar o primeiro lugar no ranking de simples masculino de Djokovic na próxima semana; e Aryna Sabalenka, semifinalista no simples feminino da edição do ano passado do torneio em Londres.

A ATP e a WTA responderam à proibição avisando que os pontos conquistados pelos tenistas no Grand Slam britânico não vão entrar no ranking, o que deixou a ex-número 1 Naomi Osaka questionando abertamente se ela ainda estava motivada o suficiente para participar de Wimbledon. 

Nadal, como parte do conselho de jogadores da ATP, esteve profundamente envolvido nos debates internos sobre a proposta, mas ele tem uma conexão elementar com Wimbledon além de qualquer aumento no ranking que possa dar. "Eu tive muito sucesso lá", disse ele. "Vivi emoções incríveis."

Ele venceu uma das partidas mais aclamadas da história do tênis em 2008, quando derrotou Federer em uma final de Wimbledon que se estendeu para 9-7 no quinto set. Nadal venceu Wimbledon novamente em 2010, derrotando Tomas Berdych. Mas desde que perdeu a final de 2011 para Djokovic, Nadal não passou das semifinais e perdeu duas vezes o torneio por causa de uma lesão: em 2016, por causa de seu pulso esquerdo e, no ano passado, por causa da condição crônica do pé esquerdo, conhecida como síndrome de Müller-Weiss, que é ligado a uma deformidade no osso navicular e ameaçou sua carreira pela primeira vez no final da adolescência.

Nadal administrou o problema por anos com inserções ortopédicas, sapatos personalizados e medicamentos anti-inflamatórios, mas a condição está claramente ameaçando sua carreira novamente, mesmo que a preocupação de curto prazo seja Wimbledon. O médico Larry Chou, especializado em medicina física e reabilitação, disse que a ablação por radiofrequência era de “risco relativamente baixo”, mas tem taxas de sucesso muito variadas. Ele disse que é raro usá-la no .

"Se funcionar, é para alívio sintomático, mas não está corrigindo o problema subjacente", disse Chou. "O estresse mecânico ainda estará lá." Chou disse que foi sem dúvida notável que Nadal pudesse vencer o Aberto da França sem sentir um dos pés. "Mas, novamente, ele joga tênis nesse nível há tanto tempo. E esses caras como Nadal, sua mecânica e como eles se movem, eles têm uma ótima memória muscular. Eles simplesmente conseguem fazer isso."

Nadal certamente fez isso bem: derrotou quatro cabeças de chave do top 10 em Roland Garros este ano e melhorou seu ótimo desempenho nas finais do Aberto da França para 14 vitórias e nenhuma derrota. Seu recorde geral em Paris aumentou para um espantoso 112-3. Mas os títulos em Wimbledon pertenceram mais a seus rivais. Federer venceu oito vezes, um recorde entre os homens. Já Djokovic ganhou seis, incluindo as últimas três em que disputou, em 2018, 2019 e 2021.

Mesmo que Nadal, de alguma forma, se recupere a tempo de competir, o Grand Slam continuará sendo difícil com Djokovic de volta à grama da quadra central. Mas duvidar da resiliência, tenacidade e talento de Nadal tem sido uma jogada equivocada há algum tempo, como ele provou novamente em Paris. “Vamos ver o que acontece”, disse ele na noite de domingo. "Sou um cara positivo."

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