Nadal vira vilão e Federer, o poeta

A elegante quadra central de Roland Garros, a Philippe Chatrier, de repente ganhou uma atmosfera de um estádio de futebol. Uma bola duvidosa marcada pelo árbitro contra o último francês da chave masculina, Sebastien Grosjean, em jogo diante do espanhol Rafael Nadal, provocou uma vaia histórica com cinco minutos de duração. Não havia quem conseguisse calar o protesto dos quase 15 mil torcedores e até o presidente da Federação Francesa, Christian Bimes, entrou em ação pedindo compreensão e silêncio para o público. O pior é que o jovem Nadal, de apenas 18 anos - favorecido no episódio, mas sem culpa nenhuma - transformou-se em vilão. A cada jogada errada era aplaudido e a cada ponto ganho era vaiado. O tempo tratou de terminar com este triste episódio. Começou a chover em Paris e a escurecer muito rápido. Com vantagem de Nadal sobre Grosjean por 6/4, 3/6 e 3 a 0 o jogo foi suspenso e só recomeça nesta segunda-feira, talvez, com os ânimos mais tranqüilos. A discussão aconteceu logo no começo do segundo set. Nadal - que já tinha provocado a ira dos franceses ao eliminar o queridinho da torcida, Richard Gasquet, na rodada anterior - havia marcado 6 a 4 e, numa longa troca de bola, o árbitro de cadeira, o argentino Damian Steiner, deu um ?over rule?, ou seja, o fiscal de linha não gritou e deu bola boa, mas lá da cadeira, o todo poderoso da quadra determinou que a bola tinha saído e deu ponto para Nadal. Toda essa situação transformou-se num tremendo teste para Nadal. Afinal, teve de continuar jogando num clima desastroso, barulhento, entre vaias, provocações e até com uma atitude estranha de Grosjean, que com suas contundentes reclamações ao árbitro de cadeira, acabou contagiando o público. O jogo Nadal x Grosjean vale uma vaga nas quartas-de-final, classificação que o suíço Roger Federer já alcançou com uma arrasadora vitória sobre o ex-campeão de Roland Garros, Carlos Moyá, por 6/1, 6/4 e 6/3. O número 1 do mundo esteve, certamente, favorecido por uma lesão no ombro direito de Moyá, mas com um jogo de refinada técnica, definido em Paris como um ?poeta? nas quadras, jogando com harmonia e beleza, não deixou dúvidas de que, enfim, pode conquistar o único Grand Slam que falta em sua carreira, o de Roland Garros. ?Tentei, é claro, tirar proveito de sua contusão no ombro. Carlos não sacava com a habitual potência?, admitiu Federer. ?Mas, certamente, me sinto fantástico este ano. Sinto que não cometi os erros de outros anos, estou mais bem preparado e, enfim, estou na segunda semana de Roland Garros.? O caminho de Federer até o título está bastante complicado desde as primeiras rodadas. Mas, no próximo encontro, poderá ter um alívio. A princípio, iria enfrentar o argentino David Nalbandian, que, no entanto, foi surpreendido pelo romeno Victor Hanescu - pela primeira vez na carreira nas quartas-de-final de um Grand Slam, após ter vencido por 6/3, 4/6, 5/7, 6/1 e 6/2.

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