Nalbandian x Hewitt: final em Londres

Uma final histórica para a Argentina ou a reafirmação do poderio do número 1 do mundo, o australiano Lleyton Hewitt? A decisão masculina de Wimbledon, neste domingo, será entre David Nalbandián, 32º do ranking, e Hewitt. Neste sábado, Nalbandián terminou o jogo adiado na véspera contra o belga Xavier Malisse, 35º do mundo, marcando 7/6 (7-2), 6/4, 1/6, 2/6 e 6/2. A partida estava empatada em dois sets. O argentino é o primeiro de seu país a chegar a uma final na grama de Wimbledon. E o segundo sul-americano a jogar a decisão em 116 anos de disputa da competição ? o anterior foi o peruano Alex Olmedo, que ficou com o título em 1959. Guillermo Vilas, número 2 do mundo em 1975, chegou às quartas-de-final neste mesmo ano, seu melhor desempenho no torneio. A rainha Elizabeth II tinha outros planos para este domingo. Na última vez que ela esteve em Wimbledon, no ano em que comemorou o jubileu de prata, em 1977, ela entregou o troféu para a britânica Virginia Wade. A rainha esperava entregar outro agora, quando completa o jubileu de ouro de seu reinado, para o inglês Tim Henman. Mas o inglês, conforme já havia apostado o australiano Pat Cash, campeão do torneio em 1987, não tinha jogo para chegar ao título. Na sexta-feira, Henman perdeu para Lleyton Hewitt, conterrâneo de Cash, um fenômeno de 21 anos, número 1 disparado no ranking mundial ? tem 4.260 pontos contra 3.310 do segundo colocado, o russo Marat Safin. Foi a sexta derrota de Henman para Hewitt. O inglês não consegue passar das semifinais de Wimbledon. ?Não adianta, Hewitt consegue se adaptar rapidamente a qualquer tipo de piso, é o melhor do mundo. E provou isso de novo aqui em Wimbledon?, disse Henman. As estatísticas dão uma noção de como o australiano jogou: ele marcou 41 winners (jogadas vencedoras) e cometeu apenas nove erros não forçados. Ao contrário de Henman, que fez apenas 13 winners e cometeu 33 erros. ?Fui me sentindo batendo cada vez melhor na bola nas últimas quatro semanas, justamente quando estava me aproximando dos torneios em piso de grama?, afirmou o australiano. Hewitt ficou confortavelmente esperando seu adversário para a decisão. O australiano de 1,60 m e 68 kg, profissional desde 1998 ganhou de Nalbandián na única vez que se enfrentaram, este ano, em Barcelona. Três títulos na temporada - Hewitt este ano venceu três competições ? San Jose, Indian Wells e Queen?s. Tem um saldo de 32 vitórias e sete derrotas. Ao todo, soma 15 títulos de simples e dois de duplas na carreira. Acumula mais de US$ 7 milhões em premiação. Gustavo Kuerten sabe bem o que é enfrentar o garoto australiano. Em 2001 Hewitt mexeu com a confiança dos brasileiros, ao derrotar Guga no saibro, pelas quartas-de-final da Copa Davis, em Florianópolis. Na época, Hewitt já dizia que a experiência da partida contra os espanhóis, na final da Copa Davis em 2000, em Barcelona, em um ginásio fechado, o preparou para enfrentar qualquer adversidade. Encarar o batuque a céu aberto na ?casa? de Guga não foi problema. Muito menos enfrentar os ingleses que torciam por Henman sexta-feira no All England Club de Londres. Nas arquibancadas, sua namorada, Kim Clijsters, roía as unhas na torcida. ?Jogar em Wimbledon significa muito para os australianos?, afirma Hewitt. Os ingleses esperam desde 1936 que um tenista do país levante a taça na Quadra Central de Wimbledon. Ao eliminar Henman, até Hewitt pareceu um pouco triste por Henman. ?Ele vem fazendo um esforço incrível nos últimos seis anos para vencer o torneio. Sinceramente, fiquei com pena dele. Somos companheiros de circuito e jogamos duplas muitas vezes.?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.