Patrick Hamilton/AFP
Patrick Hamilton/AFP

Ativista e dona de time de futebol, Osaka tem tudo para reinar no tênis feminino na próxima década

Japonesa de 23 anos soma quatro títulos de Grand Slam e desponta como favorita para ocupar o espaço de Serena Williams

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2021 | 12h00

Ela coleciona títulos de Grand Slam, participa de causas sociais e é comparada a um personagem de mangá: Naomi Osaka reúne todas as condições para reinar no tênis feminino pelos próximos dez anos, ocupando o espaço de Serena Williams. Aos 23 anos, a japonesa já tem quatro títulos de Grand Slam (US Open 2018 e 2020 e Aberto da Austrália 2019 e 2021) em outras tantas finais e parece ser a mais capaz de dominar o circuito.

A atual número 1, Ashleigh Barty, tem apenas um Grand Slam (Roland Garros 2019). Já Angelique Kerber tem três, enquanto Simona Halep, Garbiñe Muguruza e Victoria Azarenka, dois. 

Osaka alcançou o primeiro lugar do mundo pela primeira vez aos 21 anos, mas não conseguiu se manter no topo. A japonesa confessou que não sabia lidar com as pressões inerentes a esse status. “Tive a impressão de que precisava fazer mais, que tinha uma responsabilidade, que precisava continuar a fazer como Federer, mas também como Serena fez por tanto tempo”, disse. 

Os elogios à japonesa só crescem a cada temporada. “Serena joga melhor, se movimenta melhor e, apesar de tudo, está longe do nível de Osaka”, disse a belga ex-número do ranking da WTA Justine Hénin após a semifinal de Melbourne.

“As pessoas não se lembram dos finalistas. O nome que fica é o do vencedor. É nas finais que eu luto mais”, admitiu Osaka. “Naomi, quando quer algo, ela consegue”, confirmou seu treinador, o belga Wim Fissette.

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As pessoas não se lembram dos finalistas. O nome que fica é o do vencedor. É nas finais que eu luto mais
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Naomi Osaka, tenista japonesa

Osaka encontrou com seu treinador nos últimos meses uma maneira de recuperar a confiança nos momentos mais complicados. “Tive longas conversas com Wim. Fiz que ele visse meu nervosismo, em vez de me fechar e tentar controlá-lo sozinha. Agora, me sinto segura comigo mesma como pessoa e sei que as pessoas que me amam vão continuar me amando, mesmo se eu perder uma partida”, confessou.

Osaka mostra essa confiança em si mesma também além do tênis. Ela se posicionou a favor do movimento Black Lives Matter no ano passado, em Nova York. Até anunciou que boicotaria a semifinal do torneio de Cincinnati para protestar contra o tiro de um policial nas costas do afro-americano Jacob Blake, em Kenosha, Wisconsin. Após aquele protesto, os organizadores decretaram um dia de folga do torneio e Osaka reconsiderou sua decisão.

Pouco antes do Aberto da Austrália, ela criticou as palavras sexistas do ex-presidente do Comitê Organizador da Olimpíada de Tóquio, Yoshiro Mori, a quem chamou de “ignorante”. Osaka, inclusive, será uma das estrelas dos Jogos de Tóquio. “Todo mundo meio que sabe que a Olimpíada é muito importante para mim. Seria minha primeira Olimpíada. Tóquio, é claro, seria um sonho. Mas não quero pensar muito nisso porque sinto que analisaria demais e me estressaria porque ainda há um longo caminho a percorrer. Eu apenas me concentro em mim mesma e no que posso fazer.”

Atleta mais bem paga do mundo em 2020, de acordo com a Forbes, Osaka é também coproprietária de um time de futebol feminino da Liga dos Estados Unidos (NWSL), o North Carolina Courage. “É um investimento em mulheres extraordinárias que são modelos e líderes em seu campo, e que são uma fonte de inspiração para todos os jovens atletas”, explicou. / COM AFP

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