Carl de Souza/AFP
Carl de Souza/AFP

No Rio Open, sérvio Laslo Djere dedica 1º título da carreira aos pais

Tenista conquista o ATP 500 após vitória sobre o canadense Felix Auger-Aliassime, por 2 sets a 0

Redação, Estadão Conteúdo

24 de fevereiro de 2019 | 23h34

Laslo Djere, o surpreendente campeão do Rio Open, dedicou o seu primeiro título da carreira aos pais, que já faleceram. O tenista da Sérvia conquistou o troféu no saibro do Jockey Club Brasileiro ao derrotar na final o canadense Felix Auger-Aliassime por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 7/5.

"Sonhei com esse momento toda minha vida", celebrou o tenista de 23 anos, que já perdeu seus pais, ambos vítimas de câncer. "Dedico essa conquista aos meus pais. Perdi minha mãe há sete anos, e meu pai há dois meses. Eles sempre me apoiaram, sou o que sou graças a eles. São a razão de eu estar aqui hoje, e espero que de alguma maneira estejam assistindo essa conquista", disse o jogador, quase em lágrimas diante do seu troféu.

Em sua trajetória até o título, Djere surpreendeu ao eliminar logo na estreia o austríaco Dominic Thiem, atual número 8 do mundo e então maior candidato ao troféu do Rio Open. "Quando cheguei aqui não imaginava vencer o torneio, principalmente depois de sair a chave e saber que enfrentaria o Thiem na estreia. Mas fiz bons treinos e comecei a acreditar mais. Espero que esse título seja o começo de uma história no tênis", afirmou o sérvio.

Ele admitiu se inspirar no compatriota mais famoso, Novak Djokovic, dono de 15 títulos de Grand Slam. "É uma grande inspiração para mim. Cresci vendo ele jogar e imaginando se um dia poderia estar disputando grandes torneios também", declarou Djere, antes de elogiar também o seu oponente na final. "Foi um jogo difícil emocionalmente e fisicamente. Felix é talentoso e tenho certeza de que ganhará muitos troféus no futuro."

O canadense de apenas 18 anos é considerado um dos talentos mais precoces do circuito. Tanto que, ao disputar sua primeira final de nível ATP neste domingo, ele se tornou o mais jovem tenista desde 2009 a jogar uma partida deste nível. Além disso, será o mais novo e único tenista nascido neste século a figurar no Top 50 do ranking. Aliassime trocará o 104º pelo 59º posto da ATP, em sua melhor performance no ranking.

"Estou decepcionado por perder a final, mas vou ter outras chances e tenho que pensar nas coisas positivas. Foi um dos torneios mais especiais que joguei, ter o Guga na plateia na final, uma grande inspiração, foi incrível. Agradeço a todos que torceram por mim, vou continuar trabalhando e espero voltar no ano que vem", disse o canadense, referindo-se ao brasileiro que entregou o troféu ao campeão.

AVALIAÇÃO

Diretor do Rio Open, Luiz Carvalho fez avaliação positiva desta sexta edição do torneio, apesar da ausência de tenistas de maior peso e da queda precoce dos principais favoritos, logo na primeira rodada. E prometeu manter o esforço para trazer mais atletas do Top 10 para a edição de 2020.

"Neste ano foi mais difícil, mas vamos seguir trabalhando para isso. Também estamos na luta para mudar o torneio para quadra dura, que é uma maneira de convencer esses nomes a jogar aqui", explicou Carvalho. A busca pela mudança de piso, que já dura alguns anos, pode favorecer a vinda de tenistas de maior peso, que preferem se manter no piso duro nesta época do ano dominada por esta superfície nos torneios mais importantes, como o Aberto da Austrália, em janeiro, e os Masters 1000 de Indian Wells e Miami, em março.

Luiz Carvalho revelou ao fim do torneio que o público foi superior às últimas edições. "Estimamos um público superior a 50 mil torcedores, melhor que os dois últimos anos. A rodada de sábado parecia como a dos anos em que o Nadal (espanhol Rafael Nadal) veio. A cada ano que passa, nosso torneio cresce", comentou o diretor da competição.

 

 

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