Nos EUA, Federer mostra que odeia encarar ´gladiadores´

Elegante, sofisticado, de técnica refinada e espetacular estilo, Roger Federer não gosta de uma luta franca. Detesta estar frente a frente com tenistas gladiadores que entram em quadra dispostos a lutar até a morte e não se importam com o jogo feio, rude, sem plástica. Querem vencer a qualquer custo, são incansáveis na devolução de bolas e estão sempre prontos para um contra-ataque.Jogadores com essas características como Rafael Nadal e agora Guillermo Cañas transformam-se num calcanhar de Aquiles para o suíço. Tanto é que desde 2004, quando assumiu o posto de número 1 do mundo, ganhou 261 partidas e perdeu apenas 17, sendo seis para Nadal e outras duas para Cañas, que já havia vencido Federer também em 2002 no Masters Series do Canadá.A luta contra os gladiadores obriga Federer a assumir riscos. Diante desses verdadeiros paredões, precisa buscar mais as linhas, ou seja, colocar as bolas no limite da quadra, tentar ângulos perigosos e realizar golpes ousados que contra outros adversários não seria preciso. Nestas duas recentes derrotas para Cañas este fato fica claro com o número de erros não forçados, que são na verdade as falhas cometidas quando o tenista não está em alto grau de dificuldade, nem mesmo pressionado por um ataque.Só nesta partida de Miami, Federer cometeu um total de 51 erros não forçados diante de Cañas. Se for considerado o fato de um set inteiro ter um número mínimo de 24 pontos, pode-se dizer que o tenista suíço deu praticamente de graça dois sets de vantagem para o argentino.A situação não foi diferente na partida de Indian Wells. Federer tinha o agravante de estar pressionado pela busca do recorde de partidas invictas. Estava com total de 41 e poderia superar as 46 de Guillermo Vilas. Seus erros denunciaram este certo nervosismo. Cometeu 43 falhas não forçadas, contra apenas nove de Cañas.Além dessa necessidade de correr maiores riscos, Nadal e Cañas podem entrar em quadra de cabeça erguida diante de Roger Federer. Afinal, fazem parte de um restrito grupo que tem recorde positivo contra o número 1 do mundo. O argentino em quatro partidas venceu três, enquanto Nadal tem o dobro de vitórias, 6 a 3. Este aspecto psicológico é de extrema importância no tênis, um esporte em que a confiança é uma das armas mais desejadas e importantes para se obter sucesso.

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