Jason Szenes/ EFE
Jason Szenes/ EFE

Novak Djokovic é o atual número 1 do mundo, queiram ou não

Mesmo no topo do ranking, sérvio não é visto como o melhor tenista

David Shaftel , The New York Times

11 de setembro de 2015 | 09h00

Nos últimos quatro anos, Novak Djokovic se consagrou como tenista número 1 do mundo, mas o público não o considera necessariamente o seu campeão. Depois de finalmente derrotar o afável, sofisticado superstar Roger Federer e seu eterno antagonista, Rafael Nadal (mais reservado), Djokovic sabe que o público nem sempre está do seu lado. Mas isto só contribuiu para fortalecer sua determinação.

Durante o torneio da Copa Rogers, em Montreal, no mês passado, ele foi entrevistado num espaço próximo à sala da imprensa no complexo do Uniprix Stadium no Parque Jarry, ao lado de sua agente, Elena Cappellaro, e de um assessor de imprensa do ATP Tour. Atleta de elite de 1,88 m de altura, Djokovic parecia surpreendentemente menor.

Em seu livro Serve to Win, de 2013, ele escreveu que conseguiu perder cerca de 4 kg com uma dieta sem glúten, fazendo com que sua família e amigos temessem que estava emagrecendo demais. Mas, longe de parecer frágil, ele projeta força e solidez. Quando sentou, sua postura era perfeita.

"No início de minha carreira", disse Djokovic, 28, "eu era visto como um rebelde, o sujeito que chegou e começou a desafiar os dois maiores atletas. 'Quem é esse cara da Sérvia, um país minúsculo, saído do nada, que diz que vai vencer os campeões e tornar-se o nº 1?' Obviamente, compreendo a reação das pessoas, mas eu achei que a única maneira de chegar lá era mostrar que merecia estar lá".

Djokovic, de shorts brancos até o joelho, e uma camisa cor de tangerina, da sua patrocinadora de roupas, a marca Uniqlo, fez questão de observar que nunca "desrespeitou " o esporte ou seus rivais. "Procuro elogiar, compreender, porque estamos mais ou menos na mesma situação", ele disse. "Por causa de Nadal e de Federer, eu me tornei um tenista melhor e o que eu sou hoje. Mas tive de trabalhar para merecer, e ainda tenho. Acho que ainda não me situo no nível de valorização de Nadal e de Federer - aliás, merecidamente para eles, porque eles são de fato extraordinários".

Djokovic, que entrou no US Open como o melhor tenista do mundo, acabava de sair de um treino estafante num calor insuportável, e havia certo cansaço em sua voz. "Eles são campeões dentro e fora das quadras", afirmou, referindo-se a Nadal e Federer. "Mas isto me motiva ainda mais a continuar".

A ideia de que os campeões nascem, não se tornam o que são, não se aplica a Djokovic, que segue um rigoroso regime (dieta, treinamento, ioga e meditação) destinado a mantê-lo suficientemente forte para suportar multidões volúveis e a autossuficiência que pode tirar o número 1 de sua posição.

Quando ele apareceu no cenário do tênis, em 2006, era considerado um jogador talentoso, mas irritante, menos conhecido por seu jogo do que por tirar licenças médicas supostamente não autorizadas para tratar de doenças imaginárias. Mais memorável do que as suas partidas eram as palhaçadas do seu alter ego, The Djoker, que fazia humor com as idiossincrasias de outros tenistas (a maneira de andar de Maria Sharapova e as manias de Nadal).

Depois que começou a adotar uma dieta, isenta de glúten, em 2010, Djokovic adquiriu uma força nova, e fechou a temporada ganhando para a Sérvia o primeiro título da Copa Davis; sua temporada de 2011 foi uma das mais importantes da história do tênis moderno. Desde então, ele ganhou mais oito torneios do Grand Slam.

(Tradução de Anna Capovilla)

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