Ron Angle/Estadão
Ron Angle/Estadão

'O campeão de Roland Garros aparece, ele não é fabricado', diz Guga

Tricampeão do Grand Slam francês vê Novak Djokovic como favorito

Entrevista com

Gustavo Kuerten

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2015 | 17h00

Tricampeão de Roland Garros, Gustavo Kuerten recorda do saibro francês com muito carinho e até hoje vê os seus títulos (1997, 2000 e 2001) como "um ponto fora da curva". O ex-número 1 do mundo se prepara para acompanhar o Grand Slam como torcedor e vê o sérvio Novak Djokovic "mais favorito do que nunca", mas também acredita que o espanhol Rafael Nadal está no páreo. Em entrevista exclusiva ao Estado, Guga ainda comenta o atual momento do tênis brasileiro e dispara: "O campeão de Roland Garros aparece, ele não é fabricado."

Para você, qual é o significado de ser campeão de Roland Garros?

A primeira vez que eu ganhei Roland Garros, eu praticamente não tinha noção do que o título representava. Ao longo dos anos fui entendendo melhor e é impressionante como hoje, olhando para trás, a dimensão foi aumentando. O meu caso é mais particular, tem um tempero diferente por ser brasileiro, por isso, a conquista é um eixo absurdo fora da curva. Guardo tantas sensações boas que se eu tivesse que escolher uma seria a comunhão porque minha paixão com o torneio é tão intensa que me traz centenas de lembranças carinhosas.

O que falta para Novak Djokovic ser campeão do Grand Slam francês? Embalado por cinco títulos no ano, Djokovic é o favorito ao título em Roland Garros neste ano?

Falta tempo. Talvez semanas, um ano ou três. Mas tenho certeza que não vai passar disso. Ele ainda não foi campeão por causa do extremo sucesso do Nadal, que é descomunal. Mas esse ano o Djokovic é mais favorito do que nunca.

O que esperar de Rafael Nadal em Roland Garros? Ele não está em boa fase, mas soma nove títulos quase consecutivos (exceto por Federer em 2009).

Podemos esperar que ele seja campeão. Se o Nadal, em Roland Garros, atingir o auge de sempre. Mesmo com o favoritismo do Djoko, que esse ano chega praticamente como favorito absoluto. Mas do Nadal não dá para esperar nada menos do que se inspirar nessas semanas e sair novamente com o título. Esse ano é capaz de dar uns três, quatro campeões (risos). O Djoko tem quer ser campeão, o Nadal também e também tem que dar espaço para o Federer (risos).

Como vê o momento dos tenistas brasileiros? O que o Brasil precisa para voltar a ter um tenista campeão de Roland Garros?

Eu acho que o tênis brasileiro não deve buscar um novo campeão de Roland Garros. É preciso aprimorar os elementos básicos, melhorar os professores e, consequentemente, teremos jogadores com uma qualidade avançada. Naturalmente, vão surgir ao invés de um Bellucci, e, no cenário atual, um Feijão e uma Teliana, vamos ter cinco ou seis jogadores entre os 100 melhores do mundo e de dois a três entre os 30. O campeão de Roland Garros aparece, ele não é fabricado. Há quanto tempo os Estados Unidos não tem um campeão de Grand Slam. Roland Garros mesmo, a França está esperando há quase 35 anos por um campeão, isso que é um país que trabalha com o tênis há mais de 100 anos. Acho que o Brasil tem que construir desafios menores no início e criar uma base mais consolidada para daqui a 20, 30 anos voltar a pensar em ganhar Grand Slam. Claro, se acontecer melhor ainda, como foi no meu caso.

Murray enfim conquistou um título no saibro, Federer também não tem o piso como especialidade. Para você, por que esses tenistas têm mais dificuldade na terra batida? Os espanhóis continuam sendo a principal escola no saibro?

A maior dificuldade hoje de ganhar em Roland Garros é o Nadal que não deixa ninguém vencer lá e acaba sendo uma impossibilidade mesmo para o Djokovic. Eu acredito que os melhores jogadores têm jogado com a mesma eficiência em praticamente todos os pisos. Acho que hoje o tênis proporciona um nivelamento mais justo nas velocidades quando envolve a mudança de piso. Então não existe a escola do saibro, a escola da quadra dura, hoje os jogadores são preparados para jogar em todas as superfícies de uma maneira equivalente.


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