Oposição luta agora para destituir Nastás

Os policiais do 27º Distrito Policial que cumpriram um mandado de busca e apreensão na sede da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), nesta quarta-feira, estavam cumprindo determinação da juíza Ivana David Boriero, do Departamento de Inquéritos e Polícia Judiciária da Comarca de São Paulo. Ela, por sua vez, atendeu a um pedido do delegado João Renato Weselowski, do próprio 27º DP, que, no mês passado, instaurou inquérito baseado na notícia-crime de Jorge Lacerda da Rosa, presidente da Federação Catarinense de Tênis.De acordo com a notícia-crime, a CBT simulou assembléias, falsificou atas e manipulou documentos contábeis, que prejudicam a transparência da administração do presidente Nelson Nastás. Por isso, Jorge Lacerda da Rosa pede a investigação por crimes de falsidade ideológica, estelionato, uso de documento falso e formação de quadrilha.O inquérito pegou de surpresa os cartolas que comandam o tênis brasileiro. "A Justiça deveria ter notificado, mas não sabia deste inquérito", revelou o advogado da CBT, Antônio Jurado Luque, um dos indiciados.Os policiais permaneceram na sede da CBT por cerca de seis horas, somente atrás de documentos relacionados ao setor financeiro. Não houve tumulto. "Eles levaram algumas cópias de cheques, alguns backups de arquivos dos computadores e as atas das assembléias de 2000, 2001 e 2002", explicou Antônio Jurado Luque.O superintendente da Confederação Brasileira de Tênis, Carlos Alberto Martelotte, tem agora cinco dias para entregar os documentos fiscais da entidade, que não estavam à disposição dos policiais. Caso não cumpra o prazo, a Justiça intervirá.Além do advogado Antônio Jurado Luque, também estão sendo investigados o presidente da CBT, Nelson Jorge Nastás, o contador Theo Ferreira de Carvalho e o presidente da Federação Paulista, Raul Cilento."Tudo isso não passa de disputa política. Será sempre assim: um querendo derrubar o outro para assumir o cargo mais alto", justificou Luque, o único dos indiciados que estava na sede da CBT. Pouco depois, o advogado partiu para o ataque. "Eu tenho fotos do Jorge (Lacerda da Rosa) dormindo durante essas assembléias que ele diz que não aconteceram", garantiu, pouco preocupado em ser um dos indiciados. "Comigo não tem essa de forjar assembléias. Quando começo uma reunião, vou até o final, mesmo que outros menos interessados queiram bagunçar. A CBT não é dona nem do computador que eu tenho na minha sala."Medida drástica - Além do que aconteceu nesta quarta-feira, a ala de oposição à administração Nelson Nastás deve entrar nos próximos dias com pedido de destituição do presidente da Confederação Brasileira de Tênis. "Com esse episódio da Davis, fica inviável para o tênis brasileiro que Nastás se mantenha no cargo", disse Jorge Lacerda Rosa.O presidente da Federação Catarinense é um dos mais ativos representantes do Movimento Tênis Brasil (MTB), frente de oposição a Nastás criada há dois anos e que tem o apoio de 11 federações estaduais, empresários ligados ao esporte e ex-jogadores. O dirigente catarinense conta que a intenção inicial do MTB era apresentar uma chapa para suceder Nastás na presidência - a eleição, de acordo com o estatuto, ocorreria entre junho e dezembro. "Mas, com estes últimos fatos que temos visto, relacionados à equipe da Davis, vou sugerir amanhã a convocação de Assembléia Extraordinária na CBT para pedirmos a destituição do presidente."Segundo Jorge Lacerda Rosa, com a anuência de cinco federações nacionais é possível convocar com urgência a Assembléia Extraordinária, na qual seriam necessários 3/4 dos votos para definir o afastamento do presidente Nelson Nastás.

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