Orlandinho deixa dúvidas para trás e sobe sem parar no tênis juvenil

Com três títulos ganhos recentemente, gaúcho está entre os melhores no ranking ITF

Nathalia Garcia , O Estado de S. Paulo

05 Abril 2014 | 17h00

SÃO PAULO - Com a conquista de três títulos consecutivos, Orlando Luz, de 16 anos, deu mais força ao rótulo de promessa do tênis brasileiro. Em menos de um mês, o jovem levantou os troféus do Asunción Bowl, no Paraguai, do Banana Bowl, em São José do Rio Preto, e do Campeonato Internacional de Porto Alegre. Ele também foi responsável por quebrar um tabu que durava 33 anos no torneio paulista. A última vez que um brasileiro havia sido campeão na categoria 18 anos foi em 1981, quando Eduardo Oncins venceu o compatriota Edvaldo Oliveira na final.

A ótima campanha fez o tenista de Carazinho, no Rio Grande do Sul, saltar para o quarto lugar do ranking juvenil da ITF (Federação Internacional de Tênis), ficando atrás apenas do alemão Alexander Zverev, do americano Stefan Kozlov e do francês Quentin Halys. Atualmente, o brasileiro é o segundo mais jovem entre os top 10.

O objetivo traçado pelo técnico Larri Passos - consagrado pelo trabalho com o ídolo Gustavo Kuerten - de entrar para o seleto grupo dos dez melhores do mundo era previsto apenas para o fim do ano, mas foi cumprido antes do esperado. Para Orlandinho - que, apesar do apelido, tem 1,81m de altura -, a evolução física tem sido fundamental para a conquista de bons resultados e facilita a escalada no circuito juvenil.

"Venho desde pequeno fazendo essa transição. No começo estava um pouco mais difícil porque muda o tamanho da bola, a força e é só com o tempo para pegar isso. Com 14 anos, comecei a jogar alguns torneios de 18 e acabei fazendo duas finais. Com certeza estou me saindo bem nessa transição."

Nesta temporada, ele está perto de realizar o sonho de jogar um Grand Slam - já garantiu a posição de cabeça de chave no juvenil em Roland Garros, Wimbledon e Aberto dos Estados Unidos, feito que deseja repetir no tênis profissional. 

INSPIRAÇÃO

De olho nos mais experientes, Orlandinho tem um apreço pela determinação do sérvio Novak Djokovic, mas também admira o suíço Roger Federer e o espanhol Rafael Nadal, número um do ranking mundial. "Com certeza todo mundo quer jogar e treinar com eles para ter noção de que não é impossível. Não sei se eu terei tempo de enfrentá-los."

A cada dia o gaúcho deixa a desconfiança para trás e trilha um caminho diferente de seu pai, também chamado Orlando Luz, que não se tornou tenista profissional por falta de condições financeiras. Orlandinho conta que, aos poucos, o medo de ver a carreira encerrada precocemente vai perdendo força. "Eu já temi quando era menor. Agora, com esses resultados e com o apoio e os patrocínios que estou tendo, não tenho mais tanto medo de que o sonho acabe por causa disso."

Entretanto, ele admite que a sua própria cobrança é grande e avalia que, nesta fase, é preciso ter um bom trabalho psicológico para obter sucesso. "A gente vai entrar no circuito profissional e tem medo de não conseguir resultados. Quando perde no juvenil, pensa em como será no profissional e começa a se frustrar. Tem de ser muito forte para conseguir continuar na carreira." Entre os colegas, aponta os brasileiros Rafael Matos, Marcelo Zormann e João Menezes como principais rivais.

INÍCIO DA CARREIRA 

O primeiro contato do jovem com a modalidade ocorreu aos três anos, no Clube Comercial de Carazinho, onde seu pai dava aulas de tênis. O carinho pelo esporte foi aumentando gradativamente e a brincadeira ficou séria, ainda que o chefe da família nunca o tenha obrigado a seguir seus passos. A parceria com o pai/treinador durou até 2011, quando Orlandinho passou a integrar o time de Larri Passos em Camboriú, Santa Catarina.

Ainda que o técnico seja um pouco ríspido em certos momentos, o garoto está satisfeito com o seu desenvolvimento. Os treinamentos são feitos diariamente, em dois períodos. Além do trabalho em quadra, o tenista também dá bastante atenção à preparação física e faz regularmente exercícios preventivos para evitar lesões. "O Larri é um pouco duro, todo mundo sabe. Mas ele é um belo treinador", elogia.

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