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Gabriela Biló/Estadão
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Projeto em Barueri se transforma em ‘fábrica de talentos'

Instituto Tênis caça atletas e investe no alto rendimento: meta é formar um número 1 do mundo até 2033

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2017 | 07h00

Thaisa Pedretti acorda às 6h20, toma café da manhã e vai para a quadra de tênis. Treina, almoça, descansa, volta à quadra e faz mais treinos físicos para encerrar o dia. Tudo isso no mesmo lugar. Ela é uma das 40 atletas que vivem no Instituto Tênis, centro de treinamento que persegue a meta ambiciosa de forjar um número 1 do mundo até 2033. Comum em outros esportes, um CT no qual os atletas respiram a modalidade 24 horas por dia é coisa rara no tênis. Principalmente de graça. 

O Instituto Tênis tem dois focos principais. O primeiro é a formação de atletas de alto rendimento. Desde janeiro, está localizado no Sportville, espaço criado pelo técnico de vôlei José Roberto Guimarães para a seleção feminina de vôlei em Barueri (SP). Atletas dos 6 aos 23 anos são atendidos por uma equipe técnica com 18 profissionais, de preparadores físicos a psicólogos. A entidade investe R$ 17 mil por mês em cada atleta, o que dá cerca de R$ 200 mil por ano. 

O outro pilar é o projeto de massificação. Por meio de convênios com as prefeituras ou com escolas de iniciação esportiva, o instituto mantém seis núcleos no interior de São Paulo, Vila Velha (ES) e Brasília (DF). O objetivo é caçar talentos. Em Santana de Parnaíba, por exemplo, o convênio com a secretaria de Esportes inseriu o tênis na grade das aulas de educação física. 

Essa capilaridade ajuda as 15 mil crianças que já passaram pelo projeto em três anos. Nesses locais, as aulas nem sempre são dadas em quadras de tênis, mas nas poliesportivas, de futebol de salão e vôlei. Os profissionais do instituto levam redes, raquetes e bolinhas. O talento descoberto vai para Barueri. 

Cristiano Borelli, diretor executivo do Instituto Tênis, ressalta que o projeto tem visão de médio e longo prazos. A data de 2033 é o resultado do plano estratégico de 20 anos que a entidade desenvolveu em 2013. Outra meta audaciosa aponta que o Brasil pode ter 500 mil praticantes de tênis em duas décadas. O instituto pretende colocar um tenista entre os 20 melhores do mundo no juvenil e ao menos dois entre os 100 melhores. 

Os resultados já começam a aparecer. Thaisa Pedretti é a brasileira mais bem colocada no ranking mundial juvenil (36.ª). Fernando Yamacita e Marcelo Tebet já fizeram finais de duplas em torneios da ATP; Matheus Pucinelli, João Lucas Reis da Silva, Igor Gimenez e a própria Thaisa, outras crias da entidade, alcançaram seis títulos de simples e quatro de duplas. O 36.º lugar de Thaisa não é a melhor colocação do Brasil na história do juvenil. Teliana Pereira foi a número 12 em 2006 e Orlando Luz chegou à liderança em 2015. 

O Instituto Tênis se mantém principalmente com o apoio da iniciativa privada – 80% dos recursos vêm da Lei de Incentivo ao Esporte que prevê a destinação de 1% do IR devido pelas empresas para programas esportivos; outros 5% são da Lei de Incentivo Estadual (ICMS) e 10% são de marketing ou doação. 

ZÉ ROBERTO

Único brasileiro tricampeão olímpico de vôlei, o técnico José Roberto Guimarães sempre foi apaixonado por tênis. Em 1979, quando jogava vôlei na Itália, conseguiu ver uma partida de um de seus ídolos: a lenda Bjorn Borg. “Eu tinha uma foto em tamanho natural dele. Viajei para Montecarlo só para vê-lo. O problema foi que ele perdeu para o Vitor Pecce por 2 a 0”, relembra.

A paixão que Zé Roberto carrega desde a infância – os amigos contam que ele joga quase todos os dias – é uma das razões para que o centro de treinamento que construiu em Barueri, o Sportville, se transformasse na sede do Instituto Tênis. “Sempre fui apaixonado por projetos esportivos com crianças, jovens e adolescentes. Conviver de perto com eles e presenciar tudo o que está sendo feito é motivo de muito orgulho”, diz o técnico.

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