Puerta nega e diz que não foi avisado

O sucesso do tênis argentino está manchado pelos vários casos de doping. Agora, foi a vez do vice-campeão de Roland Garros, Mariano Puerta, ser denunciado pelo jornal francês L´Equipe, nesta quarta-feira, por uso de substância proibida. Se for confirmada a suspeita, o tenista será banido do esporte, por ser reincidente - em 2003, já chegou a cumprir nove meses de suspensão. Pelo resto de sua vida, Puerta estará impedido de sequer entrar no recinto de qualquer torneio oficial. Recentemente, Guillermo Cañas, também argentino e suspenso por dois anos, foi barrado à porta do US Open por estar cumprindo a punição. Reclamou, mostrou indignação, mas teve mesmo de aceitar as regras e só pôde ver sua namorada, a tenista Maria Emília Salerni, em ação no torneio pela tevê do seu hotel. A punição por doping no tênis é severa, mas o controle apresentado pela ATP é precário e vários jogadores já se aproveitaram dessa situação para alcançar resultados significativos. Só que os argentinos abusaram desse fato e outros quatro tenistas foram pegos, como Guillermo Cañas, Juan Ignacio Chela, Guillermo Coria e Martin Rodriguez. Mariano Puerta teria apresentado resultado positivo logo após a final de Roland Garros por uso de etilefrina, remédio usado para hipertensão, mas proibido pela Wada (a organização mundial de controle anti-doping) dentro da lista de estimulantes. Esta substância tem a interessante característica para o usuário de que 88% da dose administrada, via intravenosa, ser eliminada em apenas 96 horas e o restante é evacuado, também rapidamente. O teste positivo no tenista foi constatado pelo laboratório parisiense Chatenay Malabry, que segundo o jornal L´Equipe, confirmou o doping também em contraprova. O controle anti-doping de Roland Garros excede ao usual no tênis. É que desde o escândalo dos ciclistas do Tour de France, toda e qualquer competição esportiva em território francês passa pelo controle de órgãos oficiais do governo francês. Em razão disso, e temendo por problemas entre seus associados, a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) pregou um comunicado em local visível nos vestiários dos Masters Series de Hamburgo, Roma e Montecarlo (que antecedem Roland Garros) advertindo para o fato de os exames estarem nas mãos do governo francês. Já não é a primeira vez que testes dão positivo em Roland Garros. Há dois anos, houve outros três casos, mas até hoje não esclarecidos ou divulgados pela ATP. A entidade também negou-se a fazer qualquer pronunciamento sobre a situação de Mariano Puerta. Informou que só se manifestará depois de toda e qualquer suspeita passar por um tribunal. Puerta nega - Há meses, já há rumores de que um dos 14 tenistas argentinos que disputaram o último torneio de Roland Garros teria apresentado teste positivo. Mariano Puerta, com excepcional campanha no torneio, estava na alça de mira das especulações e já com experiência no assunto. O argentino negou a acusação e usou um forte poder de argumentação - da prova à contraprova existe o hábito de se comunicar o atleta, o que não teria acontecido, segundo afirmou Puerta em Tóquio, onde disputa um torneio e passou para a terceira rodada com vitória sobre o norte-americano Eric Taino por 6/3 e 6/4. ?Há dois anos, quando fui punido, a ATP e a ITF entraram em contado?, contou Puerta. ?Desta vez, ninguém me procurou. Por isso, não sei de nada e não posso dizer nada?. Mostrando-se indignado, Puerta acusou o jornal francês L´Equipe e prometeu acionar seus advogados. ?Desde o meu primeiro teste positivo, não tomo nem um suco de laranja sem precauções. Sou inocente?. Apenas em mais algumas semanas, ou meses, o caso deverá ser confirmado ou não, mas as evidências já se revelam contundentes. O próprio presidente da Associação Argentina de Tênis, Enrique Morea, confessa-se preocupado. ?Desgraçadamente, os últimos casos noticiados acabaram se confirmando mais tarde. Mas não posso dizer nada?. O agente do jogador, Jorge Brasero, esperneou em Buenos Aires ao ser ouvido sobre a suspeita. ?O fato de a Argentina ter um número 8, 9, 10, 11 e 12 do ranking deve incomodar muita gente?. Entre os jogadores do circuito há uma certa consternação. O espanhol Rafael Nadal, que venceu a final diante de Puerta, em Roland Garros, afirmou: ?Há alguns meses venho ouvindo que pegaram um argentino no anti-doping de Roland Garros. Agora pela manhã me inteirei do assunto?. Outros mostraram-se ansiosos por soluções mais efetivas e rápidas, como o francês Arnaud Clement. ?Se um teste deu positivo há cinco meses, por todo esse período os jogadores que perderam seus jogos foram derrotados por um adversário que estava usando droga?. Até no tênis feminino, em que o anti-doping também é medíocre, a norte-americana Lindsay Davenport comentou o assunto. ?É terrível que mais um tenista argentino apresente casos de drogas. Não sei bem o que isso pode significar, mas é terrível para o tênis?. Guga tem time argentino - Desde maio deste ano, na temporada européia de saibro, Gustavo Kuerten está trabalhando com um time argentino. O técnico Hernan Gumy e o preparador físico Fernando Cao são os mesmos que faziam parte da equipe de Guillermo Cañas. Guga está na Espanha, onde passa por exames e testes com o especialista em medicina esportiva e médico de vários tenistas, Angel Gotorro. Apesar da proximidade com os argentinos que estiveram ao lado de Cañas, Guga mostra-se tranqüilo e confiante na eficiência de sua equipe. Além disso, revelou estar sempre atento a toda substância que utiliza e não toma nada sem antes conversar com seu médico, Rogério Teixeira, que faz parte da ATP e conhece bem os medicamentos que pode dar para o tenista.

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