Danielle Parhizkaran/ USA TODAY Sports
Danielle Parhizkaran/ USA TODAY Sports

Tenista russo a desafiar o 'Big Four', Medvedev corre risco de ser excluído do circuito pela guerra

Campeão do US Open, jogador acumula controvérsias, supera impaciência com força mental e faz frente a Rafael Nadal e Novak Djokovic, mas agora está na mira da federação e pode pagar pelas decisões de Vladimir Putin após invasão à Ucrânia

Marcos Antomil, especial para o Estadão

02 de março de 2022 | 10h00
Atualizado 02 de março de 2022 | 19h08

Aos 26 anos, o tenista russo Daniil Medvedev alcançou um feito histórico ao chegar à liderança do ranking da ATP, desbancando Rafael Nadal, Roger Federer, Novak Djokovic e Andy Murray, conhecidos como 'Big Four' e únicos tenistas a ficar no topo do ranking nos últimos 18 anos. A posição foi obtida graças ao fracasso de Djokovic no torneio de Dubai e a ida do russo às semifinais do ATP 500 de Acapulco, no qual foi eliminado pelo campeão Nadal.

Após atingir o topo, Medvedev tem novas preocupações. Ele não poderá competir sob o nome ou bandeira da Rússia, pelo menos enquanto perdurar a guerra na Ucrânia. Tanto Rússia quanto Belarus estão fora do circuito de competições por equipes da ITF (Federação Internacional de Tênis, sigla em inglês), ATP e WTA. A Federação Ucraniana da modalidade pediu que o russo seja excluído dos Grand Slams da temporada. Durante sua participação no ATP de Acapulco, no México, Medvedev mostrou contrariedade à guerra. "Sendo jogador de tênis, quero promover a paz em todo o mundo. Jogamos em tantos países diferentes, já estive em tantos como júnior e como profissional e não é fácil ouvir todas essas notícias. Sou a favor da paz", afirmou.

Medvedev corre risco de ser punido ainda mais seriamente, ficando fora de torneios individuais e perdendo, consequetentemente, a liderança do ranking. Atletas de todas as modalidades estão recebendo sanções por causa do conflito no leste europeu. Entidades esportivas, desta vez, estão se posicionando fortemente para a exclusão dos russos de todas as disputas internacionais. O país também já perdeu a condição de sede de alguns eventos esportivos, como final da Liga dos Campões, F-1 e participação nas Eliminatórias da Copa do Mundo do Catar. 

​O BOM MOMENTO EM QUADRA

Medvedev aparece frequentemente na lista de favoritos às conquistas de Grand Slams, embota tenha faturado apenas um até agora. Após bater na trave dois anos antes, em 2021 ele derrotou o favorito Novak Djokovic, por 3 sets a 0, com triplo 6/4, na final do US Open e conquistou o título. O russo foi finalista por duas vezes do Aberto da Austrália, mas acabou derrotado em ambas as ocasiões. Sua melhor participação em Roland Garros foi na última temporada, quando chegou às quartas de final. Em Wimbledon, o cenário é semelhante, tendo ido à quarta fase.

Outros títulos relevantes vieram no ATP Finals (2020) e em disputas por equipes na ATP Cup, Copa Davis (defendendo as cores da Rússia) e Laver Cup (atuando pelo time da Europa). Ao todo na carreira, Daniil Medvedev soma 13 troféus, número superior ao dos contemporâneos Stefanos Tsitsipas, Andrey Rublev e Matteo Berrettini, que aparecem nas sete primeiras posições do ranking atualizado. O alemão Alexander Zverev, número 4 do ranking, tem mais títulos, mas seu melhor resultado em Grand Slams foi um vice, conquistado em 2020 nos EUA.

CONSTRUÇÃO DA CARREIRA

Nascido na capital da Rússia em 1996, Medvedev começou a praticar esportes bem cedo. Fazia aulas de natação quando, por incentivo dos pais, passou a jogar tênis com seis anos. Ele chegou a estudar economia no Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou, mas preferiu se concentrar na carreira esportiva. Em 2016, alcançou posição no top 100 do ranking e desde então é apontado como um dos poucos com capacidade de parar Nadal, Djokovic, Murray e Federer.

Medvedev está ao lado de Stan Wawrinka (Suíça), Dominic Thiem (Áustria), Marin Cilic (Croácia), Juan Martín del Potro (Argentina), Marat Safin (Rússia) e Gastón Gaudio (Argentina) como os únicos tenistas a furarem a bolha dos 'Big Four' nos últimos 18 anos em Grand Slams.

ESTILO E POLÊMICAS

Apesar de perder a paciência com facilidade, Daniil Medvedev é visto pelos rivais como um jogador de grande potencial mental. Sua concentração e busca por pontos fracos dos adversários tornam as partidas muito difíceis. Seu bom desempenho e conquistas em quadras rápidas dão amostras de como gosta de jogar. Com quase dois metros de altura (1,98m), usa de sua envergadura para colocar força no saque e atrapalhar a recepção dos rivais. Dono de um jogo inteligente, o russo também encontra soluções em ralis e se aproveita de jogadas de fundo para desgastar os adversários fisicamente.

Medvedev acumula polêmicas dentro das quadras e tem reiteradas discussões com árbitros e torcedores. Em 2016, foi eliminado do Challenger de Savannah acusado de racismo ao afirmar que o juiz estaria favorecendo seu adversário (Donald Young) pelo fato dos dois serem negros. No ano seguinte, no Torneio de Wimbledon, após ser eliminado pelo belga Ruben Bemelmans, jogou moedas na árbitra portuguesa Mariana Alves. Em 2019, mostrou o dedo médio para torcedores ao ser vaiado durante um jogo do US Open, depois de ter sido punido e arremessar sua raquete no solo.

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