Celso Pupo/CBTênis
Celso Pupo/CBTênis

Resgatar o espírito de equipe é a meta de Jaime Oncins

Com garantia de que terá autonomia para trabalhar, técnico vê momento de transição no tênis do País e se mostra otimista

Entrevista com

Jaime Oncins, capitão da equipe brasileira da Copa Davis

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2019 | 04h30

Um dos principais personagens da história do Brasil na Copa Davis, Jaime Oncins agora vai atuar fora de quadra na competição. Ele foi anunciado como novo capitão do Brasil no tênis há duas semanas, no lugar de João Zwetsch. E já começou a trabalhar. Iniciou as conversas com os possíveis convocados para sua estreia, em setembro, contra Barbados, na busca pela vaga na fase qualificatória. 

Morando nos EUA desde 2014, ele vai conciliar a função com o trabalho que realiza com crianças e adolescentes na Montverde Academy, em Orlando. Lá é técnico de tênis com uma filosofia de trabalho em equipe. E é exatamente isso que pretende resgatar no time brasileiro.

Para tanto, ele conta com o apoio de ex-colegas de equipe na Davis como Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni. Oncins se tornou quase unanimidade para ocupar o cargo. Não por acaso. Foram 11 anos na Davis. Esteve em quadra nas duas melhores campanhas do Brasil, nas semifinais de 1992 e 2000. E já foi treinador de André Sá e Flávio Saretta. 

Em entrevista ao Estado, diz estar motivado para ocupar o cargo para o qual foi escolhido há 15 anos, mas que não assumiu por causa do famoso boicote dos tenistas à gestão da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) então presidida por Nelson Nastás. Como novo capitão do Brasil na Davis, ele garante que terá autonomia para escolher o piso e os locais dos jogos. 

Com dificuldades financeiras, a CBT escolheu Uberlândia no último confronto (com a Bélgica; o Brasil perdeu), por causa do apoio da prefeitura. Este contexto de poucos recursos te preocupa?

Agora não, porque em todas as conversas que tive com o presidente, Rafael Westrupp, foram positivas. Nesta questão da escolha de piso, ele deixou bem claro que fica totalmente ao meu critério. Vou analisar o adversário e ver qual é o melhor piso, as melhores condições para se jogar o confronto. Ele me deu carta branca e falou que vai fazer o máximo para poder sempre estar correspondendo as nossas expectativas em termos de condições de jogo. 

O Brasil vem de derrotas inesperadas e atuações irregulares. Como avalia o momento atual?

Não posso falar dos resultados que aconteceram porque não estava lá dentro para saber como era o dia a dia. E também por uma questão de respeito ao João. O que posso falar é o que eu pretendo fazer daqui para a frente. Acho que temos jogadores experientes e novos, com grande potencial, de estar daqui a alguns anos com uma equipe forte. Temos que aproveitar o material que temos. Esse vai ser o meu foco: entender a ferramenta que terei em mãos e tentar puxar o máximo possível de cada um para poder formar um time. 

Já conhece a equipe de Barbados, próximo rival do Brasil?

Só conheço o Darian King (atual 191.º do mundo). Sei que é muito bom, principalmente na quadra dura. E sei que 90% do calendário dele é voltado para a quadra dura. Então, com certeza não vamos jogar na quadra dura. 

Você vai continuar morando nos EUA?

Vou continuar aqui no comando da equipe da Montverde Academy em Orlando. Tenho alguns compromissos que estou assumindo com a CBT no sentido de estar presente em alguns torneios para poder acompanhar mais de perto os possíveis jogadores a serem convocados. Vou ter uma linha direta com todos os treinadores dos jogadores para buscar informações. 

Qual vai ser a sua filosofia de trabalho?

Pretendo passar para a equipe o que faço na Montverde Academy. Lá temos um trabalho muito legal de conscientização da garotada em entender que é importante trabalhar em equipe, apesar do tênis ser um esporte individual. Quanto mais um ajudar o outro, um puxar o outro, vai ser melhor para todo mundo. Assim, ganhamos um título nacional no masculino neste mês. Na Davis, quero também ter este contato com a garotada. Sei que está surgindo uma safra no Brasil. Quero que tenham a consciência e saibam a importância que é estar numa Copa Davis.

Você vai apostar na experiência ou pretende acelerar o processo de renovação da equipe?

Ainda é cedo para pensar na convocação. Mas não tem questão de idade, se é jovem ou se é experiente. Quero chamar quem estiver melhor. E também temos que pensar no momento de transição que estamos passando. Todo o processo tem que ser feito de forma gradativa. Tem que analisar o time que vamos enfrentar, as peças que precisamos. Deixei bem claro a todos que as portas estão abertas para todo mundo. E que eles é que vão se convocar, mostrando o que podem fazer. 

Quando a Davis anunciou suas mudanças estruturais, você foi um dos que mais fez críticas. Já fez as pazes com a competição?

Acho que tudo é uma questão de adaptação. É o primeiro ano, tem uma expectativa geral no circuito. Todo mundo quer saber como vai ser esta fase final, com tudo no mesmo lugar. Se pensarmos friamente, a principal mudança afeta os 18 países que estão na fase final. Os demais vão continuar jogando como antes. A maior diferença vai ser o formato do jogo, de cinco para melhor de três sets. A margem para erro é bem menor

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