Roland Garros: paraíso ou inferno

Venus Williams tinha motivo para dizer, aochegar à final de Roland Garros deste ano, que estava livre da maldição do saibro de Paris. Não são poucos os tenistas que, dos quatro torneios do Grand Slam, conquistaram apenas o título dacompetição parisiense. Gustavo Kuerten, que o venceu três vezes ? 1997, 2000 e 2001 ?, é um deles. Os outros torneios do Grand Slam são o Aberto da Austrália, disputado em quadra rápida,Wimbledon, na grama, e Aberto dos Estados Unidos, também no piso rápido. Mas Guga não está sozinho nesse ´seleto´ grupo. O norte-americano Michael Chang, o austríaco Thomas Muster, o espanhol Sergi Bruguera, o equatoriano Andres Gomes, o francês Yannick Noah, o italiano Adriano Panatta estão na lista, paracitar alguns. A croata Iva Majoli, por exemplo, que venceu em 1997. O que foi feito dela depois? Por outro lado, o norte-americano Pete Sampras, um recordista de prêmios de Grand Slam, com 13 títulos, é um vexame só no saibro de Roland Garros. Este ano, sentindo que o fim da carreira está próximo ? o jogador completará 31 anos em agosto ? ele contratou um técnico espanhol, José Higuera, que trabalha na Federação Norte-Americana de Tênis, para tentar melhor seu ritmo no piso de terra vermelha. Os espanhóis são consideradosespecialistas nesse tipo de piso. Mas Sampras foi um fiasco mais uma vez. O ex-número 1 do mundo foi eliminado na estréia pelo italiano Andrea Gaudenzi, que não pode ser comparado em nada como norte-americano. "Não posso fazer milagres", já havia alertado Higuera logo no início do trabalho. Gaudenzi, que não passou da terceira rodada ? eliminado pelo espanhol Albert Costa ?, tem apenas três títulos na carreira, contra 63 de Sampras. O italiano de 28 anos, no balanço até o ano passado, havia faturado US$ 2,7 milhões em prêmios na carreira. Sampras acumulava US$ 42 milhões. No entanto, Gaudenzi teve o prazer de vencer o jogador que mais temporadas terminou em primeiro lugar do ranking ? seis ?, com 3/6, 6/4, 6/2 e 7/6(7-3). Mas Sampras não está sozinho nesse time que não consegue controlar a ansiedade e a jogada mais lenta, administrar melhor o tempo das batidas, variar as jogadas ? ao contrário dos sacadores, que batem sabendo que no piso rápido o outro terádificuldade de devolver e matam o ponto rápido com voleio na rede. Os norte-americanos Jimmy Connors (109 títulos) e John McEnroe (77) nunca venceram em Paris. Assim como o alemão Boris Becker, campeão na Austrália, em Wimbledon e Aberto dos Estados Unidos (49 títulos). Há vários outros, como os também norte-americanos Arthur Ashe (33 títulos) e Vitas Gerulaitis (27), o sueco Stefan Edberg (41). O único jogador que pode largar a raquete hoje, decabeça tranqüila, com conquistas em todos os pisos é o norte-americano Andre Agassi, de 32 anos, que venceu nos quatro cantos do mundo. Foi campeão na Austrália (2001, 2000 e 1995), Roland Garros (1999), Wimbledon (1992) e Aberto dos EstadosUnidos (1999 e 1994), entre os 52 títulos carreira e os US$ 24 milhões que acumulou. Mas quem dirá um dia com segurança que Agassi é melhor que Sampras?

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