Saretta pode se tornar o número 2

Maior revelação do tênis profissional brasileiro desde Gustavo Kuerten, Flávio Saretta, que nesta sexta completou 22 anos, volta à quadra de Wimbledon neste sábado, às 7h de Brasília, com um duplo objetivo: estar pela primeira vez nas oitavas-de-final de um Grand Slam e ganhar a condição de segundo brasileiro mais bem colocado no ranking mundial. Seu adversário é um amigo e velho conhecido, de 25 anos, o mineiro André Sá, 90º do mundo. Será o primeiro jogo da Quadra 3 do All England Club de Londres. Saretta é o atual 71º do ranking mundial. Como Sá, somou 75 pontos no torneio. Saretta subirá pelo menos três posições no ranking. Em caso de nova vitória, terá direito a 150 pontos e aí, com o desconto obrigatório de oito de seu 18º pior resultado, seu total passará a 684 pontos, suficientes para superar Fernando Meligeni e se tornar o número 2 do Brasil. Meligeni, que tem 668 pontos, perderá 30 e cairá para 638 na lista a ser divulgada no dia 8 de julho. Além disso, a nova ascensão de Saretta seria de pelo menos seis postos, podendo até se fixar no 60º lugar conforme o desempenho de outros jogadores que ainda estão em Wimbledon. Apesar de seus dois ótimos jogos no torneio até agora, Saretta admite que a quadra de grama ainda é um mistério para ele: ?Não posso dizer que sou um bom jogador de grama?, afirmou ele à imprensa britânica. ?Este é apenas o terceiro torneio que disputo neste tipo de piso em toda minha vida e um deles foi a chave juvenil de Wimbledon, que é um nível completamente diferente.? Ele admite estar surpreso com sua adaptação. ?Na semana passada, perdi do francês Nicolas Escudé em dois tie-breaks e agora, na estréia de Wimbledon, eliminei o sueco Thomas Johansson no melhor jogo da minha vida. Começo a pensar que posso jogar bem na grama.? Saretta acha que seus bons resultados poderiam ter maior repercussão no Brasil não fosse a Copa do Mundo: ?Mas estão todos de olho no penta, inclusive eu.? Aniversário - No dia em que completou 22 anos, Saretta teve pouco tempo para comemorações. Passou boa parte do dia descansando, já que precisou de quase oito horas para vencer seus dois primeiros jogos. Depois, bateu bola com o técnico João Zwetsch. ?Tenho um jogo difícil e importante amanhã, vou deixar a festa para depois.? À noite, ele seria recepcionado por representantes da Diadora, seu patrocinador de roupas esportivas, que viajaram da Itália para Londres especialmente para acompanhar o jogo deste sábado. A Diadora, que já patrocinou o tenista Gustavo Kuerten, fechou contrato com Flavio Saretta em junho de 2002 acreditando no seu talento e na importância do patrocínio na carreira profissional de um tenista. Além deste incentivo, dá todo o suporte necessário ao tenista nos principais torneios. ?Vim a Londres especialmente para prestigiar nosso atleta e estar presente nesse momento tão importante de sua carreira?, diz Luis Maia, gerente da marca no Brasil. Saretta e Sá - o mineiro tem três anos a mais de experiência ?, já se enfrentaram cinco vezes no circuito profissional. Foram quatro jogos em piso sintético e um no saibro. Sá leva vantagem de 3 a 2 no geral, mas há empate na quadra rápida. No ano passado, Sá venceu nas semifinais do challenger de Salvador, por 6/4 e 6/1, vingando-se da derrota sofrida nas semifinais do challenger de São Paulo, por 7/6 e 6/4. Em 2001, os dois também se enfrentaram por duas vezes, com novo empate: Sá ganhou no challenger de Belo Horizonte, por 7/5 e 6/4, e Saretta venceu no challenger de Gramado, 7/5 e 6/2. Em 98, quando Saretta ainda era juvenil, o mineiro marcou 6/4 e 6/0 no challenger de Florianópolis, sobre piso lento. Devolução - A estatística mostra que a principal arma de Saretta em Wimbledon tem sido a boa devolução de saque e seu forte jogo de fundo de quadra. Na partida contra Johansson, cometeu em média 15 erros por set, número que caiu espetacularmente para apenas seis por set diante do alemão Alexander Waske. Além disso, tem ganhado 35% dos games em que é o devolvedor e já obteve nada menos que 27 oportunidades de quebra (os chamados break points), aproveitando nove delas. No saque, a produtividade tem sido menos expressiva. Saretta acertou 58% do primeiro saque na partida de estréia e 69% no jogo seguinte, mas soma apenas 24 aces no torneio, uma média baixa de um ace a cada 2,5 games de serviço. No entanto, ele tem vencido 77% dos pontos quando acerta o primeiro saque e ótimos 57% dos pontos quando joga com o segundo saque. Ele também tem ido muito pouco à rede: foram 41 tentativas (27 acertos) contra Johansson e 19 (com 16 acertos) diante de Waske.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.