Felipe Dana/AP
Felipe Dana/AP

Sem convencer no Brasil, Rafael Nadal busca reabilitação

Desempenho do tenista espanhol no início da temporada comprova uma queda no seu poder de fogo; próximo desafio é na Argentina

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2015 | 07h00

A eliminação de Rafael Nadal na semifinal diante do italiano Fabio Fognini, no sábado, surpreendeu os seus torcedores no Rio Open. Mas a queda não parece ter espantado o tenista, que alegou cansaço e acusou a falta de ritmo de jogo. Sem justificar o apelido de Toro Miúra, o fato é que o espanhol não conseguiu exibir a sua melhor forma física na competição no Brasil.

O tropeço também custou a ele uma posição no ranking da ATP, já que não defendeu os pontos do título de 2014 e foi ultrapassado pelo britânico Andy Murray, caindo para quarto lugar. No Rio, Nadal disputou a sua terceira competição no ano. No Torneio de Doha, foi eliminado logo na estreia por um tenista do qualifying e, no Aberto da Austrália, parou nas quartas de final diante do checo Tomas Berdych, seu antigo freguês.

O espanhol agora se prepara para o Torneio de Buenos Aires, onde tentará retomar a confiança depois de uma última temporada turbulenta. Antes de disputar a competição, Nadal admitiu que não sabe se conseguirá voltar a exibir o seu melhor tênis. "Não sei se voltarei a ser o melhor Rafael Nadal, mas vou dar o meu melhor para fazê-lo", garantiu.

Em 2014, o tenista sofreu uma lesão no punho direito e teve de desistir do US Open, último Grand Slam do ano, e dos Masters 1000 de Montreal, no Canadá, e de Cincinnati, nos Estados Unidos. Em seguida, voltou a se ausentar do circuito para uma cirurgia de apendicite em Barcelona. Nadal só retornou às quadras em janeiro deste ano e até agora não convenceu. 

Nas dez partidas disputadas, com sete vitórias e três derrotas, Nadal deparou-se com 51 chances de quebra de seu serviço e conseguiu salvar 57% delas. Ele também teve 112 oportunidades de superar o serviço dos rivais, convertendo apenas 39% de suas chances. Além disso, o espanhol soma 27 aces, média de 2,7 por jogo. Em comparação com o desempenho do tenista em 2010, os números comprovam uma queda no seu poder de fogo.

Há cinco anos, Nadal viveu uma de suas melhores temporadas no circuito. Com o primeiro título do US Open, o atleta de Manacor completou o Golden Slam - conquista dos quatro Grand Slams e do ouro olímpico na chave de simples - e ainda encerrou o ano como o melhor tenista do mundo. Em 81 jogos disputados, foram 71 triunfos e apenas dez tropeços. Diante de 322 chances de quebra de seus serviços ao longo do ano, Nadal salvou 69% dos pontos. Já em 674 oportunidades de arrancar a quebra de saque dos adversários, ele se deu melhor em 44% das vezes. Ao todo, somou também 310 aces, média de 3,8 por confronto.

Outro ano de glórias do espanhol foi em 2008, quando garantiu a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim e os títulos em Wimbledon e Roland Garros. Aos 22 anos, Nadal entrou em quadra em 93 partidas, com 82 vitórias e 11 derrotas, nas quais salvou 67% das bolas em 395 oportunidades de quebra de saque dos oponentes.  Na sua vez, o tenista teve 786 chances de break points, convertendo 45% delas. E foram 283 saques indefensáveis, com média de 3,04 aces por partida.

Para voltar a fazer frente a um adversário do alto nível do sérvio Novak Djokovic, Nadal sabe que terá muito trabalho. E sua próxima chance de se reerguer começa nesta quarta-feira diante do vencedor do confronto entre Albert Montañés e um jogador que sairá do qualifying da competição em Buenos Aires, onde o espanhol não faz um jogo oficial há 10 anos.

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