Sem Feijão, Brasil terá Rogério Dutra Silva ou Clezar na Copa Davis

Capitão João Zwetsch anunciará quem ocupa a última vaga disponível na equipe para o torneio na próxima terça-feira

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 13h25

Os brasileiros que terão a missão de tentar recolocar o Brasil no Grupo Mundial da Copa Davis, que reúne a elite do tênis, estão definidos, mas a equipe ainda não está completamente fechada. Enquanto Thomaz Bellucci e os duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo já têm um lugar cativo, o último posto permanece em jogo entre Rogério Dutra Silva e Guilherme Clezar até a próxima terça-feira, quando o capitão João Zwetsch anunciará quem entrará em quadra e quem ficará na reserva para o confronto entre Brasil e Espanha entre os dias 12 e 14 de setembro, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

De acordo com o capitão, a decisão de deixar o lugar do tenista número 2 de simples em aberto é uma maneira de estimular os candidatos a se superarem e entrarem ainda mais motivados para a disputa. "A experiência na semana de treino aguça a vontade do tenista. No momento em que ele está ali, tem de fazer o melhor para buscar a vaga. O nível do jogador aumenta com esse desafio", afirma.

Zwetsch é enfático ao destacar que Bellucci e os duplistas ocupam um patamar superior aos demais. Ele explica que a presença de Clezar faz parte de um desejo de longa data de renovação da equipe brasileira e do desenvolvimento de um trabalho que possa acelerar o crescimento dos jovens. " O Brasil tem uma defasagem de nível quando se trata do segundo jogador e ficou cada vez mais clara a necessidade de usar a Davis como uma espécie de trampolim. (A transição) será feita com coerência e com jovens que tenham condição de manter a equipe competitiva", diz.

Além do gaúcho Guilherme Clezar, o nome de Thiago Monteiro ganha força entre as promessas. Depois de conversar com o técnico Larri Passos e com o ex-jogador Gustavo Kuerten, João resolveu seguir o conselho dos veteranos de que o jovem tenista ainda não está preparado para um momento de tanta pressão e optou por deixá-lo fora da convocação desta terça.

Já a sua escolha por Rogerinho deve-se ao empenho que foi mostrado pelo paulista em participações anteriores na Davis e em momentos decisivos de sua carreira, como o US Open de 2013. "Depois do ultimo confronto contra o Equador (pelo Zonal Americano, em abril), Rogério teria de estar na equipe a não ser que acontecesse algo contundente que tivesse que substitui-lo", justifica João.

Apesar de aparecer em 113.º lugar no ranking da ATP - atrás apenas de Thomaz Bellucci entre os brasileiros -, João Souza acabou preterido por Zwetsch. O capitão admite que o tenista vive seu melhor momento em quadra, mas aponta que ele nunca apresentou uma prova contundente de que deveria ser o escolhido e até questiona se o atleta seria capaz de aguentar um grande desgaste físico. Além disso, considera que Feijão possui o mesmo nível técnico de seus eleitos - Clezar (190.º) e Rogerinho (162.º). "Reconheço que ele está em um melhor momento, melhor fase que o Rogério, mas melhor fase não significa um nível diferente", compara. Mas isso não quer dizer que o tenista de Mogi das Cruzes está descartado em listas futuras. "Se continuar assim, terá sua oportunidade", garante. 

A Espanha também anunciou os seus convocados nesta terça-feira e será composta por Roberto Batista Augut (19.º do mundo), Marcelo Granollers (42.º) e pelos duplistas David Marrero (13.º) e Marc Lopez (22.º). Assim, o capitão Carlos Moyá ratificou as ausências de Rafael Nadal, que se recupera de lesão no punho, David Ferrer e Tommy Robredo, que já tinham divulgado que não viriam ao Brasil. Mesmo com a ausência de seus três principais tenistas, os espanhóis serão um páreo duro para o Brasil.

O capitão reconhece o favoritismo espanhol, no entanto, espera contar com o "fator casa" durante os jogos. "Obviamente que a não vinda de Nadal e Ferrer deixa o Brasil com um pouco mais de chance no confronto. Outras vantagens que podem ajudar é o fato de jogar em casa e de a torcida brasileira ser entusiasmada."

HISTÓRIA

Brasil e Espanha já se enfrentaram sete vezes na história da Copa Davis, com cinco vitórias para os europeus. No entanto, o time brasileiro levou a melhor no último encontro, em 1999. Formada por Fernando Meligeni, Gustavo Kuerten, Jaime Oncins e Márcio Carlson, a equipe não deu chance para os espanhóis Alex Corretja, Albert Costa, Carlos Moya e Felix Mantilla mesmo atuando fora de casa, em Lérida.

Na última vez em que a equipe nacional jogou em casa pela competição, o Brasil teve o que comemorar. Em setembro de 2012, o País superou a Rússia por 5 a 0, em São José do Rio Preto, e se garantiu na elite da competição depois de nove anos de jejum. Já São Paulo não recebe a Davis desde 1996, quando o Brasil encarou a Áustria no Hotel Transamérica. O time austríaco, liderado por Thomas Muster, abandonou a disputa e se despediu derrotado por 4 a 1.

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