Situação de Puerta se complica mais

Numa já desesperada tentativa de provar sua inocência, o tenista Mariano Puerta entrou com uma defesa oficial sobre a denúncia de doping em Roland Garros, divulgada pelo jornal francês L´Equipe na última quarta-feira. Contratou o escritório britânico do advogado Charles Russell. A representação garante que o tenista não tomou nem deliberadamente ou inconcientemente qualquer substância proibida durante do Aberto da França. Apesar da negativa, o L´Equipe divulgou, nesta quinta, uma nova reportagem que complica ainda mais a situação do vice-campeão de Roland Garros. O diário diz que o agente do tenista, Jorge Brasero, representou Puerta no dia da contra-prova no laboratório Chatenay-Malabry, realizada em setembro. Com isso, a alegação de que não sabia de nada e nem tampouco havia sido notificado cai por água abaixo. A própria ATP já deixou transparecer que existe uma investigação, como declarou o seu diretor para a América Latina, Benito Barbadillo. ?Não podemos falar nada se existe algum processo em andamento. Portanto, não tenho nada a declarar?. Em meio a mais um escândalo, a Federação Internacional de Tênis (ITF) sugere um programa educativo para os tenistas. A entidade vai, a partir de 2006, ter maior controle e autonomia nos casos de doping, tirando esta função da ATP, que vem se mostrando inapta. O presidente da ITF, o italiano Francesco Ricci Bitti, disse que é preciso vigiar o ambiente do tênis. ?Temos de controlar também os profissionais que trabalham ao lado dos tenistas, pois eles podem ser os responsáveis por estes casos de doping?, alertou o dirigente. A mesma idéia é compartilhada pelo presidente da Associação Argentina de Tênis, Enrique Morea, que já parece convencido de que não haverá esperanças para Puerta. ?Infelizmente sempre que surge uma notícia, mais tarde se confirma?, admitiu Morea. ?Precisamos estar atentos às pessoas que orientam os jogadores argentinos?. Atormentado pela situação, Mariano Puerta acabou perdendo seu jogo desta quinta diante do cipriota Marcos Baghdatis, por 2 sets a 1, válido pelo Aberto de Tóquio (Japão). Manteve sua opinião de ser inocente e não comentou a possibilidade de perder o prêmio de US$ 734 mil do vice-campeonato em Roland Garros. Em outros casos, o tenista punido por doping, além de perder os pontos no ranking, tem de devolver o prêmio ganho. Mas, com Puerta a situação é inédita. Por ser reincidente, estaria banido do esporte. Portanto, não faria qualquer diferença perder pontos e a ATP não teria mais condições de recuperar o dinheiro pelo fato de o tenista se desligar da associação. Novo caso - Aparentemente já convencido de que Mariano Puerta será mesmo punido, o jornal argentino La Nación denuncia o doping de outro tenista do país durante do torneio de Roland Garros. É do duplista Mariano Hood, que teria usado a substância finasteride, recomendável para queda de cabelo (o tenista é bastante calvo, apesar de ter apenas 32 anos), mas a droga a partir deste ano passou a ser proibida. Os diversos casos de doping na Argentina causam também repercussões em seus adversários. Na Suécia - que terá os argentinos pela frente na primeira rodada da Copa Davis de 2006 - o tenista Jonas Bjorkman comentou que não se trata de ?uma caçada aos argentinos?, mas uma terrível constatação. ?Se quatro dos cinco melhores tenistas argentinos tiveram problemas de doping, vejo evidências perigosas. É trágico que um vice-campeão de Roland Garros seja denunciado por uso de droga?.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2005 | 18h29

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