Petr David Josek/AP
Petr David Josek/AP

Sob ameaça na América do Sul, torneios de saibro preocupam chefe de Roland Garros

Presidente da Federação Francesa de Tênis considera que piso é o mais apropriado para a formação de jovens atletas

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

08 de junho de 2017 | 07h14

Antes valorizado pelo mundo, o saibro vem perdendo espaço no circuito profissional de tênis. Grandes torneios, como os de Acapulco e Stuttgart, deixaram a terra batida recentemente. E até competições na América do Sul, tradicional reduto do piso lento, cogitam mudar para quadra rápida no futuro, casos do Rio Open e do Brasil Open. Esta redução no número de torneios na superfície preocupa o presidente da Federação Francesa de Tênis (FFT), Bernard Giudicelli, responsável por organizar Roland Garros, o maior torneio de saibro do circuito.

"Com certeza esta é uma grande preocupação para nós porque consideramos o saibro a melhor piso para aprender a jogar e promover jovens jogadores. E, em segundo lugar, consideramos que pode ser a superfície com maior facilidade para difundir o tênis pelo mundo", disse Giudicelli em entrevista a quatro veículos internacionais - da imprensa brasileira, somente o Estado estava presente.

Para o dirigente, a maior facilidade de aprender a modalidade no piso mais lento é o maior trunfo do saibro. "Se você quer aprender tênis hoje, o melhor piso é o saibro porque exige mais do seu corpo e da sua mente. Não é à toa que Roland Garros é o torneio mais difícil de se vencer", afirmou, referindo-se à resistência física e mental das partidas mais longas, em Paris.

Giudicelli, contudo, admite que o saibro apresenta desvantagens, em comparação a outras superfícies, por exigir maior gasto com manutenção. "Sei que hoje temos que encarar a cultura do circuito. É mais fácil manter quadras duras, não se tem muito trabalho com manutenção. Mas nós sediamos o torneio mundial de tênis no saibro e estamos comprometidos a defender e promover o saibro", disse o presidente da FFT.

É por essa razão que a entidade vem tentando divulgar o saibro em outros países nos últimos anos. E o maior alvo são as crianças e os jovens jogadores. A maior iniciativa é o Rendez-Vous à Roland Garros, torneio que é uma seletiva para a chave juvenil do Grand Slam. Neste ano, a competição foi disputada em seis países, incluindo o Brasil.

Outra é a criação do Troféu Internacional Philippe Chatrier para premiar com 1 milhão de euros (cerca de R$ 3,7 milhões) o país que obtiver o melhor rendimento nas chaves juvenis da competição. Nesta disputa, os resultados dos garotos e garotas resultam em pontos num ranking que vai definir a nação com o melhor desempenho em Roland Garros. Não fazem parte do troféu Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, por já contarem com torneios de Grand Slam.

OS NÚMEROS MOSTRAM A QUEDA

A redução do espaço das competições de saibro é visível nos calendários da ATP e da WTA deste ano. No circuito masculino, o piso lento está presente em 32% dos torneios. No feminino, é ainda menor: 24%.

Para a Federação Francesa de Tênis, outro número assusta os fãs de saibro no país. Somente 13% das quadras francesas são de terra batida, segundo dados da Associação para o Desenvolvimento da Terra Batida, sediada em Paris. Para efeito de comparação, este número era de 98% na década de 50.

Ao mesmo tempo, os resultados dos franceses no saibro vêm decaindo nos últimos anos. Não por acaso, nenhum tenista da casa fatura o título na chave masculina desde o troféu conquistado por Yannick Noah em 1983. Neste ano o melhor francês foi Gael Monfils, eliminado nas oitavas de final.

NA AMÉRICA DO SUL

Na contramão da Federação Francesa, as competições sul-americanas cogitam abandonar o saibro nos próximos anos. Os torneios sediados no Rio de Janeiro, São Paulo, Buenos Aires e Quito discutem a possibilidade de uma mudança em conjunto para a quadra rápida. O objetivo é tornar as competições mais atrativas para os tenistas do Top 10, que estão vindo do Aberto da Austrália e miram os norte-americanos Masters 1000 de Indian Wells e Miami, todos em piso duro.

Em entrevista ao Estado, em fevereiro, o diretor do Rio Open, Luiz Carvalho, afirmou que a meta da competição é liderar esta mudança no continente. E assim se credenciar para ganhar um upgrade no circuito, tornando-se um torneio de nível Masters 1000 num prazo de três anos. O Rio Open e os demais eventos sul-americanos ainda negociam a grande alteração na região junto à ATP.

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