'Temporada é uma das melhores da minha vida', diz Rafael Nadal

Em entrevista exclusiva, número 1 diz que convive com as dores no joelho e, em ano incrível, fala do retorno ao Brasil em 2014, para disputar o Rio Open

Amanda Romanelli, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2013 | 07h30

SÃO PAULO - Rafael Nadal desembarcou em São Paulo, em fevereiro, diante do desconhecido. Após sete meses de recuperação, ele voltava ao circuito ainda preocupado com as reações do joelho esquerdo, lesionado. Não fazia previsões para a temporada. Tudo o que poderia fazer no ano estava condicionado à sua saúde.

 

Oito meses depois, a passagem pelo Brasil pode ser encarada como o marco de um ano mágico. No Ginásio do Ibirapuera, o tenista de 27 anos ganhou seu primeiro título da temporada. Desde então, foi o único a vencer dois Grand Slams – incluindo o oitavo título em Roland Garros – e retomou a liderança do ranking.

 

Ao Estado, Nadal fala do quanto está surpreso com os resultados que teve até agora e de seu retorno ao País: ele disputará o Rio Open, ATP 500, de 15 a 23 de fevereiro no Jockey Club, e sonha em competir na Olimpíada de 2016.

 

ESTADO - Quando você esteve em São Paulo, você disse que ser número 1 do mundo não era um objetivo real. Passados oito meses, como é ter reconquistado o posto?

 

RAFAEL NADAL - Acredito que trabalhei muito para este ano, os resultados saíram e joguei bem em algumas ocasiões.

 

ESTADO - Depois de tanto tempo parado por causa de uma lesão, como é jogar e vencer partidas duríssimas como as que você enfrentou, por exemplo, Novak Djokovic, em Roland Garros e no US Open?

 

RAFAEL NADAL - A verdade é que se alguém tivesse me dito, quando eu estava lesionado, que estaria onde estou agora, não teria acreditado de jeito nenhum. Nem eu, nem ninguém da minha equipe, pensava que seria possível uma volta tão forte. Trabalhei muito para poder estar em forma para competir e posso ver os resultados agora. Estou contente com o que tem acontecido e também como foi bom o trabalho que fiz durante os sete meses da minha lesão.

ESTADO - Para quem não sabia, em fevereiro, o que iria acontecer na temporada, como foi ser o único tenista do ano a vencer dois Grand Slams, incluindo o histórico 8º título em Roland Garros?

 

RAFAEL NADAL - Nunca imaginei que isso iria acontecer. O que tratei de fazer foi me sentir competitivo, mas não pensei que iria ganhar tantos Masters e dois Grand Slams. É mais do que um sonho, estou muito feliz.

 

ESTADO - Voltando ao início do ano: ao reestrear em Viña del Mar, que tipo de temporada você e sua equipe tinham planejado?

 

RAFAEL NADAL - Para mim, já em 2005 a gira sul-americana teve muita importância, porque foi o primeiro ano em que eu ganhei Roland Garros. Este ano pude voltar. Tive uma final no Chile e, mesmo com todos os problemas que passei em São Paulo, ao final fui campeão. Foi muito importante chegar em Acapulco e jogar verdadeiramente um dos melhores tênis da temporada. A final contra o David Ferrer (vencida por 6/0 e 6/2, em 65 minutos), um rival de altíssimo nível; a forma como joguei... Fiquei muito contente.

 

ESTADO - Você planeja disputar a temporada completa em 2014? Estará no Australian Open?

 

RAFAEL NADAL - Minha meta é estar bem em cada torneio que eu possa jogar. A saúde é o mais importante. E estar em condições de disputar os títulos é o meu objetivo real.

 

ESTADO - O quanto seu joelho esquerdo ainda é uma preocupação?

 

RAFAEL NADAL - As dores não me atrapalham, não é mais um fator determinante.

 

ESTADO - A temporada não chegou ao fim, mas já se pode dizer que é uma das mais memoráveis de sua carreira?

 

RAFAEL NADAL - É uma das melhores da minha história.

 

ESTADO - Qual foi o atrativo para que você decidisse colocar o Rio Open em seu calendário?

 

RAFAEL NADAL - Como disse, a gira sul-americana tem muita importância para mim e decidi jogar parte do calendário na América do Sul, como é o caso do Rio, em vez de ir a outros lugares.

 

ESTADO - Você não pôde jogar a Olimpíada de Londres e colocou os Jogos do Rio, em 2016, como uma meta. O que significa para você estar na sede da próxima Olimpíada com dois anos de antecedência?

 

RAFAEL NADAL - Há tempos digo que meu objetivo é jogar a Olimpíada do Rio. É meu objetivo a longo prazo no tênis. Fico imaginando ganhar uma medalha no Brasil, seria uma coisa incrível. Mas ainda falta muito tempo e agora estou focado nesta temporada e em jogar cada torneio de maneira saudável. Mas seria um sonho, evidentemente, porque a sensação de ganhar uma medalha para o seu país é única, algo que só pode acontecer a cada quatro anos. É isso que faz da Olimpíada algo distinto dos Grand Slams. Tomara que eu possa estar no Rio em 2016. Seria um sinal de que tudo correu bem.

 

ESTADO - Você já conhece São Paulo. O que espera encontrar no Rio?

 

RAFAEL NADAL - Para muita gente no mundo, a imagem do Brasil é o Rio. Na Espanha, chamamos a seleção brasileira de seleção carioca. É um erro, sabemos que carioca é quem é do Rio. Mas imagino as praias, do Cristo, é a primeira coisa que pensamos da cidade. Mas, como em tudo, temos que conhecer para depois poder falar, saber como é. Eu tenho muita vontade de chegar aí para conhecer o Rio de verdade. Não sei se vou poder, nos torneios não conseguimos sair muito. Mas, evidentemente, quero ir à praia de Copacabana e aos locais mais emblemáticos da cidade. Tomara que eu tenha tempo!

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