Tênis brasileiro vive um impasse

Acuado e com perspectivas sombrias, o presidente da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), Nelson Nastás, deverá fazer um comunicado oficial nesta sexta-feira, ou até mesmo conceder uma entrevista coletiva, para explicar a atual crise do tênis brasileiro. É possivel até que apresente um pedido de renúncia, como foi cogitado hoje, em razão da provável demissão de três vice-presidentes de sua confiança, Francisco Nemésio Albuquerque, Aristides Marques e Carlos Alberto Assis, que estariam temendo envolvimentos.Apesar disso, o grupo de oposição, liderado pela Federação de Santa Catarina, não descansa e se mobiliza para convocar uma Assembléia Extraordinária e tentar destituir o atual presidente da CBT. Assim, os jogadores poderiam voltar atrás no boicote. E Gustavo Kuerten representaria o Brasil diante do Paraguai, de 9 a 11 de abril, com seu técnico Larri Passos como novo capitão da equipe da Copa Davis.Nastás confia em seu bom relacionamento para manter-se no cargo e esclarecer as denúncias que vão da não prestação de contas até a formação de quadrilha e estelionato. Em reuniões com advogados, espera apresentar sua defesa. O mais difícil, porém, será encontrar jogadores dispostos a integrar a equipe para o confronto com o Paraguai.Enquanto isso, a oposição, com a bandeira de buscar uma rápida solução para o Brasil ter uma equipe competitiva diante do Paraguai, vai precisar cumprir algumas etapas. A primeira seria certificar-se de que teria maioria absoluta, ou seja, 13 dos 25 votos dos presidentes das federações de todo o País.O líder do movimento, o presidente da Federação Catarinense, Jorge Lacerda Rosa, está confiante. "Hoje temos o Nelson Nastás de um lado e o resto do tênis brasileiro de outro", afirmou o dirigente de Santa Catarina. "Vamos pedir esta assembléia extraordinária em juízo, pois com a CBT, logicamente, não vai adiantar."Para convocar uma assembléia extraordinária, a oposição precisa de um pedido formulado por cinco presidentes de federações, o que não parece ser problema. A única dúvida persiste em conseguir-se a maioria absoluta. "Num primeiro momento temos de resolver o impasse da Copa Davis", afirmou Jorge Lacerda Rosa. "Com a saída do Nastás, os próprios jogadores já declararam que voltam a defender o Brasil. E teríamos, então, condições de vencer o Paraguai."Caso a oposição alcance êxito, Jorge Lacerda Rosa tem planos de criar uma comissão formada por três presidentes de federações para administrar a CBT até a realização de novas eleições. O dirigente catarinense não pretende entrar com pedido de intervenção, pois acredita que neste caso o caminho seria muito demorado e não solucionaria a crise na Copa Davis. Afinal, até o dia 30 de março, o Brasil tem de inscrever os jogadores na Federação Internacional de Tênis (ITF).

Agencia Estado,

11 de março de 2004 | 18h31

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