Tênis do Brasil vive momento delicado

Enquanto ainda se procura uma saída para a crise na Copa Davis, o tênis brasileiro revela uma dura realidade: há menos jogadores disputando os grandes torneios, como Indian Wells ou os Grand Slams, do que antes da ´era Guga´ que começou em 1997, com o primeiro título de Gustavo Kuerten em Roland Garros. Esta semana, apenas dois tenistas estiveram em ação numa das principais competições do circuito da ATP, e com a derrota de Guga e Flávio Saretta nas primeiras rodadas o Brasil fica sem representantes.Esta situação confirma uma frase de Guga, que hoje em dia parece estar ainda mais difícil se formar tenistas do que antes de seu aparecimento. Isso comprova que toda repercussão no esporte, com maior divulgação, mercado mais agitado e um número maior de interessados não se revelou em novos valores. Este fato pode determinar o mesmo fim do tênis feminino brasileiro, que teve uma das maiores jogadoras da história, como Maria Esther Bueno, e atualmente não há sequer uma tenista nas principais competições da WTA, o circuito feminino.Entre os homens, praticamente o Brasil depende apenas dos resultados de Guga. Em outros tempos, pelo menos havia uma quantidade maior de tenistas em ação. A década de 90 revelou-se a mais frutífera do tênis brasileiro. Em 1991, por exemplo, o torneio de Wimbledon teve o número recorde de cinco jogadores do Brasil na chave principal. Bons tempos em que Luiz Mattar ganhou de Shuzo Matsuoka, Danilo Marcelino encontrou com Pete Sampras - que fazia sua estréia em Wimbledon - Jaime Oncins jogou com John McEnroe, e Fernando Roese e Cássio Motta também estiveram na competição. Na mesma época, Roland Garros contou com um exército de brasileiros, com Carlos Kirmayr, Cássio Motta, Luiz Mattar, Danilo Marcelino, Júlio Góes, Ivan Kley e Marcos Hocevar. É claro que nenhum deles chegou a títulos como Guga, mas, por outro lado, havia um número maior de profissionais no circuito.Safra - Hoje, atrás de Guga estão vindo poucos jogadores, como Leonardo Kirche, Alexandre Bonatto e Bruno Soares, tenista que venceu dois torneios da série Future nas últimas semanas, conquistando os títulos de Florianópolis e do IV Tennis Classic de Rio Quente Resort.Entre os juvenis, o Brasil sempre teve jogadores nas posições de liderança, como Roberto Jábali, ex-número 1 do mundo, ou Gisele Faria, também líder da modalidade. Agora, são poucas as esperanças, quando era de se acreditar que da quantidade sairia a qualidade do tênis brasileiro.

Agencia Estado,

15 de março de 2004 | 19h03

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