Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Tenista Thomaz Bellucci correu riscos ao esconder doping

Atleta e advogado optaram por não aceitar suspensão provisória, praxe no tênis. Sanção foi só de cinco meses

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

06 Janeiro 2018 | 07h00

Uma arriscada estratégia de defesa permitiu a Thomaz Bellucci evitar o tribunal de doping da Federação Internacional de Tênis (ITF) e escapar de uma suspensão de dois a quatro anos. O resultado positivo, na avaliação do seu advogado, passou pela decisão de não aceitar uma suspensão provisória, praxe nos casos desse tipo na modalidade. Como consequência, levou gancho de só cinco meses.

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Se tivesse aceitado a suspensão, Bellucci teria o caso de doping divulgado em setembro – seriam longos três meses de desgaste entre a denúncia e a decisão final da ITF, anunciada no dia 31 de dezembro.

Casos de doping costumam gerar suspensão provisória automática, mas ela não se aplica se o atleta comprovar em audiência preliminar que a violação pode ter envolvido um produto contaminado.

Foi por isso que Bellucci não teve sua acusação de doping divulgada ainda em setembro – ele só foi notificado da suspensão no fim de dezembro. “Decidimos não aceitar a suspensão provisória porque tínhamos certeza na absolvição”, disse o advogado Pedro Fida, ao Estado.

Diante do risco de suspensão de até quatro anos, a sanção de cinco meses surpreendeu, principalmente por contar do dia 1.º de setembro, antes da data da denúncia (dia 18 do mesmo mês). Bellucci poderá voltar a jogar no dia 1.º de fevereiro. “Os patrocinadores entenderam. Não acredito que será uma mancha na minha carreira”, afirma.

Bellucci alegou que o doping pelo diurético hidroclorotiazida – proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada) por mascarar outras substâncias – foi fruto de contaminação cruzada nos suplementos vitamínicos. Eles eram manipulados por duas farmácias. Uma delas era a Body Lab Farmácia de Manipulação Ltda, do Rio de Janeiro, que nega o erro.

Bellucci encaminhou dois frascos com os suplementos fabricados na farmácia, um de junho de 2017, ainda aberto, e outro de agosto do mesmo ano, ainda lacrado, para análise privada. Segundo a defesa, nos dois foi constatada a presença de hidroclorotiazida, apesar de a receita médica não prescrever a substância. Testes encomendados pela ITF atestaram esses resultados.

O tenista mandou amostras do seu cabelo para exames com a intenção de comprovar que o diurético não mascarou outra substância dopante, caso de esteroides. Esses testes, segundo relatório da ITF ao qual o Estado teve acesso, foram realizados pelo Korva Labs, laboratório de Los Angeles. Todos os exames foram refeitos pela ITF, que repreendeu Bellucci pela iniciativa de fazer exames em laboratório particular.

A Federação também reprovou a abertura do frasco que ainda estava selado. E também criticou o brasileiro por não ter anunciado que estava tomando suplemento, o que é praxe em formulários entregues aos tenistas antes do início dos torneios. Apesar disso, a entidade constatou a falta de intenção do brasileiro em obter benefícios com a ingestão do suplemento contaminado. O tenista sofre com problema crônico de perda de líquido durante as partidas. O diurético tenderia a piorar esta sua limitação física.

Diante da investigação, Bellucci se afastou das competições por precaução e adiou os planos de morar nos Estados Unidos, como revelou ao Estado. Com a denúncia, decidiu viajar somente ontem e retomar os treinos. (COLABORARAM MARCIO DOLZAN e PAULO FAVERO)

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