Luis Acosta/AFP
Luis Acosta/AFP

Tenistas brasileiros aprovam 'nova' Davis por ajuda no calendário

Para atletas do País, disputa em sede única e em uma semana reduz desgaste e facilita preparação dos atletas

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2019 | 04h30

A temporada 2019 contará com uma mudança de peso no circuito masculino de tênis. A Copa Davis será totalmente reformulada, com consequências dentro e fora das quadras. Para os críticos, será o fim da mais famosa competição entre equipes do mundo. Mas, para os tenistas brasileiros, será uma oportunidade para renovar o torneio centenário e aliviar o calendário.

A principal alteração é a concentração de toda a disputa do Grupo Mundial, a elite da Davis, em apenas um lugar e em somente uma semana de jogos. Em 2019, a sede será Madri. A cidade espanhola vai receber as 18 melhores equipes do mundo para os confrontos entre 18 e 24 de novembro.

A concentração em apenas uma cidade gerou críticas semelhantes às que foram feitas à Conmebol em razão da final única da Copa Libertadores em uma cidade neutra. Para os fãs de tênis, a ausência de jogos diante das torcidas locais acabaria com a tradição da Davis, conhecida pela festa e participação dos fãs nas partidas.

Mas os tenistas do Brasil pensam de maneira diferente. “Achei interessante as mudanças. É um formato diferente, novo, moderno. É uma Copa do Mundo, tem tudo para dar certo. Se a gente entrar no mérito da história e tradição da Davis, vamos ficar três dias conversando. Mas o mais importante é que a Davis estava precisando de mudança”, opina Bruno Soares.

Acostumado a defender o Brasil nos jogos de duplas na Davis, ele revela que as alterações eram um pedido antigo dos próprios tenistas. “Há muitos anos os jogadores estão brigando com a ITF (Federação Internacional de Tênis) para fazer alguma coisa. Agora estão tentando. Se é o ideal, não sabemos. Mas acho mais válido tentarem alguma coisa nova em vez de ficarem na mesmice”, diz Soares, que faz parte do Conselho dos Jogadores da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais).

Na avaliação de Soares, que voltará a defender o Brasil em 2019, o formato antigo da Davis estava afastando os melhores tenistas do mundo por causa do calendário apertado e também em razão do sistema de jogo, considerado mais cansativo. A “velha” Davis era disputada em melhor de cinco sets – as partidas passavam de três horas com frequência – e tinha confrontos em melhor de cinco jogos. A partir de agora, serão duelos de três sets e apenas três partidas: duas de simples e uma de duplas.

Com 11 temporadas de Davis no currículo, Thomaz Bellucci também aprovou as mudanças. “Eram necessárias, tanto para os atletas quanto para os organizadores. Não estava legal o formato. A maioria dos tenistas top não estava jogando, para quem jogava era muito desgastante”, comentou.

“Teve gente que não gostou, mas acho que tem coisas que precisam evoluir no esporte. E o tênis é assim, praticamente nada mudou nos últimos 50 anos no circuito. Com o desgaste físico que temos atualmente nos jogos, não dava para jogar de janeiro até dezembro”, afirmou o tenista.

Na prática, a Davis vai continuar ocupando o mesmo espaço no calendário. A alteração vai acontecer somente para as melhores equipes, que jogarão apenas a parte final, concentrada em uma semana, no fim do ano. Para os demais times, haverá pouca novidade nos Zonais, com o mesmo número de datas e duelos em casa e fora.

'REFRESCO'

Referência do time brasileiro neste ano na Davis, Thiago Monteiro aprovou a mudança também devido ao melhor calendário para os jogadores. “Vai se perder um pouco deste espírito da competição por ser apenas uma semana, em um campo neutro. Vai ser diferente, mas a maioria dos jogadores apoiou.”

Convocado novamente para a equipe, ele alerta que o duelo com a Bélgica na fase qualificatória, em fevereiro, pode ser o último confronto do Brasil em casa pelos próximos anos. Para isso, claro, a equipe precisará permanecer na elite da Davis.

Guilherme Clezar vê as mudanças como positivas. “É um pouco controverso. Mas, em questão de calendário, para os jogadores será um pouco mais fácil encaixar os confrontos. Muitas vezes a Davis caía numa semana que envolvia viagem muito longa, troca de piso, o que podia influenciar um jogador a não querer jogar.”

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.