Torcida empurrou Espanha na Davis

Uma das maiores potências do tênis da atualidade, a Espanha conquistou pela segunda vez o título da Copa Davis. O ídolo Carlos Moyá marcou o ponto decisivo do confronto com os Estados Unidos ao vencer o número 2 do ranking mundial, o norte-americano Andy Roddick, por 6/2, 7/6 (7/1) e 7/6 (7/5), numa atmosfera parecida com as dos campos de futebol. A popularidade do tênis entre os espanhóis levou a Real Federação Espanhola a ousar e transformar uma arena de touros num gigantesco estádio, em Sevilha. Neste cenário estabeleceu-se novo recorde de público para jogos oficiais da modalidade, com mais de 27 mil pessoas, torcendo e gritando. Com o confronto já decidido, apenas para cumprir tabela, o norte-americano Mardy Fish fez o segundo ponto de seu país, ao superar Tommy Robredo por 7/6 (10/8) e 6/2."É incrível...há muitos anos esperava por esse dia", disse Moyá, que não participou da equipe espanhola na primeira conquista da Davis, em 2000, diante da Austrália, em Barcelona. "Me preparei muito para esse dia. Sabia que numa quadra de saibro teríamos chances. Esta conquista é um sonho. Não posso pedir mais nada." O incontestável domínio espanhol na final deve, porém, gerar muitas polêmicas. Afinal, num estádio lotado, com emoções de sobra na quadra e euforia da torcida, regras de etiqueta, comportamento e ética do tênis não foram nem lembradas. Até mesmo o príncipe de Astúrias, Felipe, não se conteve e, em certo momento, levantou-se da cadeira para aplaudir uma dupla falta de Roddick, uma atitude de desrespeito que os jogadores odeiam.Neste clima, com gente exaltada, como um torcedor que chegou a pular para dentro da quadra, o juiz de cadeira, o português Carlos Ramos, não manteve o controle sobre o público. Pedia silêncio, mas a comemoração era tamanha, que Roddick sacava no meio de uma balburdia. Por isso, esse confronto em Sevilha deve ser um marco no tênis e estabelecer uma maior participação do público que poderá, enfim, ?invadir? também as quadras, habitualmente serenas e quietas durante as disputas de pontos, e onde aplaudir erros nunca foi bem recebido.

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