Jewel Samad/AFP
Jewel Samad/AFP

Transição da temporada de tênis para o saibro deixa muitas questões sem resposta

Fases incertas de principais nomes do ranking feminino deixa torneios como Roland Garros sem favorito definido

Christopher Clarey, The New York Times

13 de abril de 2019 | 14h00

A principal temporada de tênis em quadra de saibro está oficialmente em marcha, mas desta vez, em especial, não se sabe como a poeira vai assentar. Se Rafael Nadal sarou mesmo do problema no joelho direito três semanas atrás, continua sendo o homem a se vencer na quadra mais áspera. Ninguém mais conquistou 11 títulos de simples no Aberto da França, e as previsões são de que ninguém mais conquistará.

Mas o lado feminino vive uma desafiadora incerteza, com 14 diferentes vencedoras nos 14 primeiros torneios da temporada. E nenhuma delas se chama Serena Williams, Maria Shaparova ou Simona Halep.

“É de longe a temporada mais imprevisível de que me lembro”, disse na terça-feira Chris Evert, ex-número 1 e sete vezes vencedor do Aberto da França. “Nenhuma parece ter uma vantagem óbvia sobre as outras. E não se trata apenas da proximidade quanto a talento e preparo. Atitudes, emoções, boa forma e contusões também contam. Não consigo fazer previsões.”

Williams não ganhou um único título desde sua voltas às quadras em março de 2018, após dar à luz sua filha. Ela disputou apenas três torneios nesta temporada e não terminou nenhum deles sentindo-se em forma. Ela torceu o tornozelo quando estava perto da vitória numa quarta de final do Aberto da Austrália contra Karolina Pliskova e perdeu a liderança de 5-1 no terceiro set, incapaz de converter em match points.

Mas subestimar Williams é um erro. Ela fez algumas partidas brilhantes neste ano, tocando com maestria a bola em alguns dos primeiros jogos da Austrália e novamente em sua vitória contra Victoria Azarenka em Indiana Wells. “Uma Serena em forma é uma Serena perigosa”, disse Evert. “Ela não esteve bem até  aqui, mas ainda leva vantagem em força e experiência.”

Williams também tem mais viórias no saibro que qualquer outra tenista em atividade: 170-34. Sua porcentagem de vitórias, 83,3%, a coloca à frente de Sharapova, que tem 81,5% e deixa muitas dúvidas quanto a sua forma e seu futuro no tênis, aos 31 anos. Feliz fora das quadras, mas vulnerável nelas, ela não joga desde janeiro por causa de contusões e não chegou a nenhuma final desde que venceu o aberto de Tianjin, em outubro de 2017.

Halep detém os melhores números em quadra de saibro das temporadas recentes e lidera o torneio WTA em quadras de saibro, o que dá mais peso a resultados recentes. Mas, mesmo chegando novamente perto de ser a número 1, Halep, de 27 anos, dificilmente é a tenista mais importante. Ela venceu o Aberto da França do ano passado, seu primeiro título de simples num Grand Slam. Mas não ganhou outro título em quadra de saibro desde Madri, em maio de 2017, e não venceu um torneio em qualquer quadra desde a Taça Rogers, no Canadá, em agosto.

Sem Darren Cahil como técnico nesta temporada, Halep não parece a mesma força resoluta e seletivamente agressiva, embora seu desempenho nas semifinais do Aberto de Miam na semana passada tenha sido encorajador. Os maiores prêmios de 2019 foram para tenistas mais jovens, codas com menos de 23 anos.

Naomi Osaka, de 21 anos, conquistou seu primeiro Grand Slam no Aberto da Austrália e continua sendo a número 1, com vantagem mínima. Belinda Bencic, de 22 anos, venceu o Premier 5, de Dubai. Mais surpreendentemente, Bianca Andreescu, de 18 anos, venceu o Premier Mandatory em Indian Wells, e Asleigh Barty, de 22, confirmou sua firme ascensão vencendo em Miami. Andreescu e Barty tem meios de triunfar no saibro, com seus fortes totspins de direita, sua agilidade com o pés seus forehand slices.

Osaka perdeu o embalo desde o surpreendente rompimento com seu técnico, Sascha Bajin, depois do Aberto da Austrália. Ela contratou a ex-hitting partner de Venus Williams, Jermaine Jenkins. Por enquanto, Osaka está apenas em 3-3 desde que venceu em Melbourne, com derrotas para Kristina Mladenovic em Dubai, Bencic em Indian Wells e Hsieh Su-wei em Miami.

Novak Djokovic, o número 1 entre os homens, perdeu em Indian Wells e Miami. Mas ele já ganhou três títulos Grand Slam de simples. Nadal, de 32 anos, continua brigando com o corpo. Uma tendinite recorrente no joelho direito obrigou-o a sair antes da semifinal contra Roger Federer em Indian Wells. Neste estágio da carreira, ele sabe bem qual o preço de jogar sofrendo dores, embora a dor seja uma constante para ele. Até onde ele vai?

“Quem sabe? Talvez mais dois ou três anos”, disse recentemente seu tio e ex-técnico Toni Nadal. “Rafael não é alguém que joga tênis. É alguém lesionado que joga tênis, o que é muito difícil."

Nadal deve defender seu título em Monte Carlo neste mês. Djokovic e o número 5, Dominic Thiem, os dois adversários mais óbvios de Nadal os principais títulos em quadra de saibro, devem desafiá-lo. Também o terceiro colocado, Alexander Zverev, que tem um belo recorde em quadra de saibr, mas está aindo.

Federer, aos 37 anos, após vencer em Miami tenta voltar ao saibro depois de três anos de afastamento. Ele planeja retornar em Madri, no início de Maio, após treinar na Suíça.

/ TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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