Pavel Lebeda/TK Sparta Praha
Pavel Lebeda/TK Sparta Praha

Vitória sobre nº 4 do mundo enche Bia Haddad de moral no circuito

Tenista brasileira tem resultado mais expressivo desde 1989 e vislumbra melhor temporada este ano

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 04h30

A surpreendente vitória sobre a norte-americana Sloane Stephens, então número quatro do mundo, há duas semanas, reforçou a confiança da tenista Beatriz Haddad Maia. E não por acaso. O seu maior triunfo da carreira também foi o melhor resultado de uma brasileira em 30 anos no circuito profissional. Não é pouco, portanto. “Isso mostrou que estou no caminho certo agora”, comentou a atleta em entrevista ao Estado.

“Esse resultado me deixa mais segura e confiante sobre as coisas que venho fazendo. Confiando no meu trabalho, na minha equipe também. Vou realmente entrar nos torneios da temporada agora sabendo que posso enfrentar qualquer uma do circuito. Não vou ter mais aquelas dúvidas”, afirmou a atual 150.ª do ranking.

O triunfo não foi marcante apenas para a tenista. A vitória sobre Stephens pelas oitavas de final do Torneio de Acapulco, no México, foi um feito histórico para o tênis brasileiro feminino. Foi o melhor resultado desde 1989, quando Andrea Vieira derrotou a checa Helena Sukova, então número 5 do mundo. Naquela época, o País era outro. Collor era o presidente. Os roqueiros lamentavam a morte de Raul Seixas e Emerson Fittipaldi seria campeão na F-Indy.

“Antes de entrar na quadra, eu tinha noção de que a vitória seria importante, algo que realmente me mostrasse que eu posso ter confiança e acreditar no meu jogo contra qualquer rival”, disse Bia, que tinha do outro lado da quadra uma de suas principais referências no circuito. Mas o duelo mudou a forma como a brasileira encara essas adversárias de maior currículo – Stephens foi campeã do US Open de 2017 e vice em Roland Garros, no ano passado. “Às vezes a gente mesmo coloca os jogadores top em outro patamar”, admite ela.

O resultado foi comemorado, mas Bia evitou distrações. “Fiquei feliz e contente com o meu trabalho, com a minha entrega na quadra. É para estes momentos que a gente trabalha. Ao mesmo tempo, não extrapolei, não achei que foi algo fora de série. Porque realmente eu vinha trabalhando para isso. E isso me deixa tranquila de que estou no caminho certo e que esse é só o começo.”

Após a vitória, revela a tenista, ela já pensava na próxima adversária, a chinesa Yafan Wang, 65.ª do mundo, para quem perderia nas quartas de final. “Eu precisava me preparar porque vinha de muitos jogos (teve de passar pelo qualifying). Dei algumas entrevistas porque a rival era a cabeça de chave número 1 do torneio. Acabei conquistando um pouco da torcida. Depois disso, não mudou nada. Fui jantar e já estava pensando no próximo jogo do torneio.”

A médio prazo, Bia espera que o resultado traga benefícios para o esporte, apesar da ainda pouca visibilidade do tênis feminino no Brasil. “Tudo soma, tudo ajuda. Não só o feminino, a dupla e a simples masculina ganhando também aumenta a visibilidade. Claro que quando eu entro na quadra, não penso que tenho de ganhar para aparecer. É uma consequência.”

Bia diz esperar que o público se interesse mais pelo tênis, e não somente pelos “melhores momentos”. “Torço para que as pessoas possam entender um pouco mais sobre a realidade do tênis no Brasil, para ver como é de fato, e não apenas com base naquelas jogadas incríveis ou nos highlights que aparecem no Instagram. Todo mundo erra, todo mundo comete erro não forçado, dá dupla falta, luta, faz jogo duro, leva virada.”

Apesar do bom resultado em Acapulco e da subida no ranking, ela não conseguiu vaga para disputar o qualifying de Indian Wells, nos EUA. Mas tem boas chances de ser convidada para Miami, torneio seguinte e importante no circuito. 

Mais conteúdo sobre:
Bia Haddadtênis

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.