Glyn KIRK/AFP
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Wimbledon começa com Bia Haddad em grande fase, Nadal em busca de superação e sem Federer

Torneio mais tradicional da história do tênis tem início nesta segunda-feira, com expectativa alta em relação à participação da tenista brasileira

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2022 | 05h00

Torneio mais tradicional do tênis, Wimbledon começa com expectativa alta em relação à participação de Beatriz Haddad Maia. Os brasileiros estão ansiosos para ver a paulista de 26 anos, que vive o melhor momento de sua carreira e está em ascensão após os títulos de Nottingham e Birmingham. Ela será cabeça de chave (número 23) pela primeira vez na disputa de um Grand Slam e estreia na tradicionalíssima competição diante da eslovena Kaja Juvan, 60º colocada do ranking mundial, nesta segunda-feira.

As duas taças consecutivas que levantou na grama e a boa campanha na última semana, com 12 jogos de invencibilidade, catapultaram Bia Haddad para o 28º lugar no ranking, a melhor posição de uma brasileira na classificação da WTA, empatada com a lenda Maria Esther Bueno. 

Na grama sagrada do All England Club, em Londres, Bia é considerada favorita diante de Kaja Juvan. Caso avance, terá pela frente na segunda rodada a australiana Maddison Inglis, 129 do mundo, ou a húngara Dalma Galfi, 81ª colocada no ranking feminino. Depois, pode ter uma cabeça de chave como rival.

"A Bia vem com muita força e com muitos jogos na grama. Isso também é uma grande vantagem poder ter jogado dez, 12 jogos", opina o ex-tenista Fernando Meligeni, que irá comentar o torneio pela ESPN. "Ela tem que cuidar agora um pouco do físico pra não chegar muito cansada, mas tem boa chance de jogar bem", ressalta.

Bia Haddad se inspira na lendária Maria Esther Bueno para ter uma jornada exitosa no torneio de tênis mais antigo do planeta, disputado desde 1887 e empenhado em conversar as suas tradições. A "Bailarina do Tênis" faturou três vezes o troféu na grama britânica, em 1959, 1960 e 1964 e foi ainda duas vezes vice-campeã, em 1965 e 1966.

Outra brasileira na disputa em Wimbledon é a paulista Laura Pigossi, medalha de bronze nas duplas na Olimpíada de Tóquio-2020, ao lado de Luisa Stefani, esta que ainda se recupera de grave lesão no joelho. Depois de 33 anos, o País volta a ter duas representantes em um dos quatro Grand Slams da temporada. Pigossi ganhou a vaga na disputa porque a japonesa Naomi Osaka desistiu de jogar.

"Temos de ter a coragem de olhar pro tênis feminino e olhar pra base, ver quem está trabalhando com tênis feminino e dar apoio. Acho que esse é o ponto mais importante do momento", observa Meligeni, chateado com a falta de incentivo em relação ao tênis feminino mesmo com o sucesso recente de Bia Haddad, Laura Pigossi e Luisa Stefani.

Líder do ranking, a polonesa Iga Swiatek é apontada como a favorita para levar o troféu. "Também tem a Ons Jabeur (suíça, terceira do ranking) que é uma adversária bastante complicada pra quadra de grama, ela varia muito bem", destaca Meligeni.

Os jogos da primeira rodada do torneio acontecem a partir das 7h (de Brasília) desta segunda-feira. O torneio tem transmissão do SporTV e da ESPN e a final está marcada para o dia 10 de julho. Neste ano, o certame não valerá pontos, mas isso foi eclipsado pelo prestígio do torneio, de modo que tenistas importantes como Rafael Nadal e Serena Williams superassem problemas físicos para estar em quadra.

Meligeni aponta as diferenças do jogo na grama em relação ao saibro e ao piso duro. "Taticamente você tem o problema de não poder deixar a bola muito no meio da quadra. O jogador tem de ser um pouco mais agressivo porque o deslocamento é mais difícil e precisa se defender na quadra de grama. Então existe uma maneira de jogar totalmente diferente de um saibro, que é um jogo mais lento, da quadra dura, que é um jogo médio. Na grama o jogo é muito mais rápido", diz.

Djokovic defende título e Nadal busca superação

No masculino, os destaques são o sérvio Novak Djokovic, atual tricampeão do torneio britânico, o espanhol Rafael Nadal, maior vencedor de Grand Slams na história, com 22 conquistas, seu compatriota e revelação da temporada, Carlos Alcaraz, e o norueguês Casper Ruud, finalista em Roland Garros, torneio que perdeu justamente para Nadal.

Havia dúvida se Nadal jogaria. Quarto do mundo, o espanhol decidiu atuar porque disse estar sentindo em menor grau as dores no pé esquerdo que tanto o incomodam. Sem conquistar o título na grama de Londres desde 2010 (também foi campeão em 2008), ele espera se superar na competição. Entre 2012 e 2017, por exemplo, não conseguiu nem chegar às quartas de final. Alimenta o sonho de ganhar os quatro principais troféus do tênis nesta temporada, feito que não acontece desde 1969. Seu rival na primeira rodada será o argentino Francisco Cerúndulo (42º).

Já Djokovic, ex-líder do ranking, atualmente no terceiro posto, enfrenta o sul-coreano Soonwoo Kwon (75º). Foi em Wimbledon, no ano passado, que o sérvio chegou ao 20º título de Grand Slam em sua carreira. Ele é o cabeça de chave número 1 da competição e persegue seu sétimo troféu na grama britânica. Embora não viva uma fase dominante, Djokovic é o tenista a ser batido na grama. "Para mim, o maior favorito é o Djoko", aposta Meligeni.

O Grand Slam mais antigo do esporte não terá o seu maior campeão: o suíço Roger Federer, vencedor de oito títulos, se recupera de lesão no joelho e não vai desfilar sua genialidade na grama. Será a primeira vez que o tenista não disputa o torneio desde 1999, quando esteve em Wimbledon pela primeira vez.

Entre os brasileiros, Thiago Monteiro é o representante do País na chave de simples. Ele estreia contra o espanhol Jaume Antoni Munar. Marcelo Melo, Bruno Soares e Rafael Matos estarão na disputa das duplas.

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