Charles Platiau / Reuters
Charles Platiau / Reuters

WTA atualiza seu livro de regras e beneficia mães

Mudança foi motivada pelo retorno de Serena Willians às quadras após dar à luz sua filha, Alexis

The New York Times, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2018 | 08h55

Depois de uma temporada em que o retorno da norte-americana Serena Williams após o parto forçou autoridades a fazerem ajustes imediatos nas regras, a Associação das Tenistas Profissionais (WTA, na sigla em inglês) atualizou este mês seu livro de normas e regras para dar mais flexibilidade às mães.

Anteriormente, o livro de regras da entidade regia a maternidade, lesões e doenças pelas mesmas regras, o que significa que a dispensa para gravidez das tenistas era a mesma do que para um tornozelo torcido ou dores na perna, por exemplo.

Agora, a gravidez receberá mais consideração. Uma mãe que regressa terá até três anos após o nascimento do seu filho para ser elegível a uma classificação especial para entrar nos torneios. Até agora, o máximo era um período de dois anos após sua última competição.

Jogadoras que estiverem fora dos torneios por 52 semanas ou mais por parto ou lesão também poderão usar essa classificação especial para 12 disputas, quatro a mais do que as regras indicavam anteriormente. 

Em seus primeiros oito torneios, uma jogadora que volta após ter filho entra como cabeça de chave. Isso garante a ela não enfrentar outra cabeça de chave na primeira rodada – rival que estava, por exemplo, em atividade nos jogos e treinos.

O tema recebeu atenção por causa de Serena Williams, que retornou para a competição em março, seis meses depois de dar à luz sua filha, Alexis Olympia Ohanian Jr. Classificada como número 1 na época de sua gravidez, SerenaWilliams foi retirada da lista de cabeças de chave nos três primeiros torneios que ela jogou nesta temporada, incluindo o Aberto da França.

Mas Wimbledon, que frequentemente usa critérios específicos para indicar a lista das favoritas, fez com que Serena, sete vezes campeã do torneio, entrasse como a 25.ª pré-classificada – na época ela ocupava a 183.ª posição do ranking. Na ocasião, ela terminou com o vice. 

O US Open, que havia anunciado sua própria política de dar atenção especial às mães em suas relações de cabeça de chave, colocou Serena na 17.ª posição – novamente fez a final.

Em ambos os casos, outra jogadora perdeu sua vaga como cabeça de chave para dar espaço à americana, que ganhou 23 títulos de Grand Slam. Victoria Azarenka, duas vezes campeã de simples do Grand Slam e membro do Conselho de Jogadores da WTA, manifestou satisfação com as reformas em um comunicado do torneio.

“Nossas jogadoras devem se sentir à vontade e confiantes para tirar um tempo longe das quadras para ter uma família ou se recuperar de uma lesão. Acho que essas novas normas dão apoio a isso”, disse Azarenka, que deu à luz seu filho, Leo, em 2016. “Esse é realmente um bom primeiro passo.”

Azarenka, que estava entre as dez melhores quando entrou em licença maternidade, não teve qualquer ajuda para entrar como cabeça de chave nos torneios após a gravidez e teve retorno complicado por uma prolongada disputa pela custódia.

ROUPAS

O retorno de Williams após ter um filho também ampliou os limites das regras do tênis sobre roupas de jogo. No Aberto da França, o primeiro torneio Grand Slam de seu retorno, ela ganhou os holofotes ainda mais do que o habitual por usar um macacão preto e vermelho justo, o "catsuit",  fabricado com tecnologia especial para ajudar a circulação após o parto. A roupa ousada fez furor quando Serena a vestiu em Paris, em maio, e criou ondas meses depois, quando Bernard Giudicelli, presidente da Federação Francesa de Tênis, a criticou. Giudicelli disse à France’s Tennis Magazine que o Aberto da França introduziria um código de vestimenta para evitar tais roupas em seu campeonato, porque “é preciso respeitar o jogo e o lugar”.

Embora os comentários de Giudicelli tenham sido amplamente criticados, não ficou claro que Serena Williams estivesse dentro das regras existentes. Os dirigentes geralmente não permitem que os jogadores usem leggings até o tornozelo, ou qualquer calça justa sem uma saia por cima.

A WTA agora tornou a regra explícita, permitindo que leggings e shorts de compressão até o meio do comprimento fossem usados com ou sem saia, shorts ou um vestido.

Serena usava o macacão por motivos de saúde, e não por moda, embora ela tenha dito que a roupa a fazia se sentir uma super-heroína. Ela chegou a enfrentar problemas de coágulos sanguíneos com risco de morte, inclusive após o nascimento de sua filha, por cesariana. Williams também usava calças de compressão em Wimbledon e nos EUA, mas ela usava um vestido por cima delas. 

Tradução de Claudia Bozzo

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.