REUTERS/Adnan Abidi
REUTERS/Adnan Abidi

WTA duvida das informações oficiais da China sobre o desaparecimento da tenista Shuai Peng

E-mail atribuído à jogadora foi divulgado nesta quarta-feira negando seu desaparecimento e qualquer acusação de assédio sexual

AFP, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2021 | 20h02

O diretor executivo da WTA, que organiza o circuito mundial de tênis feminino, expressou sua "preocupação" com a segurança de Shuai Peng na quarta-feira e reafirmou suas dúvidas sobre a informação oficial da China sobre o desaparecimento da tenista.

“A declaração publicada nesta quarta-feira pela mídia oficial chinesa a respeito de Shuai Peng apenas aumenta minha preocupação com sua segurança e localização”, escreveu Steve Simon em um texto publicado nesta noite. "Acho difícil acreditar que Shuai Peng realmente escreveu a correspondência que recebemos e que ela possa pensar nas palavras atribuídas a ela", acrescenta.

“Shuai Peng mostrou uma coragem incrível ao denunciar a violência sexual da qual afirma ter sido vítima de um líder sênior do país”, acrescenta Simon, que exige “provas independentes e comprováveis” de que a jogadora está em boas condições. “Tentei em várias ocasiões contatá-la por meio de diferentes canais de comunicação, mas sem sucesso”, explica Simon, que pede que Shuai Peng “tenha permissão para se expressar livremente, sem coerção ou intimidação de qualquer tipo”.

A mensagem divulgada pela mídia estatal chinesa atribuída a Shuai Peng afirma que a tenista não está desaparecida, apenas descansando em casa. O e-mail ainda nega a existência de denúncias de abuso sexual sofrido pela chinesa.

"Olá a todos, aqui é a Shuai Peng. Sobre as notícias recentes divulgadas no site oficial da WTA, o conteúdo não foi confirmado ou verificado por mim e foi divulgado sem meu consentimento. As notícias, incluindo a alegação de abuso sexual, são falsas. Não estou desaparecida, nem em perigo. Estava descansando em casa e está tudo bem. Muito obrigado mais uma vez por se preocuparem comigo. Caso a WTA publique mais alguma notícia sobre mim, por favor verifiquem comigo, e divulguem com o meu consenso", expressa o e-mail.

A ex-número 1 do mundo em duplas acusou o ex-vice-premiê Zhang Gaoli, que de 2013 a 2018 foi um dos políticos mais poderosos da China, de tê-la forçado a fazer sexo. A acusação explosiva apareceu brevemente em 2 de novembro na conta oficial do Weibo da jogadora de tênis campeã de duplas de 2014 em Roland Garros.

Em 4 de novembro, a China bloqueou qualquer referência a essa mensagem atribuída a Shuai Peng. A AFP não foi capaz de confirmar com certeza se foi escrita por ela, enquanto seu entorno se recusou a fazer qualquer comentário. Desde então, a jogadora não deu sinais de vida e Zhang Gaoli também não reagiu publicamente às acusações.

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