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Reginaldo Leme
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O Brasil na vida de Hamilton

Chegou a vez de Interlagos, de onde Hamilton só tem como boa lembrança o título conquistado em 2008, quando precisava apenas chegar em quinto e chegou. Mas até hoje não conseguiu uma única vitória, tem apenas uma pole (2012) em oito tentativas e no primeiro dia de treino tomou meio segundo do rival Rosberg. Conhecendo a capacidade que Hamilton tem de driblar adversidades, mais a vontade de, finalmente, vencer em Interlagos, imagino o que ele fará no treino oficial de hoje para interromper a série de quatro poles seguidas do alemão.

Reginaldo Leme, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2015 | 03h00

Dos 20 circuitos atuais, embora este ano tenham sido 19 porque a Alemanha ficou fora, Hamilton só não venceu na Áustria, GP que voltou há dois anos, no estreante circuito do México e aqui, onde já correu oito vezes. O melhor resultado dele foi o segundo lugar do ano passado, quando terminou a 1s457 de Rosberg. A maior decepção do inglês em Interlagos foi em 2007, quando corria pela McLaren e era franco favorito ao título, mas só conseguiu um sétimo lugar, perdendo o campeonato para Kimi Raikkonen. Esta decepção foi recompensada no ano seguinte, quando tomou o quinto lugar do alemão Timo Glock na penúltima curva para tirar o título que parecia estar nas mãos de Felipe Massa.

A semana não começou bem para Hamilton. Depois de tantas voltas acelerando o que era possível dentro de um F-1 no trecho entre as curvas Mirabeau e Lowes, ele bateu o seu Pagani-Zonda, um carro que vale R$ 6 milhões, em outros três carros estacionados próximos ao cassino do Hotel Lowes.

A temporada de 2015, amplamente dominada por Hamilton, é a melhor dele em nove anos. Não apenas pelas dez vitórias e 11 poles, mas porque foi o ano em que eu o vi mais focado nas corridas. Largou na frente de Rosberg 12 vezes em 17 GPs, chegou a um total de 43 vitórias, superando as 41 de Senna e as 42 de Vettel, conquistou o tricampeonato com três corridas de antecedência e só não conseguiu igualar o recorde histórico de 13 vitórias no ano (Schumacher em 2004 e Vettel em 2013). A única corrida que abandonou foi a de Cingapura, justamente o seu GP de número 161, quando sonhava alcançar as 41 vitórias de Senna com o mesmo número de GPs disputados pelo brasileiro, seu ídolo de infância.

O circuito de Interlagos (4,309 km) é o segundo mais curto da temporada entre os autódromos permanentes. O do México tem cinco metros menos e o da Áustria mede 4,326 km. Por isso são estas as corridas disputadas em 71 voltas, mais do que qualquer outra, considerando-se Mônaco uma exceção que não obedece à regra de um mínimo de 305 quilômetros das outras corridas. Por ter uma média de velocidade muito baixa, mesmo em 78 voltas a distância total do GP de Mônaco (3,340 km) é de 260,520 quilômetros.

Nos circuitos mais curtos, o acionamento elétrico dos atuais motores híbridos chega a um terço da volta. Interlagos está 800 metros acima do nível do mar, já o suficiente para influir na aerodinâmica dos carros, que, por isso, usam um pacote com alta pressão aerodinâmica para neutralizar a perda de rendimento dos motores por causa do ar rarefeito. Ainda bem abaixo da pista do México, onde a F-1 esteve duas semanas atrás, que fica a uma altitude de 2.285 metros. Outra característica que diferencia Interlagos da grande maioria dos outros circuitos é o sentido anti-horário. Apenas outros três em uso – Cingapura, Estados Unidos e Abu Dhabi – têm a maioria das curvas para o lado esquerdo.

O certo é que, apesar de o título já estar decidido, a corrida traz uma disputa pelo vice, entre Rosberg e Vettel, e uma outra ainda mais apertada pelo quarto lugar, envolvendo Bottas, Raikkonen e Felipe Massa. Vettel, aliás, já teve um prazer especial nessa vinda ao Brasil. Ontem, durante a apresentação do novo modelo Ferrari 488 GTB, o apresentador Tiago Mendonça perguntou a ele quem era o piloto brasileiro que mais o inspirava. Ele respondeu que tinha sido Nelson Piquet. Imediatamente, Francisco Longo, representante Ferrari no Brasil, disse que Piquet estava presente e o chamou ao palco. E Vettel se emocionou ao abraçá-lo.

 

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