Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'Quero uma equipe mais competitiva', afirma Felipe Nasr

Felipe Nasr sonha alto na Fórmula 1. Quer vitórias, pódios e muitos pontos. Mas mantém os pés no chão ao fim de sua primeira temporada na categoria. Sem se afobar, o piloto de 23 anos quer evoluir gradualmente nas pistas. Os bons momentos na temporada, como o quinto lugar na estreia (na Austrália) e o sexto na Rússia, compensaram as fragilidades do carro da Sauber. Nasr, contudo, não se abala. Sabe das limitações de sua equipe e pede paciência à torcida. "Não é com o carro da Sauber que vou ganhar uma corrida", disse em entrevista exclusiva ao Estado. "Quero, sim, estar numa condição melhor, brigar por vitórias e pódios, numa equipe mais competitiva."

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2015 | 07h00

Como avalia a sua primeira temporada na Fórmula 1?

Foi um ano muito positivo, de muita experiência nova e aprendizado. Eu não conhecia algumas das pistas. Houve momentos bons e ruins, mas no geral foi positivo. Não posso deixar de mencionar o quinto lugar na Austrália, logo na estreia, e o sexto lugar na Rússia. Quando surgiram as oportunidades eu estava lá para agarrá-las. Acho que é isso que as pessoas querem ver. Mesmo sabendo das limitações da Sauber, pude mostrar por que vim para a Fórmula 1.

Quais lições você tira desta temporada de estreia?

Acho que aprendi a controlar as frustrações. Começamos o ano muito bem, mas depois passamos por muita dificuldade por falta de desenvolvimento do carro. Precisei saber lidar com tudo isso para, quando sentava no carro, fazer o meu trabalho 100%. Ganhei tempo e experiência. São os ingredientes fundamentais para melhorar a performance.

E como foi lidar com as expectativas da torcida depois da grande estreia?

Eu acho muito bacana o carinho que tenho recebido da torcida, mas ao mesmo tempo tenho os pés muito no chão. Acho que muita gente entende as condições que tenho no momento. Não é com o carro da Sauber que vou ganhar uma corrida. Nunca deixei de passar esse recado aos torcedores, fazendo as coisas no meu tempo para estar contribuindo na hora certa. Lógico que quero brigar por resultados maiores na Fórmula 1 e poder compartilhar isso com a torcida brasileira.

Qual foi o momento mais difícil do ano?

Foram as provas em que tive problemas de freio. Foram repetitivos, então me deixou muito frustrado. Na Áustria, por exemplo, eu tive minha melhor classificação na Fórmula 1, com o oitavo lugar, uma oportunidade única. Mas, no meio da prova, eu já estava com os freios comprometidos (terminou em 11.º). Foi frustrante. A equipe está trabalhando para resolver esse problema para o ano que vem.

Apesar do seu bom rendimento neste ano de estreia, houve oscilações durante a temporada. Além dos freios, quais foram as causas?

Acho que algumas vezes nós não soubemos entender as características da pista, juntamente com a análise dos pneus. Houve situações em que nós tiramos o melhor proveito, mas nas pistas que exigiam muito da parte aerodinâmica sofremos mais.

O que esperar de 2016? Você estabeleceu alguma meta?

Difícil antecipar o que esperar do ano que vem. Mas vamos usar todo o aprendizado deste ano de uma maneira melhor. Foram experiências de correr em pistas que eu ainda não conhecia. Em 2016, já vou saber, por exemplo, qual ajuste do carro vou precisar em cada corrida. Tudo isso vai ajudar.

Como está o desenvolvimento do carro de 2016?

O conceito é bem diferente. O carro deste ano é muito parecido com o de 2014. Foram pouquíssimas atualizações que fizemos. O do ano que vem é bem diferente, tem conceito mais agressivo. E está todo mundo esperando uma melhora significativa do carro.

Você tem mais um ano de contrato. Já pensa no futuro?

Claro que tenho sonhos maiores. Quero estar numa condição melhor, brigar por vitórias e pódios, numa equipe mais competitiva. Mas no momento acho que é preciso focar no trabalho para o ano que vem.

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