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Sette Câmara sonha alto, mas mantém os pés no chão

Brasileiro de 18 anos sair em vantagem na disputa por uma vaga na F-1

Entrevista com

Sette Câmara, piloto do programa de formação da Red Bull

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2016 | 17h00

Mineiro de Belo Horizonte, Sérgio Sette Câmara é o mais forte candidato do Brasil a ingressar na Fórmula 1 nos próximos anos. O piloto de 18 anos mora atualmente em Barcelona e disputa a F3 Europeia, pela Red Bull, uma das raras equipes da atualidade que mantém programa de formação de novos talentos.

É justamente esse programa que coloca Sette Câmara em vantagem na disputa por uma vaga na F1, colocando-o à frente de compatriotas como Pietro Fittipaldi (20 anos), neto de Emerson, e Pedro Piquet (18), filho de Nelson. Atuando pela “academia” da Red Bull, seus custos de vida na Europa são mais baixos. Também sofre menor pressão para buscar patrocinadores. Mesmo assim, o brasileiro conta com apoio de empresas de peso, como a Petrobrás. 

Em busca do sonho de pilotar na F1, Sette Câmara mantém o foco, mas sabe que ainda terá que esperar para ganhar sua chance na categoria. Afinal, a competição sofrerá fortes mudanças a partir de 2017, o que dará maior chance a pilotos mais experientes.

Enquanto a oportunidade não aparece, o brasileiro acompanha de perto o desempenho dos pilotos que são sua referência no momento, o alemão Sebastian Vettel e o australiano Daniel Ricciardo, seu “colega de trabalho” na Red Bull.

1. Você já negocia para ter chance na F-1 como piloto de testes ou reserva?

Tenho um contrato com a Red Bull e o desenrolar da minha carreira é definido por eles. Não existe nenhuma sinalização de prazos para a F-1 e meus objetivos são traçados de acordo com o que for mais conveniente na escolha deles.

2..Há previsão para fazer novos testes com a Toro Rosso/Red Bull, como os feitos em junho, em Silverstone?

Não tenho nada definido para novos testes de F-1. Acredito que, como no ano que vem haverá a estreia do novo carro, certamente os times irão optar pela experiência dos pilotos que já são titulares. 

3. Uma das críticas que se faz aos jovens pilotos brasileiros é que estão chegando às competições europeias despreparados técnica e psicologicamente. Como está o seu preparo para desafios como a F1? 

Acredito que a preparação psicológica é fundamental no desenvolvimento de um atleta de alto rendimento. Independente do esporte que ele pratique, o apoio e a preparação com o auxílio destes profissionais fazem grande diferença. Poucas pessoas lembram disso, mas, é muito importante falar. A preparação psicológica sempre fez parte da minha carreira, desde o kart, e até mesmo agora com o apoio da Red Bull, sempre tenho sessões com psicólogos especializados na preparação de pilotos.

4. O que acha da formação dos pilotos nacionais? 

No Brasil, a formação básica dos pilotos, no kart, é muito boa. Encaramos em nosso País o kart ainda de forma muito atrelada à família e eu adoro isso. O nível das competições de kart no Brasil é extremamente alto. Porém, na Europa, o grau de exigência das equipes te deixa mais preparado para chegar pronto às competições de Fórmula.

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