Max Rossi/Reuters
Max Rossi/Reuters

'A Fórmula 1 precisa se aproximar do público', diz especialista

Para professora da ESPM, entrada de grupo americano no ambiente da categoria será benéfica e vai atrair o público jovem

Entrevista com

Clarisse Setyon, professora de marketing esportivo da ESPM

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2017 | 17h00

A professora de marketing esportivo da ESPM, Clarisse Setyon, considera benéfica a entrada do grupo americano no comando da Fórmula 1. Na opinião da especialista, os novos donos da categoria podem aperfeiçoar a relação da modalidade com o público, que ainda é muito fria e distante. Confira os principais trechos da entrevista ao Estado:

Os americanos podem ser considerados a nação que sabe melhor transformar o esporte em espetáculo?

Com certeza. Eles são os donos de Hollywood, sabem fazer espetáculo, realmente entendem o que é entretenimento. São bons em finanças, sabem obter retorno. Em termos de entretenimento ninguém bate os americanos.

Quais outros esportes eles transformaram?

Eu acho que os dois grande exemplos são a NBA, que é um dos maiores espetáculos esportivos do planeta, um show midiático para os jogadores, com fogos de artíficio. Eles sabem concentrar na quadra coisas espetaculares. Se você ver o crescimento da NBA nos últimos anos é inacreditável, eles têm um grande trabalho comercial. O outro exemplo é a Fórmula Indy, uma categoria totalmente diferente da Fórmula 1, por ser aberta, onde as famílias dos pilotos se encontram, os fãs têm contato com os ídolos e os carros, ou seja, é um entretenimento, uma experiência para os fãs. Já a Fórmula 1, a impressão que dá que ela é quase um castigo, porque o cara tem que sofrer para conseguir um ingresso, se colocar lá na arquibancada, para assistir a corrida e a experiência em si é muito rasa. NBA e Indy satisfazem os fãs. O americano tem noção da importância da mídia.

A Fórmula 1 precisa investir mais em redes sociais?

O Bernie Ecclestone (antigo dono da categoria) é um senhor de 86 anos, não é um cara dessa mídia de hoje. Se a Fórmula 1 quiser sobreviver, quiser conquistar um público mais jovem, vai ter que falar com os canais de mídia mais jovem, e os americanos sabem bem disso. Na minha opinião a Fórmula 1 ainda vive dos fãs do Ayrton Senna e do Emerson Fittipaldi. As pessoas na faixa etária dos 20 anos mal sabem quem foi o Senna.

De que forma a Fórmula 1 pode mudar?

O primeiro é democratizar, dar o direito à palavra para todo mundo, fazer a categoria mais competitiva e equilibrada, o americano é muito ligado ao tema de retorno sobre investimento e parece que há uma tendência para se gastar menos dinheiro, vai abrir mais oportunidades para o público se aproximar dos carros e a relação com a mídia. Quem correu em outras categorias, sente falta do clima de família.

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