A Fórmula-3 ganha força

Desde que a Holanda perdeu o seu GP, em 1985, eu não vinha a Zandvoort, pista que fez parte da história do Mundial desde 1952. Mas pintou a chance de conferir o que tenho lido a respeito do bom nível do campeonato europeu de Fórmula-3 após a extinção dos torneios alemão e inglês - este em especial, berço de quase todos os grandes campeões mundiais da Fórmula 1.

Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 03h00

Antes mesmo de observar a competitividade, a estrutura já surpreende. Treze equipes, algumas tradicionais, compõem um paddock que só perde para a F-1. Os motores são Volkswagen e Mercedes, o pneu é o Hankook. O campeonato tem 11 rodadas triplas, um grid de 34 carros e pilotos que vieram da F-4 ou F-Renault, além dos que já estão no quarto ou quinto ano de F-3. O próprio campeão do ano passado, o sueco Felix Rosenqvist, está disputando de novo em 2015. Há pilotos de 22 países, entre os quais, três brasileiros: Pietro Fittipaldi, Sergio Sette Câmara e Gustavo Menezes, que corre pelos Estados Unidos, onde nasceu e mora junto com os pais gaúchos. 

O alto nível de competitividade explica a Red Bull ter levado da F-3 direto para a F-1 o holandês Max Verstappen, terceiro no campeonato passado, que foi o seu primeiro ano de automobilismo depois do kart. 

Talentoso e agressivo, Verstappen, com 17 anos de idade, acabou dando esse grande salto - embora a atitude de pular etapas de amadurecimento não seja garantia de uma carreira bem sucedida na F-1. Foi um caso único e, depois dele, a FIA resolveu estabelecer a idade mínima de 19 anos, além de resultados nas categorias de base que credenciem o piloto a obter a superlicença para a F-1. 

Os brasileiros estão dando seus primeiros passos no automobilismo. Pietro, 19 anos de idade, nascido em Miami e naturalizado brasileiro, ainda soma alguma experiência por ter vindo há mais tempo para o automobilismo europeu e conquistado o título de campeão inglês de Fórmula Renault no ano passado com dez vitórias e três pódios em 15 provas, além da experiência trazida da Nascar americana, na qual, com 15 anos de idade, foi campeão na categoria Limited Late Model.

Sergio Sette Camara é mineiro, acaba de completar 17 anos de idade e está no seu primeiro ano de automobilismo depois de disputar o europeu de kart no ano passado. Só não concorre como “rookie” (calouro) por ter disputado quatro provas de F-3 no Brasil em 2014 (foi pole numa delas, em Goiânia). Já a carteira de piloto de Gustavo Menezes é norte-americana, que é a sua nacionalidade por ter nascido em Los Angeles. Lá ele começou a correr de kart, mas escolheu a Europa para fazer carreira no automobilismo, iniciando pela Fórmula Renault, passando pela F-3 alemã e, agora, em seu segundo ano de Euro F-3. 

Nenhum deles ganhou corrida ainda, mas Sette Câmara fez um pódio (terceiro lugar) em Spa-Francorchamps. E, como explica Christoph Hewer, o chefe da organização do campeonato, o nível é tão forte que qualquer pequeno detalhe pode significar uma posição entre os cinco primeiros ou o vigésimo do grid. Sette Câmara está em uma equipe alemã, a Motopark, estreante no campeonato, mas dona de uma estrutura altamente profissional e na qual ele vai continuar no ano que vem. Fittipaldi corre pela Fortec, equipe tradicional na F-3, GP2 e World Series, mas está sentindo falta de companheiros mais fortes para ter melhor referência. Ele corre com os chineses Kang Ling e Zhi Cong Li, os mais lentos da categoria. Mas quer subir de categoria no ano que vem, provavelmente a World Series. Gustavo está no segundo ano da Euro F-3, tem dois pódios em Spa, mas nessa mesma pista três semanas atrás ele se enroscou com o francês Brandon Maisano, o que resultou numa capotada espetacular. Gustavo conta que o carro se arrastou por quase 100 metros de cabeça para baixo, e ele sentiu o capacete raspando no asfalto. Por sorte, ele usa um capacete da marca alemã Schubert, igual ao que salvou a vida de Felipe Massa na Hungria em 2009. 

Zandvoort, palco da última vitória de Augusto Farfus em 2013, quando foi vice-campeão, recebe a DTM, que, mesmo sendo um campeonato alemão, vem ampliando suas fronteiras. Depois da Holanda, vêm Áustria e Rússia. Farfus está sofrendo este ano com a inferioridade dos BMW (88 pontos) em relação aos Mercedes (235) e os Audi (283), que lideram o campeonato.


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