Arquivo/Estadão
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'A morte do meu filho me fez gostar de Fórmula 1', diz pai de Ratzenberger

Tragédia faz austríaco se interessar pelas corridas e entender a paixão do piloto

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2014 | 17h00

SÃO PAULO - A família Senna não foi a única que chorou a perda de um filho no GP de San Marino de 1994, há quase 20 anos. Um dia antes da corrida, Ayrton Senna estava desolado e revoltado com a morte do austríaco Roland Ratzenberger. O piloto da Simtek, novato na Fórmula 1, bateu durante o treino classificatório e levou o brasileiro a abandonar a sessão para discutir com os fiscais sobre como aprimorar a segurança do circuito.

A morte de Ratzenberger, piloto quase desconhecido, pouco repercutiu, mas fez os familiares do austríaco se aproximarem do automobilismo como jamais tinham feito. Em entrevista por telefone ao Estado, Rudolf Ratzenberger, pai de Roland, contou que foi só depois da tragédia que passou a assistir às corridas, como um jeito de compreender o esporte que seu filho tanto amou.

ESTADO: Onde o senhor estava no dia do acidente do seu filho?

Rudolf Ratzenberger: Estava em casa mesmo porque não gostava de automobilismo. Nossa família só assistiu uma vez a uma corrida de que o Roland participou, e só porque foi em nossa cidade, Salzburgo. Ele tinha apenas 20 anos e estava começando.

ESTADO: Então o senhor acompanhou pouco a carreira do Roland?

Rudolf Ratzenberger: Não tinha muito interesse. Só conseguíamos conversar por telefone de vez em quando. Ele apenas comentava os resultados das corridas e se estava tudo bem. Roland fez parte da carreira no Japão e, por causa da distância, nos víamos pouco. Recebíamos sua visita em casa apenas no Natal.

ESTADO: E no que o acidente mais transformou a sua vida?

Rudolf Ratzenberger: Passei a ter mais contato com a Fórmula 1. Fui chamado para reuniões com dirigentes como Bernie Ecclestone, Max Mosley (presidente da FIA na época) e chefes de equipe. Discutimos bastante sobre como melhorar a segurança nas pistas e passei a entender melhor a paixão que meu filho tinha pela velocidade. Em 1995, fui pela única vez a uma corrida de Fórmula 1. Foi em San Marino, onde aconteceu uma série de eventos do aniversário de um ano das mortes do Roland e do Senna. Desde então, vejo pela tevê todas as provas e acompanho outras categorias.

ESTADO: O senhor acha que a morte do seu filho ficou esquecida?

Rudolf Ratzenberger: Não me importo com isso. O Ayrton era tricampeão mundial e meu filho ainda não era ninguém na Fórmula 1. Acho normal que o acidente do Senna seja muito mais lembrado, porque o Roland era estreante e ia correr só cinco etapas na Fórmula 1. Ele não tinha dinheiro para bancar por mais tempo a sua permanência e, infelizmente, faleceu antes de disputar a terceira corrida.

ESTADO: O acidente fez a sua família se aproximar de algum piloto de Fórmula 1?

Rudolf Ratzenberger: Nossa família ficou muito amiga do Gerhard Berger, que também é austríaco. De vez em quando nos encontramos. Fiquei muito feliz quando meu filho foi homenageado pelo (finlandês) Mika Salo. Os dois foram companheiros de equipe quando corriam no Japão e o Mika sentiu demais morte dele. Anos depois do acidente, ele teve um filho e fez questão de colocar o nome de Max Yuki Roland, em homenagem ao meu filho.

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