Acidente atrapalha planos de Rubinho

Na entrevista coletiva depois da prova, reservada aos três primeiros colocados, Rubens Barrichello, segundo com a Ferrari F2002, disse: "Quando eu ultrapassei a Sauber de Nick Heidfeld (nona volta) e pude fazer minha corrida, me surpreendi ao ver que a McLaren de Kimi Raikkonen (segunda classificada até então), à minha frente, era mais veloz que eu." Esse talvez seja o melhor retrato do GP da Malásia para a Ferrari: desde o mesmo GP da Malásia, ano passado, a Ferrari não tinha um adversário mais bem preparado na competição. Em 2002 foi a Williams e a maior eficiência dos pneus Michelin no calor intenso. Como Michael Schumacher, Barrichello atribuiu ao acidente da largada não poder lutar pela vitória, apesar de reconhecer a maior velocidade da McLaren. "Não existe o se, mas se eu não tivesse perdido tantas posições (caiu de terceiro para sexto) no acidente, a história da corrida para nós poderia ser outra." A exemplo do alemão, elogiou o carro: "O acerto estava fantástico." No fim, disse o piloto, diante da grande diferença que havia entre ele, segundo, e Raikkonen, primeiro, Ross Brawn e Jean Todt, diretor esportivo e técnico, o orientaram, pelo rádio, a procurar manter-se em segundo. Barrichello recebeu autorização especial do doutor Sid Watkins, médico da Fórmula 1, para correr sem o sistema HANS de capacete. "Com ele, o cinto não me prende direito e me mexo no cockpit. Como tenho uma ponta de hérnia, sinto dores." A McLaren desenvolveu um cinto mais largo, para conter também o apoiador do sistema, localizado sobre os ombros do piloto. "Nós também vamos ter algo parecido já no GP do Brasil e espero solucionar o problema." A questão é tão séria que o inglês Justin Wilson, da Minardi, que realizava neste domingo um belo trabalho, desistiu depois de comunicar à equipe estar completamente sem sensibilidade no braço e mão direita. Wilson precisou de 20 minutos para ser retirado do carro. Em seguida foi levado para um hospital em Kuala Lumpur. Cristiano da Matta, da Toyota, terminou seu primeiro GP. Classificou-se em 11.º, depois de largar em último, com o carro reserva, porque o titular apresentou problemas no acelerador eletrônico antes da volta de alinhamento. "Para se ter um idéia das minhas dificuldades, corri o tempo todo com o tanque quase cheio. Cada vez que abaixava o volume de gasolina eu tinha de parar para reabastecer em razão de uma pane no sistema de alimentação", explicou o mineiro. Cristiano fez três paradas para reabastecer, nas voltas 17, 33 e 48. "É muito frustrante porque o carro estava bom e poderíamos conseguir alguns pontos." Antonio Pizzonia, da Jaguar, se envolveu no acidente provocado por Michael Schumacher, na largada. "Com a parada para trocar a frente do carro, minhas chances de um melhor resultado quase que acabaram", disse. Para piorar, a Jaguar, como a Toyota, enfrentou o mesmo problema com a pressão de combustível. "Corri o tempo todo com o mínimo de 35 quilos." Na 42.ª volta, a 14 da bandeirada, de novo os freios falharam e o amazonense ficou na caixa de brita. Na Austrália foi a suspensão traseira que quebrou na corrida.

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