Acidente em Melbourne revive Monza

GP da Itália do ano passado: uma roda da Jordan de Heinz-Harald Frentzen voa, depois de uma colisão com a Ferrari de Rubens Barrichello, e mata na hora o comissário Paolo Gislimberti. Neste domingo, na quinta volta do GP da Austrália, seis meses mais tarde, outra roda, agora da BAR de Jacques Villeneuve, se desprende no choque com a Williams de Ralf Schumacher e mata outro fiscal de pista, um australiano, cujo nome foi omitido pela organização. E pensar que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) dobrou a exigência de resistência do cabo que deveria manter a roda conectada ao carro nos casos de impactos. A justiça está investigando o caso.Na cerca que existe sobre os muros que margeam as pistas da Fórmula 1, há em alguns pontos um recorte, de aproximadamente 80 centímetros de comprimento por cerca de 60 de altura. É por esse espaço que os comissários estendem o braço para sinalizar com bandeiras os pilotos. A fatalidade deste domingo no circuito Albert Park levou muita gente a acreditar que se tratava do "destino" do voluntário, que estava lá para colaborar com a segurança da corrida. Foi exatamente por esse espaço limitado, quase das dimensões da roda de um carro de Fórmula 1, que se projetou o pneu da BAR de Jacques Villeneuve. Ele atingiu em cheio o tórax do comissário, causando traumatismo generalizado em elevado grau.Sete outras pessoas sofreram ferimentos leves. A Fórmula 1 prepara um contra-ataque às duas mortes semelhantes num intervalo de tempo pequeno. "A FIA já fez tanto pela nossa segurança.Temos a obrigação de trabalhar para oferecer mais segurança a essa gente", disse neste domingo Michael Schumacher, bastante atingido pela tragédia. Heinz-Harald Frentzen foi obrigado a lembrar de tudo que o cercou em Monza, dia 10 de setembro. "Não me perguntem nada sobre o que ocorreu hoje, por favor", solicitou aos jornalistas. Frentzen foi ao funeral do comissário morto por um dos pneus da sua Jordan.É possível que o acidente fatal deste domingo apresse a decisão da FIA de substituir gradualmente esses voluntários por um sistema eletrônico. Os pilotos passariam a receber as informações das bandeiras no painel de seus carros. Hoje esse sistema de comunicação já existe com a bandeira azul, a que obriga um retardatário facilitar a ultrapassagem de um adversário melhor colocado na prova. "É preciso também orientar melhor os comissários", comentou neste domingo Jacques Laffite, ex-piloto. "É comum vê-los em posições perigosas, fora de onde deveriam estar. Na velocidade em que os carros passam, não dá tempo para compreender que há algo errado e então tentar proteger-se."Max Mosley, presidente da FIA, já até anunciou que a entidade trabalha num sistema em que, automaticamente, os carros reduzirão a velocidade nos casos de perigo iminente à frente. "Estamos estudando recursos eletrônicos que, instalados nos carros, agiriam independentemente da ação do piloto." Ele planeja, em princípio, instalá-lo nos monopostos de Fórmula 1 na próxima temporada. Há, porém, nos boxes, os que acreditam tratar-se apenas de uma fatalidade e, como tal, não exige nenhuma postura nova dos dirigentes. "Esporte a motor é sempre perigoso. Não há relação entre o acidente de Monza e o de hoje", definiu Ron Dennis, da McLaren.

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