Acidente suspende etapa da F-Truck

O pior acidente da história da Fórmula Truck aconteceu neste domingo, em Campo Grande, na largada da sexta etapa da competição. Dos 23 veículos, 18 se envolveram na batida, que teve como maior vítima o piloto José Maria Reis. O goiano ficou preso nas ferragens de seu Ford por quase uma hora mas saiu consciente e com suspeitas de fratura no joelho e braço esquerdos.Na largada em movimento, Roberval Andrade (Scania), que estava em terceiro, ia atacar o segundo, Fabiano Brito (Volvo), quando a roda traseira de seu caminhão foi tocada pelo caminhão de Jonatas Borlenghi, o Neno (Volks). Roberval rodou no meio da pista e aconteceu um engavetamento envolvendo 10 caminhões.As versões de Roberval e Neno divergem. "Quando o Neno vai parar com isso?", reclamou Roberval. "Eu estava vindo, vi que o Fabiano errou a marcha e ataquei. Veio o Neno e me tocou a roda traseira. Rodei e aconteceu aquilo." Neno se defendeu: "Tenho um vídeo que mostra tudo. Larguei muito bem e estava emparelhado com o Fabiano e o Roberval. O Fabiano estava na minha direita. Ele errou a marcha e logo depois dá para ver o Roberval me fechando da esquerda. Ele tinha a preferencial na curva, não precisava fazer isso." Carlos Montagner, o diretor de provas, ficou impressionado. "Nunca vi nada desse tipo, nem na televisão. Em uma categoria como a Truck, qualquer escapada pode acarretar esse efeito dominó. Claro que não é comum ver um acidente deste, com caminhões empilhados a três metros de altura", disse.O diretor fez questão de assinalar: "As equipes tomaram consciência de que a segurança é prioridade, ainda mais na Truck, com veículos grandes desse jeito. É um esporte de risco, mas o que importa é que de todos os pilotos, apenas o Zé Maria saiu machucado." Um dos cinco veículos que saíram ilesos foi Renato Martins, que largou da pole. "Pelo retrovisor eu estava tentando saber que ia disputar a primeira posição comigo. Quando olhei imaginei que iam bater. Ninguém quer perder a posição, mas cada piloto tem de ter consicência de qual atitude tomar. Quando não dá para mim, eu tiro o pé, mas tem gente que quer ir para frente, não tem jeito", disse o piloto da Volkswagen.Uma das mais impressionadas era Débora Rodrigues. A piloto da Volks corria desesperada na pista, pedindo ajuda aos companheiros. "Quando um caminhão roda na sua frente não tem muito o que fazer. Você vira um passageiro no caminhão. Vi a poeira lá na frente e tirei o pé do acelerador, mas o pessoal veio de trás e foi batendo em mim. Bati a cabeça e está doendo um pouco, mas estou bem", declarou.Alguns pilotos reclaramaram do helicóptero que fazia parte do show que antecipa a corrida - que estava à frente do pace truck na hora da largada. "O helicóptero estava na frente do pace truck, mas em uma velocidade muito baixa, por isso todos os caminhões ficaram encavalados. Na hora da largada, que é lançada, não tinha espaço suficiente entre os veículos e aconteceu o acidente", reclamou Beto Monteiro (Ford), que largou em 16º.Piloto do pace truck, Sheren Bueno concordou: "Eu fazia sinal para ele ir mais rápido, mas só que não conseguia me ver. Teve uma hora em que tive de ultrapassar o helicóptero para ele ir mais rápido." Outros discordaram. Foi o caso de Leandro Totti. "O acidente não teve nada a ver com o helicóptero. É duro achar um culpado nessas horas.Acho que essa prova vai ficar na consciência de cada piloto, para cada um pensar na hora de tentar forçar a ultrapassagem", avaliou.Montagner isentou o piloto do helicóptero: "A culpa foi de quem não mandou ele ir mais rápido, mas o acidente não teve nada a ver com isso." Além de Zé Maria, Vignaldo Fizio machucou o braço esquerdo, Beto Monteiro, a mão direita, e Pedro Muffato foi para o hospital com suspeita de fratura na costela.

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