Adversários reconhecem a superioridade da Red Bull, mas prometem lutar na F-1

Lotus conta com os pneus para surpreender Sebastian Vettel durante a prova de Cingapura

LIVIO ORICCHIO - Enviado Especial, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 14h02

CINGAPURA - Desta vez será mais difícil para os pilotos da Mercedes, Nico Rosberg, segundo no grid, e Lewis Hamilton, quinto, vencerem, domingo, Sebastian Vettel, da Red Bull, o pole position no GP de Cingapura, 13.ª etapa do calendário. Na Hungria, pista onde é necessária elevada carga aerodinâmica, como no circuito Marina Bay, em Cingapura, Hamilton largou na pole, contornou a primeira curva em primeiro, com Vettel em segundo, e não mais perdeu a liderança até a bandeirada, na 69.ª volta.

Em conversa com o Estado, Rosberg explicou que não está na pole position, como Hamilton na Hungria, e os 5.073 metros do traçado asiático apresentam pelo menos um ponto de ultrapassagem, na freada da curva 7, o que no autódromo de Budapeste não é o caso, pois o trecho de aceleração plena da reta dos boxes é menor. "Sebastian demonstrou também, sexta-feira, ter um ritmo de corrida melhor que todos."

Portanto, em condições normais, será difícil Vettel não ampliar a vantagem importante que já tem para Fernando Alonso, da Ferrari, sétimo no grid, e Hamilton, no GP de Cingapura. O alemão fez um discurso surpreendente do que significaria uma nova vitória amanhã, a terceira seguida, pois ganhou nas ruas da cidade-estado asiática em 2011 e 2012. "Não é preciso ser inteligente para saber que quem vence soma mais pontos. Mas ser primeiro aqui tem um sentido especial para mim." E explicou: "Considero esta corrida a mais exigente fisica e mentalmente do calendário. São quase duas horas, longa, o piso é ondulado, faz forte calor e a umidade é elevada. É difícil manter a concentração ao máximo o tempo todo". Apesar de concordar com Rosberg que a Red Bull lhe entregou um "carro fantástico" em Cingapura, "todos esses fatores citados mais safety car, comum aqui, podem mudar um resultado", comentou Vettel.

Alguns números de Vettel: a pole deste sábado foi a sexta pole na temporada, a terceira seguida, a 42.ª na carreira. A sua frente nesse ranking estão apenas Ayrton Senna, com 65, e Michael Schumacher, 68. O segundo tempo de Rosberg o surpreendeu porque ontem a Red Bull fez primeiro e segundo com Vettel e Webber nos treinos livres, com uma vantagem assustadora para ele próprio. O alemão da Mercedes ficou em terceiro, um segundo e 9 milésimos mais lento. Uma diferença enorme para os padrões da Fórmula 1.

E neste sábado Vettel poderia ter pagado o preço da perda da pole position por decidir, junto do seu engenheiro, o francês Guillaume Rocquelin, não sair com o último jogo de pneus supermacios, no fim da sessão. O alemão ficou torcendo para ninguém melhorar seu tempo, cuja pole parecia, ontem, ser a mais fácil até agora da temporada. "Pena esse décimo", afirmou Rosberg. O alemão da Mercedes registrou 1min42s932 diante de 1min42s841 de Vettel, ou seja, apenas 91 milésimos de segundo pior, menos de um décimo. O terceiro no grid é o francês Romain Grosjean, em ótima fase quando o desafio é uma volta lançada. E bem mais perto de Vettel do que se poderia esperar. "Tive problemas com o sistema de direção e depois nos freios, ontem. Veja quanto andamos. Muito pouco. Se considerarmos que trabalhamos pouco o carro, dá para ver que estamos muito rápidos aqui."

PNEUS, TRUNFO DA LOTUS

Há um ponto capaz de levá-lo a obter, domingo, um resultado ainda melhor que neste sábado. A Pirelli distribuiu pneus supermacios e médios em Cingapura. Os nove primeiros no grid se classificaram com os supermacios, bem mais velozes que os médios. Mas entre a sexta e a nona volta, aproximadamente, vão ter de parar para substituí-los. Sua autonomia é pequena. E vão colocar os pneus médios. Para a grande maioria, não será possível realizar uma única parada apenas nas 52, 53 e 54 voltas que ainda vão restar até a bandeirada. Mas talvez dê para a Lotus de Grosjean sem que seu ritmo caia demasiadamente. Foi assim que na abertura do Mundial, na Austrália, Kimi Raikkonen, seu companheiro, venceu.

O finlandês não foi além do 13.º tempo na definição do grid. Sentia fortes dores nas costas. Elas têm origem num teste da Sauber, em 2001, no circuito de Magny-Cours, temporada de estreia de Raikkonen na Fórmula 1. Bateu forte no S de alta. E em Cingapura, para obter tempo é preciso ser agressivo com as zebras. Frequentemente a base do monocoque acaba tocando-as. Isso fez Raikkonen voltar a sentir as dores. Logo depois da classificação regressou ao hotel para se submeter a tratamento intensivo a fim de poder largar, domingo.

LAUDA SE SURPREENDEU COM A MERCEDES

Mais uma vez Webber não correspondeu ao que se esperava dele. Com o modelo RB9-Renault da Red Bull rendendo como está, depois da volta das férias, seria de se esperar que ao menos se classificasse em segundo. Niki Lauda, diretor da Mercedes, disse ao Estado antes da treino classificatório: "Temo que só nos restará lutar pelo terceiro lugar, pois não vejo como a Red Bull não faça a primeira fila aqui depois do vimos não apenas ontem, mas desde Spa". Webber foi apenas o quarto.

Alonso não foi crítico com a Ferrari como na Hungria, quando em outro circuito de elevada exigência de pressão aerodinâmica ficou para trás. "Lá também Red Bull, Mercedes e Lotus foram mais rápidas que nós. E aqui, depois das férias, de novo. É uma pena. O novo aerofólio dianteiro que trouxemos nos deu um décimo de segundo, apenas, mas é o que prevíamos." Nas etapas de Spa e Monza, antes de Cingapura, os carros têm configuração de baixa carga aerodinâmica. Vettel não se ilude com o que viu da Ferrari. "Eles são sempre assim, não têm sido muito velozes no sábado mas no domingo Fernando acaba no pódio." Mas se o alemão da Red Bull tiver resistência para vencer em Cingapura, deverá ser de Rosberg, Hamilton e, quem sabe, Grosjean; dificilmente Alonso. Agora, o espanhol de novo chegar no pódio, conhecendo seu talento, é algo bem possível.

Em Cingapura, Felipe Massa vai largar na frente de Alonso. Massa teve uma sexta-feira complicada, por realizar experiências com novos componentes e acerto. E até mesmo na própria classificação teve de lutar muito para não ficar no Q1 e no Q2. No fim, surpreendeu com o tempo de 1min43s890, diante de 1min43s938 do companheiro.

ALONSO, SEMPRE O MESMO

Como mau perdedor que é, Alonso comentou: "Felipe costumava ser mais veloz que seus companheiros, mas desde que estou aqui (2010) eu fui mais rápido que ele 82% das vezes, portanto não acho que as classificações sejam um problema para mim". Massa disse: "Mudei completamente o acerto do carro. Seria complicado se aproximar da Red Bull e Mercedes, de onde estávamos, e conseguimos. Quanto à corrida, não será fácil. O desgaste dos pneus é grande. Mas somos melhores no domingo que no sábado." Num discurso distinto do pronunciado quando soube que não permaneceria na Ferrari, afirmou, ontem: "Farei o máximo possível para melhorar nossa colocação no campeonato". A Ferrari está em segundo, com 248 pontos, diante de 352 da Red Bull, a líder.

Outra boa surpresa na definição do grid foi o mexicano Steban Gutierrez, da Sauber, décimo. Consciente de que aquela colocação era o máximo possível, nem mesmo saiu dos boxes no Q3 e poderá, com isso, escolher largar, provavelmente, com os pneus médios, enquanto os nove a sua frente, supermacios. Esse cenário faz pensar que depois de 6, 7, 8 ou 9 voltas, quando todos os que estão a sua frente vão parar, para substituir os supermacios, Gutierrez pode liderar o GP de Cingapura por algumas voltas. "Temos bom ritmo de corrida, melhor que de classificação. Estou confiante, acho possível marcar pontos." Seria a primeira vez na carreira. Como foi a primeira vez que ficou na frente do companheiro de Sauber, o competente Nico Hulkenberg, 11.º no grid.

A largada do GP de Cingapura será às 9 horas, desde domingo, horário de Brasília.

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